Exposição de Zoravia Bettiol no MARGS encerra este domingo (11) em Porto Alegre

A exposição da artista plástica Zoravia Bettiol, que comemora os seus 80 anos de vida e os 60 dedicados à arte, pode ser visitada até este domingo, 11 de dezembro, das 10h às 19h, no Museu de Arte do Rio Grande do Sul (MARGS).

web-2_zoravia-bettiol_parem-de-ameacar-o-pro_uni_pintura_2016Pautada no lirismo e na fantasia, “Zoravia Bettiol – o lírico e o onírico”, apresenta aspectos marcantes da personalidade, do processo artístico e da poética da autora. Reunindo obras criadas ao longo de mais de seis décadas, a mostra tem curadoria dos historiadores e críticos de arte Paula Ramos e Paulo Gomes.

A exposição é composta por desenhos, pinturas, gravuras, arte têxtil, objetos, ornatos e joias, além de registros de performances. Entre os destaques, a série Sentar, sentir, ser, iniciada em 2005 e concluída em 2016. Surgida a partir da reflexão do grande tempo que as pessoas permanecem sentadas, diariamente, a série exibe a própria artista em poses e situações engraçadas, realizando distintas ações que podem ser feitas enquanto se está, justamente, sentado, tais como: comer, legislar, celebrar, fofocar, magicar etc. Solta no espaço, em meio à representação de elementos e adereços que identificam as atividades empreendidas, a artista desponta em composições de cores cítricas e ridentes, que articulam fotografia, desenho, pintura e colagem. Outro destaque está no conjunto completo de xilogravuras para a lenda A salamanca do Jarau, publicada por Simões Lopes Neto (1856–1916) em seu livro Lendas do Sul (1913). Zoravia ilustrou o texto no final dos anos 1950, produzindo 27 imagens que serão expostas pela primeira vez em sua totalidade, acompanhadas por vários estudos preparatórios.

Foto: Gilberto Perin
Foto: Gilberto Perin

A artista
Zoravia Bettiol (Porto Alegre, RS, 1935) iniciou sua trajetória no campo das artes visuais em 1952, quando ingressou no Instituto de Belas Artes (IBA), atual Instituto de Artes da UFRGS. Esse é o marco da carreira de uma artista que transita por diversos gêneros e suportes: pintura (sua ênfase acadêmica), gravura, desenho, arte têxtil, criação de joias e de objetos, design de superfície, performances e instalações. Com obras em acervos de alguns dos mais importantes museus de arte do mundo, Zoravia já realizou 136 exposições individuais, tendo apresentado o seu trabalho em pelo menos 21 países.

Em 1956, ela começou o seu percurso na gravura, quando passou a frequentar o ateliê do escultor e gravador Vasco Prado (Uruguaiana, RS, 1914 – Porto Alegre, RS, 1998), com quem dividiu grande parte da sua vida artística e afetiva. Casou-se com Vasco em 1959, construindo com ele uma família que originou três filhos, em uma relação que perdurou por 24 anos. Sua produção em gravura e, em especial, em xilogravura, valeu-lhe diversos prêmios e o reconhecimento nacional e internacional.

No final dos anos 1960, encantada com as possibilidades da arte têxtil, lançou-se a essa técnica, instaurando uma linguagem que pautaria a produção de toda uma geração. O têxtil, por sua vez, a conduziria às joias e essas aos headdresses, costumes e performances. Apesar da pluralidade, há uma inconteste unidade, manifestada nos temas e nas linguagens, bem como no aspecto narrativo de suas obras.

Ao lado de suas pesquisas formais e de sua intensa produção artística, impossível esquecer o ativismo. Os interesses ecológicos, sociais e a crença em um mundo mais justo e fraterno movem-na incansavelmente. Revelar toda essa energia, esse modo de ser, pensar e criar está na base conceitual da exposição, Zoravia Bettiol – o lírico e o onírico. Comemorativa aos seus 80 anos de vida, a mostra é um exercício de síntese de sua numerosa e prolífica produção.

Exposição ZORAVIA BETTIOL – O lírico e o onírico
Curadoria de Paula Ramos e Paulo Gomes
Visitação
Até 11 de dezembro de 2016 (terça a domingo, das 10h às 19h)
Entrada franca
Onde
MARGS Ado Malagoli
Praça da Alfândega, s/n – Centro Histórico – Porto Alegre/RS
www.margs.rs.gov.br

web-1_zoravia-bettiol_ares_serie-deuses-olimpicos_1976Fonte: Jornalista Dóris Fialcoff

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