Yung Lixo – músico pelotense acumula mais de 4.7 milhões visualizações no Youtube

Conheça Polaroid, a música que já conta com mais de 614 mil visualizações no Youtube e saiba mais sobre seu autor, o gaúcho Yung Lixo.

Foto: Arquivo Pessoal
Foto: Arquivo Pessoal

Victor Schiavon, pelotense, 23 anos, começou no youtube em 2008 e viu seus acessos crescerem no começo de 2016 com o canal “gemaplys”. Victor faz músicas desde 2009, inicialmente de forma amadora e experimental, que foram melhorando com o tempo. Em 2017 conseguiu alguns produtores pra ajudar na qualidade e na sequencia lançou seu primeiro álbum oficial, tendo mais um em produção neste ano de 2018, pra sair ainda esse ano se tudo correr bem.

Yung Lixo
Victor define o estilo do Yung Lixo como rap em geral, tendo músicas do gênero trap, mas também músicas mais voltadas para lo-fi e outros estilos de rap. Polaroid foi a primeira música mais voltada para lo-fi e “sad” que o músico lançou, antes disso a grande maioria eram traps com foco em comédia. A letra de Polaroid, seu maior sucesso até o momento é mais séria e voltada a um lado sentimental.

Mesmo sem possuir uma ligação direta com o cenário musical pelotense, embora conheça alguns rappers da cidade por nome, Victor credita o pontapé inicial do Yung Lixo aos fãs do gemaplys, porém isso se deu em um momento muito inicial do canal, a partir disso os fãs se tornaram mais divididos. “Já fui parado na rua por uma pessoa que me conhecia apenas como Yung Lixo” revela o músico.

Victor acumula mais de 443 mil inscritos no canal GemaPlys, voltado para o mundo dos games e mais de 91 mil inscritos no seu canal musical Yung Lixo.

Aproveitamos a oportunidade para fazer uma rápida entrevista:

ecult: Desenhista, humorista, hacker, gamer, músico… São muitos os atributos que podemos encontrar na internet quando o assunto é Victor Schiavon. O que pode ser levado a sério e o que foi apenas uma fase?

Victor: Creio que eu comecei tudo como um passatempo, tudo que eu já fiz não passou de um teste de por pra frente coisas que eu gostava muito e me interessava em aprender. Não gosto de me rotular muito porque começo a me sentir meio prepotente, mas acredito que atualmente eu diria que estou melhorando em fazer vídeos e músicas, infelizmente a carreira de desenhista ficou pra trás um pouco, hoje em dia só desenho as miniaturas dos vídeos do meu canal.

ecult: Polaroid pode ser um “divisor de águas” na sua carreira?

Victor: Polaroid vai marcar a minha carreira musical por ter sido o primeiro pontapé em uma direção mais séria, que, incrivelmente, deu muito mais certo do que o esperado. Acreditei que os fãs das músicas cômicas ficariam chateados com a mudança repentina, mas a música foi muito bem vinda!

ecult:  O que podemos esperar do próximo disco de Yung Lixo?

Victor: Espero que coisas boas! Não fazemos nem ideia ainda de datas de lançamento nem nada parecido, estamos experimentando MUITO e isso leva um tempo. Não vai ser um álbum normal. Algumas músicas serão pesadas, puxando para um estilo voltado ao trap, enquanto outras serão no estilo lo-fi. Tem muita coisa misturada, nem sabemos ainda se vai funcionar ou ter uma estrutura aparente pra tanta coisa que estamos inventando. Vai ser rap e estamos dando nosso melhor pra que seja um álbum muito superior ao último. Isso eu posso garantir.

ecult: Não podemos esquecer o GemaPlys, quais os planos para o futuro do canal?

Victor: Putz… Essa é difícil… Pretendo manter o canal vivo por muito tempo ainda, se eu conseguir essa façanha. Trazer as coisas que eu gosto e que o pessoal gosta de ver e nunca deixar isso se transformar em um trabalho de escritório que me traga algo além de felicidade. Por enquanto tudo está incrível e acho que vai se manter assim por um bom tempo. Espero que sim.

Visite:
Yung Lixo e Gemaplys

Fenadoce e o encanto da arte de Madu Lopes por Lucian Brum

Segunda participação do artista na feira retrata o doce do processo artesanal à industrialização.

