Caxias e Pelotas recebem encontros da Bienal do Mercosul nos dias 6 e 7 de novembro

A equipe da Fundação Bienal de Artes Visuais do Mercosul estará nas cidades promovendo debates e rodas de conversa com entrada franca.

Xadalu – Foto: João Vergara

A equipe da Fundação Bienal de Artes Visuais do Mercosul desembarca em Caxias do Sul e em Pelotas para promover encontros do Território Kehinde, ação do projeto educativo da Bienal 12 formada por debates e rodas de conversa com entrada franca que propõem a construção coletiva de saberes.

As inscrições para participar podem ser feitas gratuitamente no site www.fundacaobienal.art.br.

No próximo dia 6 de novembro, quarta-feira, às 19h, o Sesc Caxias do Sul recebe uma mesa com participação do artista visual gaúcho Xadalu e da artista, educadora e curadora carioca Renata Sampaio falando sobre raça e artes visuais.

Izis Abreu – Foto: Cris Barros

Já na quinta-feira, dia 7, às 19h, o projeto chega à Biblioteca Pública Pelotense promovendo um debate sobre mulheres negras e arte com a historiadora da arte e ativista Izis Abreu e a professora e atriz Dedy Ricardo.

A atividades reforçam a proposta da Bienal 12 de criar espaços de escuta e de troca entre o público em geral e agentes da arte e da educação. “A Bienal do Mercosul ocupa um lugar afetivo, especialmente no coração do estado do Rio Grande do Sul. Além disso, na busca por uma prática não colonizadora é importante criarmos possibilidades de escuta para que mais vozes possam tecer as ações educativas da Bienal 12.

Porto Alegre inegavelmente sedia a mostra e concentra, por isso, a maioria das ações. No entanto, buscar ouvir o interior é necessário para a Bienal. É a mostra que precisa ouvir o que têm a dizer os seus públicos.

Igor Simões – Foto: João Pedro Lima

Caxias e Pelotas são as primeiras cidades a receberem as conversas do Território Kehinde. São cidades com marcada presença no cenário da arte do Rio Grande do Sul e que podem contribuir imensamente para esse projeto”, aponta o curador educativo Igor Simões, que fará a mediação dos debates.

As ações estão sendo realizadas durante o último trimestre deste ano em preparação para a mostra de arte contemporânea que será realizada na capital gaúcha de 16 de abril a 5 de julho de 2020, em diversos espaços culturais, com curadoria-geral da argentina Andrea Giunta e curadoria-adjunta da polonesa Dorota Biczel e dos brasileiros Fabiana Lopes e Igor Simões. Com o título Feminino(s).

Visualidades, Ações e Afetos, a mostra terá como centro as propostas de artistas mulheres e de todas as sensibilidades não binarias, fluidas e não normativas, sobretudo daquelas que se expressam em oposição às mais diversas formas de violência, e que compartilham o desejo de uma ordem social menos opressiva e discriminatória em termos de gênero.

A curadoria pretende destacar a relevância da criatividade para friccionar limites e condicionamentos, enriquecer-se com a criação daqueles que trabalham com materiais e técnicas tradicionalmente atribuídos às artes do feminino e compartilhar o exercício coletivo de inventar novas formas de fazer, dizer, pensar e criar na vida democrática.

A Bienal 12 tem patrocínio do Santander, copatrocínio do Banrisul, apoio de Unimed e Unicred, apoio institucional de Secretaria de Estado da Cultura do Rio Grande do Sul, Memorial do RS, MARGS, UERGS, CHC Santa Casa, Fundação Iberê Camargo e Theatro São Pedro, realização do programa educativo pela Fecomércio / SESC RS e realização da Lei Federal de Incentivo à Cultura e da Fundação Bienal de Artes Visuais do Mercosul.

CAXIAS DO SUL
Programa Educativo da Bienal 12 – Território Kehinde – 3º encontro
Debate Raça e Artes Visuais em Terra Brasil
Com Xadalu e Renata Sampaio e mediação de Igor Simões
Dia 6 de novembro, quarta-feira, às 19h
Sesc Caxias do Sul (Rua Moreira César, 2462 – Centro – Caxias do Sul)
Entrada franca mediante inscrição prévia no site www.fundacaobienal.art.br
Duração: de 90 a 120 minutos

PELOTAS
Programa Educativo da Bienal 12 – Território Kehinde – 4º encontro
Debate Território de Mulheres Negras e a Arte
Com Izis Abreu e Dedy Ricardo e mediação de Igor Simões
Dia 7 de novembro, quinta-feira, às 19h
Biblioteca Pública Pelotense (Praça Cel. Pedro Osório, 103 – Centro – Pelotas)
Entrada franca mediante inscrição prévia no site www.fundacaobienal.art.br
Duração: de 90 a 120 minutos

Sobre o Território Kehinde
O romance ​Um Defeito de Cor​, de Ana Maria Gonçalves, é, desde seu lançamento em 2008, um marco na literatura contemporânea brasileira. Mas ele vai além. Estabelece-se como marca porque revela uma herança contínua da colonização e da eleição da sujeição e do direito de posse de humanos sobre humanos. Marco porque estabelece vínculos de uma memória que se acreditava, durante muito tempo, estar perdida e que reaparece como relâmpago necessário na lacuna de um registro sobre onde viemos e de qual lugar surgem nossas raízes.

