Gustavo Cunha fala sobre trajetória musical e seu novo álbum, vaga-lume-grão

Seguindo o processo de gravações caseiras, que marcou sua estreia solo em 2015, o pelotense Gustavo Cunha apresenta vaga-lume-grão, seu segundo álbum solo.
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O trabalho lançado por meio do selo Escápula Records, no mês de outubro, pode ser conferido nas plataformas digitais.
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O primeiro single do novo disco, a faixa Grão, ganhou um clipe realizado em parceria com a produtora NOZ Audiovisual .

Utilizando-se da performance corporal de Gustavo e do recurso do light painting, o vídeo explora a sonoridade e poética presentes em todo conceito do álbum. Segundo o músico, “vaga-lume-grão é como um espaço inexistente, um ambiente imagético onde a poesia das músicas habita”.
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Enquanto que em seu disco de estreia, “Lo-Fi”, o processo ocorreu de forma mais solitária, desta vez, Gustavo contou com o apoio de um time de músicos conhecidos na região: Dionísio Souza (Kiai Grupo), no baixo, César Gularte (esquimós), na bateria, e as texturas exploradas por Vini Albernaz (Musa Híbrida). Também participaram das gravações: Davi Raubach (acordeão na faixa “tempo e espaço”), Gustavo Silveira (violão na faixa “tempo e espaço”) e Gustavo Otesbelgue (violão na faixa “corte seco”).
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O disco foi gravado por Gustavo Cunha, co-produzido e mixado por Vini Albernaz, no Estúdio Cabeça de Algodão (Pelotas – RS) e masterizado por Lauro Maia, no A Vapor Estúdio (Pelotas – RS). A capa conta com foto de Andressa Santos e design feito pelo próprio Gustavo. Confira abaixo a entrevista em que o artista fala sobre sua trajetória musical e dá detalhes sobre a construção de vaga-lume-grão.
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– Quando tu começou na música? Como foi o processo de querer fazer as próprias músicas e gravar?
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Eu comecei por volta dos 13 ou 14 anos, e logo já fazia parte de uma banda onde trabalhávamos com material autoral. A minha primeira composição surgiu com essa banda, de rock alternativo/grunge, quando eu tinha 14 anos (isso na cidade de Dom Pedrito, onde morei por cerca de 7 anos). Voltando para Pelotas (minha cidade natal) em 2011 para estudar Música – Bacharelado em Composição Musical na UFPel, participei de outros projetos autorais, como o “Percutralha”, o trio “A Lua de Ismália”, e meu primeiro álbum “Lo-Fi” de 2015, além de compor trilhas sonoras para curtas metragens. O meu primeiro álbum, “Lo-Fi”, foi o meu laboratório de experimentações para começar a me produzir e me gravar. Nele eu compus e gravei todos os instrumentos, na maioria digitais, o que resultou em um trabalho mais eletrônico do que o disco de agora, que soa mais orgânico. Foi tudo gravado com bastante liberdade criativa, aprendendo e se desenvolvendo com erros e acertos, bem naquela coisa instintiva de se gravar sozinho no próprio quarto.
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Ouça “Lo-Fi:

– Como funciona teu processo de composição? as canções do vaga-lume-grã são recentes? 
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Acho que não há uma fórmula que se repete, depende da abordagem de cada projeto. Uma coisa que se manteve entre o primeiro disco e o “vagalume-grão” é o de as canções estarem já com a sua estrutura, harmonia e melodias definidas para depois escrever a letra com base na linha melódica, para compor canções tem funcionado melhor assim até agora. As canções desse disco foram compostas ao longo dos anos em que estudei na UFPel, a mais antiga é a “voo”, que encontrei o arquivo de um rascunho tocado no piano, de 2013. Acho que alguma outra é dessa época também, mas a maioria das composições foram surgindo a partir de 2015, depois de ter lançado o “Lo-Fi”. A faixa “tempo e espaço”, por exemplo, já tinha feito parte do repertório da “A Lua de Ismália”, e a última a ser composta foi a “grão”, no ano passado mesmo. Mas todas elas foram finalizadas em 2017 e 2018, com a escrita das letras (que contei com a parceria da minha irmã, a artista Gabriela Cunha, em 4 das 8 faixas do disco).
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– Como foi o convite do Escápula para lançar esse segundo disco pelo selo? e a ideia de convidar outros músicos pra gravarem junto?
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 Eu já conheço o Lauro faz um bom tempo, o disco da “A Lua de Ismália” foi gravado lá no A Vapor Estúdio e era pra ter sido lançado pela Escápula Records também, mas nos perdemos em tempo-espaço e nunca finalizamos esse trabalho. Ele pediu para o Vini enviar algumas coisas do disco, quando estávamos no início da fase de mixagem, e então entrou em contato comigo perguntando se eu tinha interesse em lançar o disco pelo selo. Eu havia acabado de me formar na UFPel e já estava com a ideia de gravar o segundo disco com esse material que havia acumulado, e como no primeiro foi uma coisa bem solitária, tanto em termos de execução quanto de ideias e pensamento estético, para esse segundo trabalho eu queria fazer junto de mais pessoas. Desde o início eu pensei nessas pessoas que convidei e que para a minha felicidade aceitaram participar do projeto. A ideia era depositar nas composições a criatividade, energia e estilo individual de cada um (que são bem diferentes), para resultar em uma sonoridade única onde também estivessem todos esses aspectos presentes de uma forma natural. Cada músico gravou com muita liberdade criativa em cima das estruturas das composições em tempo-espaços diferentes, com o meu “home studio” sendo itinerante para a casa de cada um. Ao ouvir agora tudo finalizado, tenho a certeza de que todos foram a escolha mais do que acertada para esse disco, e sou muito grato à todos do fundo do coração.
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– O que tu costumas ouvir? houve alguns artistas específicos que tu achas que tenham te influenciado nesse segundo trabalho? 
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Eu realmente costumo ouvir de tudo, algumas coisas acabam me interessando mais, outras menos, mas sempre busquei conhecer coisas novas. Na adolescência já me instigava conhecer gêneros e estilos diversos, passando por coisas bem tradicionais até coisas mais “estranhas” e o experimental ao extremo. Durante o período da faculdade a bagagem aumentou também tendo acesso à outras formas de se pensar a composição em si, além do repertório que conheci por lá. Hoje eu sigo buscando ouvir coisas novas que me instiguem, e acho que tem aparecido bastante coisa ultimamente. Acho que seria injusto citar algum artista ou outro em específico como uma influência, pois toda essa bagagem que vamos acumulando e digerindo ao longo do tempo, além de todas as vivências cotidianas, acaba por te influenciar de alguma forma. Já como uma referência, mais para o processo de gravação e estéticas ‘lo-fi’ dá pra citar essas abordagens no trabalho solo do John Frusciante e também do Boogarins mais recentemente, para também citar um nome da cena independente nacional.

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