Foto: Lucian Brum
Foto: Lucian Brum

A uma semana da abertura da 26º Fenadoce encontrei o Madu Lopes na Cidade do Doce. Num fim de tarde em que poucos operários transitavam no centro de eventos, as réplicas dos casarões históricos davam ares de um cenário de velho oeste hollywoodiano. Sentado num banco de praça, com o calcanhar apoiado no joelho, vestindo preto dos sapatos ao boné, o artista contou sobre sua experiência com a feira e a tradição doceira.

“Um processo de transmutação de energia mágico”, declara o artista – sobre a força em que a mão feminina desenvolveu a cultura doceira. Contrastando a um momento tão difícil para cidade que foi a quebra do comércio do charque. As doceiras estabeleceram o açúcar em contraposição ao caldo de sangue e dor que proporcionou o sal.

Manoel Eduardo ou, Madu. É natural de Dom Pedrito. Inicialmente, encarou a arte como necessidade: “Eu era uma criança muito quieta, a arte era meio que um refúgio para mim”. Influenciado por seu pai apicultor, o artista começou a fazer escultura usando cera de abelha para modelar. Sua formação vem do processo experimental: “Meu ensino é uma questão de contato com o material e descobertas minhas”, explica. Com 40 anos de idade, morando a 27 em Pelotas, para contar a história do doce Madu pós em igualdade todas as mãos que mexeram caldeiras e criaram a pompa confeiteira pelotense.

É o segundo ano em que irá expor na Fenadoce. Em 2017, no tema Doce – A Nossa Grande História, Madu realçou a importância das culturas africana, portuguesa, francesa, alemã e italiana, que caracterizaram a tradição doceira. Esse ano com o tema Nosso Mundo Mais Doce, o artista vai trazer um olhar para o espaço que envolve sociabilidade: “Quando você vai a uma confeitaria você está com seu espírito em pausa de questões turbulentas. É um lugar de convivência onde as pessoas estão com seus sentidos aflorados em um momento conjunto. Para crianças é muito lúdico. Tento criar com minhas obras um pouco desse estar junto, dessa transformação”, explicou o artista.

Texto: Lucian Brum
Matéria completa em: plataformapalpite

Entrevista: Luciano Mello dá detalhes de sua colaboração em novo álbum da Elza Soares

Não é exagero nenhum afirmar que o novo disco da Elza Soares está entre os discos mais aguardados de 2018. O sucessor do premiado A Mulher do Fim do Mundo tem lançamento previsto para maio, pela gravadora Deckdisc, e foi batizado de Deus é Mulher.

lucianoO compositor e músico pelotense Luciano Mello está entre os colaboradores deste novo trabalho e contou ao e-Cult um pouco dessa experiência.

Embora já tivesse uma carreira consolidada, com dezenas de discos lançados, o álbum de 2015 representou um grande marco na carreira de Elza. A Mulher do Fim do Mundo foi o primeiro álbum de músicas inéditas da carreira da cantora. Ela fez questão de escolher músicas que enfatizam temas muito presentes na sua vida, como violência doméstica, negritude, vida urbana, entre outros.

Unanimidade entre os críticos, o disco de Elza foi eleito o melhor álbum de 2015 em diversas listas como da revista Rolling Stone e dos sites TMDQA e Na Mira do Groove. Em 2016 foi coroado com o Grammy Latino na categoria de melhor álbum de MPB.

O aguardado novo disco contará com as principais peças do time que trabalhou no anterior, incluindo a produção musical de Guilherme Kastrup e a direção artística de Romulo Fróes. No último dia 24, o jornal O Globo apresentou a letra de uma das músicas que estará presente no novo disco (veja aqui). E eis aí uma surpresa para nós pelotenses e quem acompanha o trabalho do Luciano Mello. A faixa Dentro de Cada Um, parceria dele com Pedro Loureiro, está entre as 11 escolhidas para o disco. A seguir, Luciano detalha o processo de sua participação neste trabalho.

– Desde quando tu conheces o Pedro Loureiro e como que é o processo de criação de vocês?