Primeiro encontro do Território Kehinde – Crédito Thais Leidens

A escravização no Brasil não pode ficar relegada a experiência do passado. Antes disso, ela é elemento que atravessa nossas maneiras de pensar e de existir em uma sociedade assimétrica e, muitas vezes desumanizadora. No entanto, a obra desenha, inscreve, rasga lugares para ver a existência negra no século XIX brasileiro. Há ali negros que leem e criam estratégias de aprendizado, há o centro urbano tomado por homens e mulheres que se deslocam e negociam suas liberdades e aprisionamentos, há a vida da Bahia, do Maranhão, do Rio de Janeiro, de São Paulo.

Há sobretudo uma mulher que acende a própria vida, ascende e atende sob o nome de Kehinde. A personagem empreende de Savalu até o Brasil, dos Brasis até as Áfricas e Europas. Inventa formas de vida, olhos de ver e ser vista, morre algumas vezes, vive muitas, aprende e ensina. Kehinde é a mulher negra com suas táticas de existir: a astúcia, a atenção, o olho atento ao afeto não distante da luta e dos saberes. É a capacidade de criar territórios a cada chegada.

Em uma mostra, no Sul do mundo, como a Bienal 12, que toma como ponto de partida e de chegada os femininos e a arte em seus tensionamentos e possibilidades de invenção, tomar a figura de uma personagem que está entre a vida e a ficção – entre a memória e a escrita de passados necessários e sobre a marca da mulher negra – vai além de uma homenagem. Significa estabelecer que a mulher negra tem poder em diferentes sentidos de ser a imagem de um mundo já vivido e aquele desejado.

Primeiro encontro do Território Kehinde – Foto: Thais Leidens

Território Kehinde é a porção de um projeto educativo que toma essa mulher negra e suas criações de vidas como ponto do qual se empreende o encontro. Território Kehinde é lugar de mulheres e, algumas vezes, de homens também. Território Kehinde será durante a Bienal 12 tudo aquilo que se baseia no chegar, encontrar e aprender junto. Território Kehinde é uma roda de conversa.

Territórios que se abrem em diferentes cidades sempre com convidadas, seus saberes e suas possibilidades de construir ali seus territórios e formas de aprendizado. Kehinde é deslocamento. Deslocamento de conhecimentos, de perspectivas, de certezas e construções do comum, da ordem do que é compartilhado. Kehinde é a imagem e a seta dos encontros que se dão ao longo de 2019 e 2020. Deslocar, conhecer e inventar são palavras que sustentam os territórios que se erguem a partir das vozes de nossas convidadas.

Sobre a Fundação Bienal do Mercosul
Criada em 1996, a Fundação Bienal de Artes Visuais do Mercosul é uma instituição de direito privado, sem fins lucrativos, que tem como missão desenvolver projetos culturais e educacionais na área de artes visuais, adotando as melhores práticas de gestão e favorecendo o diálogo entre as propostas artísticas contemporâneas e a comunidade.

Ao longo de sua trajetória, a Fundação Bienal do Mercosul sempre teve como missão a ênfase nas ações educativas e os seguintes princípios norteadores: foco na contribuição social, buscando reais benefícios para os seus públicos, parceiros e apoiadores; contínua aproximação com a criação artística contemporânea e seu discurso crítico; transparência na gestão e em todas as suas ações; prioridade de investimento em educação e consolidação da Bienal como referência nos campos da arte, da educação e pesquisa nessas áreas.

Em 23 anos de existência, a Fundação Bienal do Mercosul realizou 11 edições da mostra de artes visuais, somando 615 dias de exposições abertas ao público, 74 diferentes exposições, participação de 1.759 artistas, com 4.849 obras expostas, intervenções urbanas de caráter efêmero e 16 obras monumentais deixadas para a cidade.

Foram 6.061.698 visitas com acesso totalmente franqueado, 1.283.269 agendamentos escolares e 207.477 metros quadrados de espaços expositivos preparados, áreas urbanas e edifícios redescobertos e revitalizados.

A Bienal do Mercosul contabiliza ainda 76.500 exemplares distribuídos dos catálogos das mostras, 298.000 exemplares de material didático produzido para alunos, professores e instituições de ensino, 216 patrocinadores e apoiadores ao longo da história e mais de 12.825 empregos diretos e indiretos gerados – além de seminários, conversa com o público, oficinas, curso para professores, formação e trabalho como mediadores para 1.893 jovens.

A Diretoria e os Conselhos de Administração e Fiscal da Fundação Bienal do Mercosul atuam de forma voluntária. Todos os eventos e ações da Fundação são oferecidos gratuitamente ao público, com recursos incentivados por uma grande rede de patrocinadores, parceiros e apoiadores.

Patrocínio: Santander
Copatrocínio: Banrisul
Apoio: Unimed e Unicred
Apoio institucional: Secretaria de Estado da Cultura do Rio Grande do Sul, Memorial do RS, MARGS, UERGS, CHC Santa Casa, Fundação Iberê Camargo e Theatro São Pedro
Realização do programa educativo: Fecomércio / SESC RS
Realização: Lei Federal de Incentivo à Cultura e Fundação Bienal de Artes Visuais do Mercosul

Fonte: Roger Lerina | Jéssica Barcellos

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