Pinacoteca Barão de Santo Ângelo do RS parte para o Rio de Janeiro

José Lutzenberger - Imagem cedida pelo Setor Acervo da Pinacoteca Barão de Santo Ângelo do IA/UFRGS

Um dos principais acervos do Estado será exposto pela primeira vez na meca das artes visuais no Brasil: o Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro.

Entre 18 de fevereiro e 12 de abril, 86 obras oriundas da Pinacoteca Barão de Santo Ângelo se somarão aos mais de 100 mil itens da coleção do MNBA na exposição Pinacoteca Barão de Santo Ângelo visita Museu Nacional de Belas Artes.

Prestigiados pela grandeza da parceria, os curadores e professores da UFRGS Alfredo Nicolaiewsky e Blanca Brites vibram com o ineditismo de uma exposição fora do Rio Grande do Sul que contemple a história vivida e, ao mesmo tempo, acomodada pelo órgão.

“Muitas obras da Pinacoteca já viajaram pelo país. Mas, uma exposição preparada com a intenção de representar um panorama da Pinacoteca é a primeira vez que acontece”, conta com entusiasmo Blanca.

Tomados por essa satisfação e nada intimidados pela responsabilidade de comprimir a história do acervo e de suas 1930 obras em somente uma exposição, os curadores sublinham a importância da difusão da arte gaúcha e universitária.

“A respeitabilidade do museu, no Brasil e internacionalmente, já é tácita. Então, no momento em que o MNBA nos convida [para expor], isso passa a ser um reconhecimento para a Universidade”, finaliza a curadora.

Alice Soares – – Imagem cedida pelo Setor Acervo da Pinacoteca Barão de Santo Ângelo do IA/UFRGS

Na bagagem, junto do desafio de representar fielmente essa história e da missão de valorizar a arte produzida no Estado, as obras selecionadas buscam ilustrar uma trajetória de 150 anos de arte. Com trabalhos feitos, na sua totalidade, em papel – desenhos, aquarelas, gravuras e livros de artista -, que permeiam o período em quatro módulos. Os blocos Constituição, Afirmação, Constância e Continuidade possuem a tarefa de contemplar a linha cronológica que começa em 1866 e encerra nesta década, ainda que a inviabilidade de ilustrar a imensidão dessa história se faça presente.

A coleção inclui artistas de outros Estados brasileiros e países, mas, em sintonia com as proporções da totalidade do acervo, a autoria que prevalece é a gaúcha. Nomes como Justina Kerner (1846–1941) e Pedro Weingärtner (1853–1929) exemplificam o eixo inaugural, dando início a cronologia. Na sequência, trabalhos de José Lutzenberger (1882–1951) e Oscar Boeira (1883–1943) são selecionados para representar as décadas de 1920 a 1940. Já no módulo Constância, desenhos de João Fahrion (1898–1970) e Alice Soares (1917–2005) remontam o período seguinte, se estendendo até o final dos anos 1970. E, por último, mas não o final dessa história, as produções de Zoravia Bettiol (1935), Anico Herskovits (1948) e Maria Lucia Cattani (1958–2015) ilustram a atualidade do acervo.

A memória em forma de arte

Desde 1908, a PBSA acompanha e acolhe a história centenária de artistas do Instituto de Artes da UFRGS e suas produções. O órgão conserva e restaura obras, na sua maioria, locais. Organiza, mantém e promove o espaço, através do trabalho do professor e coordenador do acervo, Paulo Gomes, ao lado dos alunos guiados por ele.

João Fahrion, 1944 – Imagem cedida pelo Setor Acervo da Pinacoteca Barão de Santo Ângelo do IA/UFRGS

O acervo possui desenhos; gravuras; fotografias; pinturas; cerâmicas; esculturas; objetos; livros de artista e vídeos. Parte desta coleção está exposta permanentemente no Salão de Festas da Reitoria da UFRGS, equipamento cultural gerenciado pelo Departamento de Difusão Cultural da UFRGS. A longeva e histórica coleção possui um valor simbólico que ultrapassa o valor capital. “Todos têm um único valor: ser patrimônio universitário cultural. Não é só um almoxarifado para decorar o prédio da Reitoria”, ironiza Paulo Gomes no mesmo fôlego em que conta sobre o ensino, a pesquisa e a tecnologia feitos com base na Pinacoteca na entrevista cedida à equipe do Departamento de Difusão Cultural da UFRGS.

Além de potencializar a arte rio-grandense, o órgão atua na construção e permanência da memória da cultura local. Foi cenário de personagens que deram vida a essa história, gerações de alunos e professores do Instituto de Artes. Hoje, é escola para os futuros atores das artes visuais.

A exposição no Rio de Janeiro faz parte das celebrações dos 85 anos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, completados em novembro de 2019. O Departamento de Difusão Cultural é parceiro do projeto.

Exposição Pinacoteca Barão de Santo Ângelo visita Museu Nacional de Belas Artes, atividade que integra as comemorações dos 85 anos da UFRGS
Abertura da exposição: 18/02/2020
Visitação: até 12 de abril de 2020
Local: Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro, na Galeria Henrique Bernardelli (Avenida Rio Branco, 199 — Centro (Cinelândia), Rio de Janeiro, telefone (21) 3299-0600)
Curadoria: Blanca Brites e Alfredo Nicolaiewsky

Sobre Deco Rodrigues 6464 Artigos
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