Eu e o Pedro nos conhecemos desde 2016. O Pedro teve uma carreira artística como cantor e, além de ser um talentosíssimo produtor executivo, é um excelente compositor, ainda que, muito tímido pro meu gosto, pois é difícil fazer com que ele mostre algo.
Dentro de Cada Um foi encomendada pela Elza. Ela pediu ao Pedro uma música com um tema muito específico, ela queria falar do empoderamento feminino, mas ela queria mais: ela entende o empoderamento feminino como uma revolução pessoal. Ela entende que cada um tem necessariamente uma mulher dentro de si e que qualquer repressão contra mulheres, gays, trans e oprimidos em geral só se extinguirá quando cada um deixar fluir a mulher que tem dentro de si. Falando assim, certamente uma grande cota de machistas imbecis (vale para homens e mulheres, sem distinção, machista tem em todo o canto) vão imaginar que estou falando que eles devem se tornar gays ou colocarem alguns desejos secretos em prática, mas a questão é mais profunda. Deixar a mulher que existe dentro de cada um fluir é, pra Elza, pra mim e pro Pedro também, uma forma absolutamente revolucionária de mudar as coisas que estão à volta. A maioria esmagadora da população mundial teve uma mãe ou uma presença feminina forte na sua criação e, a bem da verdade, há muito pouca diferença entre os sexos. Ao contrário do que se prega por aí, o que não é natural é ser tão macho ou tão fêmea. Isso vale pra os que gostam do papo do que é da natureza ou não.

Compor é uma tarefa íntima, não há exatidão no processo, o rigor e a exatidão estão no resultado. Mas o fato é que eu e o Pedro fizemos a letra por telefone. Conversávamos e eu anotava. Muitas coisas que ele dizia já saiam com métrica e, sem que ele percebesse, eu já estava anotando. Depois de uma hora de conversa eu disse para ele que a letra estava pronta e li, daí eu e ele fomos trocando palavras, adequando à uma métrica geral, procurando, por vezes, algumas rimas. Depois fui pro piano e na mesma madrugada eu tinha uma demo pronta e mandei pro Pedro.

– Como foi o processo de escolha da Elza?

Aí entra a parte difícil. O Pedro é estrategista de carreira da Elza Soares, por uma questão ética ele não poderia colocar uma composição própria na seleção. Eu entrava de carona nessa questão de não poder participar como compositor, por ser muito amigo dele. Mas a gente imaginava que havia uma probabilidade muito grande da Elza querer a canção. Ela ainda não tinha ouvido, mas tínhamos escrito o que ela havia pedido. O jeito foi participar da triagem, como todos os demais participaram. Pelo que sei, mais de 3.000 músicas, foi mais ou menos como quando ganhei o Itaú Cultural em 2001. O Pedro, como bom estrategista que é, teve uma ideia duchampiana: inscreveu a música como se fosse de um compositor chamado Lírio Rosa e torceu pra que ninguém conhecesse a minha voz. O Guilherme Kastrup, produtor musical da Elza, fez a triagem inicial, reduzindo as mais de 3.000 canções iniciais para 30. A partir de então, o Kastrup constituiu um núcleo de cinco jurados: Ele (Guikherme Kastrup), a Elza Soares, o Rômulo Fróes, o Juliano Almeida e, pra piorar de vez nossa situação, o próprio Pedro Loureiro. Havia chegado o grande dia, porém, nossa música não estava entre as 30 finalistas. Mas, o milagre aconteceu: a Elza após ouvir as 30 disse que ficaria apenas com 9 e que faltavam pelo menos duas. Partiram então para mais uma rodada de 30 músicas. Pelo que sei, Dentro de Cada Um, que até então se chamava “A mulher de dentro de cada um”, foi a terceira a ser reproduzida nessa segunda rodada. No meio da música a Elza decretou: “Eu quero essa música!” O Pedro se retirou discretamente, pediu que votassem sem ele, me ligou e contou o que tava acontecendo. Tremi na base! Era a Elza, intérprete absolutamente formativa na minha cultura musical, uma das minhas cantoras prediletas desde que eu me entendo por gente. Quando o Pedro voltou à sala a confusão tava armada, a Elza queria a música a todo custo, porém, ninguém sabia quem era Lírio Rosa, não havia endereço, não havia nada, alguns telefonemas já haviam sido dados e nada. Então o Pedro anuncia: Gente, eu conheço o Lírio Rosa, sou eu! Eu e o Luciano Mello. Explicações dadas, logo em seguida o Pedro me ligou perguntando se eu me incomodava de trocarmos o nome para “Dentro de cada um”, era um pedido da Elza. Só então, o Pedro contou pra ela que era a canção que ela tinha encomendado, porém, que tínhamos optado pela seleção. Pouco tempo depois, dois meses ou menos, eu recebi a foto da Elza gravando com a letra na estante de partituras.

Nota: o álbum incluirá ainda músicas de Tulipa Ruiz, Romulo Fróes e Alice Coutinho, Douglas Germano, Pedro Luís, Mariá Portugal, Caio Pedro.

– Tu costumas trabalhar com parcerias em tuas composições?

Meu processo de composição é, na maioria das vezes, solitário. Tenho, inclusive dificuldades de compor em parceria. Até mesmo minhas parcerias anteriores foram feitas de forma solitária, não existe pra mim essa coisa de “Vamos fazer uma música!” e a música acontecer. Com o Pedro, no entanto, é diferente, existe uma fluência muito intensa. Já compusemos mais outras duas músicas, também a pedidos. Encontramos uma maneira de compor por encomenda e isso é ótimo, é uma parceria que, como disse, flui. Essa fluência vem desde a vez em que trabalhamos juntos na estratégia da carreira de um artista que produzi e que iríamos lançar juntos. Também montamos uma equipe coordenada por mim, pelo Pedro, pelo Patrick Tedesco e pelo Bira Massaut com a Projetar do Rio de Janeiro e a CKCO de Pelotas para trabalhamos na pesquisa das gravações da Elza Soares, fizemos o levantamento desde sua primeira gravação e isso sempre gerava muitas e longas conversas com o Pedro.

E criações entre amigos que são compositores acontecem, na maioria das vezes, naturalmente. Já houve caso em que o Vitor Ramil encontrou uma letra que eu tinha acabado de fazer em cima do meu piano e começou a musicar imediatamente. A música No Floor foi pro meu CD Universo Barato, com eu cantando e o Vitor tocando piano e percussão no piano. Teve um outro caso em que o Vitor botou letra numa música instrumental minha, Fórmica Blue (Valsa tola), gravada pela Adriana Maciel. O Arthur de Faria já me mandou músicas pra eu colocar a letra, nunca devolvi, porém, já mandei letras pra ele musicar, em geral ele devolve, fizemos uma música chamada O Olho de Deus, que vai estar no seu novo álbum. Compus algumas músicas com o Fabio Medina, pra mim um dos melhores cantores, excelente arranjador e produtor, um dos artistas mais completos e geniais das safras mais novas no Brasil. Com ele, fiz por encomenda, Sick Of Love. Ele me entregou a letra e disse: me tira da minha zona de conforto, e eu tirei. Depois, ele pediu que eu solucionasse um refrão de uma música que ele tinha composto, reescrevi a melodia do refrão, totalmente baseado na ideia dele que, generosamente, me atribuiu a parceria em Until We Get There, do álbum Keep It Down. Não há critérios para as parcerias se estabelecerem. Essas coisas vão acontecendo, às vezes, muito naturalmente, outras, por encomenda.

– Qual tua relação com a música e obra da Elza Soares?

É uma ligação ancestral. Meu avô era fã da Elza Soares, minha mãe também. Sempre ouvia falar, mas ouvir com atenção mesmo foi quando o Caetano chamou ela pra gravar a música Língua. Eu pirei com aquela voz. Eu sabia quem ela era, adorava a figura, mas ela me destruiu no dia que eu a vi cantando, em 1986, a música Tiro de Misericórdia do João Bosco e do Aldir Blank no programa Chico & Caetano. Nunca mais parei de ouvir. Quando saiu A Mulher do Fim do Mundo, eu entendi claramente que a história estava se encarregando de colocar a Elza Soares no seu devido e justíssimo lugar. O Lugar reconhecido de uma das maiores e mais contemporâneas cantoras do Brasil. Fico imaginando como vai ser agora nesse álbum Deus é Mulher, em que ela tem por parte da mídia e do público o devido reconhecimento. A Elza não é apenas uma cantora, é uma força revolucionária.

– O Histórias em Torno da Queda foi teu último álbum, correto? Atualmente, tens trabalhando em um novo disco ou quais são os projetos para o futuro?

Depois da quedaO Histórias em Torno da Queda é meu terceiro álbum solo. Esse negócio de último é pra artista que já morreu e todas as suas obras póstumas já foram lançadas (risos). Brincadeiras à parte, meu primeiro CD lançado foi como compositor, produtor e arranjador de um projeto chamado “ZURBe”, ao lado de Miguel Feldens, isso foi lá por 1996, saiu CD, vendeu e foi considerada por alguma revista importante do momento como o primeiro lançamento de industrial music no Brasil, na época o Miranda se interessou, mas a ZURBe não era nem o que eu queria fazer, nem o que o Miguel queria, não colocamos o álbum nem nas plataformas de streaming, mas admito que era uma produção bastante sofisticada pra época. Depois veio, ou melhor, não veio o Canções com restos de acordes que seria o meu primeiro álbum e sairia em 1997, porém se perdeu entre negociações com gravadoras e a quebradeira geral que a pirataria já estava começando a causar, mas a gente nem percebia. Só lancei outro álbum, dessa vez exatamente como eu queria, em 2007, Universo Barato, com participações do Vitor Ramil, Nelson Coelho de Castro, Nico Nicolaiewsky, Pezão (do Papas da Língua), mais uma galera alto nível, graças ao Fumproarte-Porto Alegre, que naquela época existia em Porto Alegre, essas coisas maravilhosas que tinham antes das pessoas saírem pras janelas dos seus apartamentos de luxo batendo panelas e fazerem cultos a patos amarelos em frente à FIESP. Entre o Universo Barato e o Histórias em torno da queda, fiz muitas trilhas para teatro, como o Senhor Kolpert e No que você está pensando, ambas dirigidas por Tainah Dadda, a mesma diretora cênica do meu atual show, Depois da queda, e lancei um EP chamado TrêsCaetanos com leituras minhas para três canções do Caetano Veloso. Agora, ainda no primeiro semestre, pretendo lançar o álbum Depois da Queda, que vai ser meu primeiro álbum ao vivo. O Depois da Queda é um show que eu adoro, com vídeos montados pelo artista multimídia Patrick Tedesco, que são manipulados e editados durante as canções. É uma série de aparatos eletrônicos novos e antigos, tudo no palco e eu no meio desses brinquedos. É um show político. Já que uma parcela grande da população quer andar pra trás, é nossa obrigação como artistas, voltar à canção de protesto e tentar empurrar pra frente. É por aí.

Obs: o CD Depois da Queda foi recentemente aprovado no edital do Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Procultura).
Acompanhe Luciano Mello em: https://www.facebook.com/lucianomellomusic

Entrevista com a poeta Larissa Leão por Charlie Rayné

De como encontrei a poesia de Larissa Leão e descobri que Poesia e Medicina podem caminhar juntas.

Por Charlie Rayné

A poesia foi ao meu encontro. Eu sempre fui buscador de poesia, mas desta vez foi ela que me puxou para si. Estava num dia bem cinzento, caminhando pelo Campus I da UCpel e encontrei uma mostra impressionante. E posso dizer: valeu a pena!

Foto Divulgação
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Sim, este é o título da exposição de poesias de Larissa Leão com mostra até dia 1 de dezembro de 2017, na Galeria de Arte da UCPel.
Valeu a pena porque as palavras dela iluminaram aquela tarde bem “blasé”. Valeu a pena porque a “pena” desta estudante de medicina pode ser comparada a um preciso bisturi. Texto maduro, repleto de emoções e maravilhosamente carregado daquela coisa chamada “verdade humana.”

Imediatamente busquei contato da artista e marcamos uma entrevista. E uma semana depois foi possível.
Larissa, futura médica é uma cirurgiã de palavras. Desde pequena criava e ouvia histórias e era inventiva. Este “ouvir” talvez seja a principal base que sustenta sua arte. Imediatamente perguntei à jovem de 23 anos como é a construção de seu trabalho, os instrumentos que operaram um milagre na minha tarde:
“Eu uso a realidade, minha rotina, o que eu vivo, o que eu vejo, o que eu sinto. Então é inevitável: eu uso histórias das pessoas que cruzam comigo – pacientes, família, amigos. E na verdade eu gosto disso. Cada pessoa é uma obra de arte. Eu só tenho o trabalho de pôr no papel.”

Foto Divulgação
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Seria impossível eu não perguntar a ela qual seria a relação entre medicina e poesia. Afinal, a medicina é uma ciência tão concreta, um tanto fria às vezes…já a poesia, aquele emaranhado de fugas, “viagens” e descompromissos. Ela faz um sorriso contido. Ela é contida na medicina e libertina nas palavras?
Ela me diz que a poesia é um remédio contra os males e que não tem contraindicações. Ela me diz que Medicina e poesia podem ser aliados para a melhoria da saúde das pessoas.
“Uma vez ouvi de um amigo que, como escritora, eu já curava muita gente. Eu acho que é exatamente isso que eu quero fazer.”

Saio convencido de que esta mistura, nas mãos de Larissa será salutar. Saio contente em saber que a Medicina também poderá contar com a Arte desta poeta.

– Na sua opinião, o mundo contemporâneo está doente mais de alma ou de corpo?
“De alma. E isso reflete no corpo também. A correria, a competição, o egoísmo, o ego e a intolerância adoecem. É mais fácil pensar num remédio para dor no peito do que descobrir o que é que está causando esse aperto. Geralmente, uma boa conversa e um abraço bem dado poderiam ser mais eficientes do que qualquer droga”

Silêncio. Deixo neste instante a entrevista. Me despeço de Larissa e faço o convite para visitarem a exposição.
A poesia me curou.

Foto Divulgação
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Ágorat – Nasce mais um novo espaço para celebrar a Arte em Pelotas

O Ágorat Centro Cultural inaugura oficialmente neste sábado e domingo, 11 e 12 de novembro de 2017, com entrada franca.

Confira a entrevista com André Loureiro, idealizador do espaço e artista transformador, e confira a programação dos dois dias de eventos.

Por Charlie Rayné

André de Borba Loureiro - Foto: Charlie Rayné
André de Borba Loureiro – Foto: Charlie Rayné

Uma casa antiga, na Rua Uruguai 1345, esconde mais um presente para a cidade. Quem me recebe é um homem de feições simpáticas e muita expressividade no rosto. É André de Borba Loureiro, o dono da casa, o dono de uma história que vai começar.

Estamos no “Ágorat”, casa que vai abrir suas portas no dia 11 de novembro para nos oferecer muita arte e reflexão. André me convida para entrar num espaço que já respira cultura: quadros diversos, palco, cortinas, tapete vermelho, camarim esmerado, sala de espera aconchegante e uma rica fonte num pequeno jardim interno.

Pelotense, filho de uma atriz de teatro e radionovelas da gaúcha e da rádio farroupilha e de um cantor amador de tangos e boleros, André não podia cair longe do pé. Aos 18 anos começou a fazer teatro, trabalhando como autor e diretor e desde então espalhou sua arte em várias cidades, já que o padrasto, militar, proporcionou de certa forma uma vida de cidade em cidade:

Foto: Charlie Rayné
Foto: Charlie Rayné

“Passei boa parte da infância e da adolescência transitando pelo Brasil. Santos, Belo Horizonte, Petrópolis, Maringá…Venho de uma família meio aciganada, isso contribuiu muito para a minha formação’’

Com recursos próprios, mesmo com dificuldades financeiras, André se desmancha em elogios ao espaço, pensado nos mínimos detalhes para discutir, fomentar e privilegiar a Arte:

“Essa ideia de ter um espaço que disseminasse arte e fosse também uma incubadora de criação sempre me perseguiu…Nestes tempos “bicudos”, um espaço para as artes é um ato de resistência”

Foto: Charlie Rayné
Foto: Charlie Rayné

O nome, segundo ele, veio da referência grega, Ágora- uma praça da pólis, onde qualquer cidadão pudesse expressar o que quisesse: um território livre. Pergunto o porquê de o espaço não seguir o nome original grego. Nosso artista, com ar místico me diz que o “t” foi acrescentado para oportunizar bons fluídos, segundo a numerologia. E os bons fluídos podem ser sentidos. Durante a entrevista, escutamos sons do pessoal do teatro fazendo oficina, uma das atividades que a casa já oferece e que já está em pleno vapor.

Pergunto para André sobre o lançamento, que será um Sarau. Peço que me antecipe a programação. Ele me mostra uma extensa programação para o dia, que inclui Cinema, teatro, dança, música e artes plásticas e intervenções artísticas diversas.

Foto: Charlie Rayné
Foto: Charlie Rayné

A aula de teatro acaba. Já vejo alunos circulando num espaço que certamente já se tornou uma referência. Para finalizar a entrevista, que poderia render um livro inteiro, despeço-me questionando Loureiro sobre “A cara” do novo espaço e o que o público poderá esperar… Ele, satisfeito, arremata:

“O importante é que está casa tenha olhos para ver, ouvidos para ouvir, boca para falar e cérebro para coordenar, criar e sensibilizar”

Confiram a programação do lançamento de Ágorat:
(Entrada Franca)

Sábado – 11 de novembro de 2017

CINEMA
16h – Apresentação do filme SHORT BUS, de John Cameron Mitchell.

TEATRO (A partir das 20h)
TEATRO A CORTINA DE CONTAS, de Ricardo Monti – direção de André Loureiro, com André Loureiro e Eliana Guilherme
A BERGAMOTEIRA, de Caio Fernando Abreu – direção de Conrado Wesley, com Conrado Wesley e Lara de Bittencourt
POZZO E LUCKY, adaptação de cena de ESPERANDO GODOT, de Samuel Beckett – direção de André Loureiro, com André Loureiro e Ilo Moliveira

DANÇA
ZIMRA Studio de Dança – apresentação dos bailarinos Mariana Rockemback e David Fevii

MÚSICA
Mayara Araújo, flautista
Coral Linguagem de Emoções, de Cláudia Braunstein
Serginho Ferret, MPB e música autoral

EXPOSIÇÕES
Telas e gravuras – coleção particular de André Loureiro
Patrick Tedesco – escultura em gelo
Ledy – fotografias

E mais as presenças de Ro Eponto executando tatuagens artesanais, Kessler Volpicceli grafitando e as mestres de cerimônia Thaís e Mel Velasquez.

Domingo – 12 de novembro de 2017

10h – Teatro Infantil
D. Edvilda e suas histórias fantásticas, atuação e direção de Lara Bittencourt

CINEMA
16h – Apresentação do filme LGBTS “DIZER E NÃO PEDIR SEGREDO”, de Evaldo Morcazel

TEATRO (A partir das 20h)
– A CORTINA DE CONTAS, de Ricardo Monti – direção de André Loureiro, com André Loureiro e Eliana Guilherme
– Apresentação de performance de Tatiane Duarte

MÚSICA
Celino Leite, voz e violão
Tiago Ribas e Sônia Cava, violino e piano digital

Lançamento da revista “Obscena – Observe a Cena Underground”!

Com lançamento no dia 11 de novembro (sábado) em Carazinho, a revista “Obscena – Observe a Cena Underground” reúne quase 100 artistas independentes, de 20 cidades gaúchas e das mais diferentes áreas.

Underground significa, literalmente, subterrâneo. É usado para denominar a cultura que não está nas grandes mídias e nem sob os holofotes, subsistindo na marginalidade e de forma totalmente independente. Logo, é comum que a maioria das pessoas desconheça a arte underground que acontece bem ao seu lado. Porque estes artistas não estão na TV, nas rádios e nos jornais, não participam dos eventos oficiais, não recebem prêmios, medalhas e condecorações. Mas seguem existindo, atuando, movimentando uma cena na qual estamos todos inseridos, direta ou indiretamente.

Capa da Frente - ObscenaObservar esta cena é o objetivo da revista Obscena – Observe a Cena Underground, uma publicação da Editora Os Dez Melhores, de Carazinho/RS, com projeto gráfico de Sergio Chaves, da Charlotte Estúdio. A revista busca não somente trazer à luz estes muitos artistas subterrâneos, mas também levantar um debate sério sobre a importância desta arte, que pulsa e vibra longe do centro e da superfície, mas perto de cada um.

A revista reúne quase 100 artistas, todos independentes, de 20 cidades da região e das mais diferentes áreas: ilustração, fotografia, culinária, literatura, maquiagem, música, tatuagem, moda, artesanato. Além disso, a 1ª edição da Obscena traz também 6 reportagens, 10 entrevistas e 17 artigos sobre a arte e a cultura underground, ilustrados com desenhos e fotografias de artistas locais. A Obscena convida a conhecer e reconhecer a arte que está ao alcance de nossas mãos, mas também a refletir e debater sobre o nosso papel nesta cena.

Jana Lauxen, escritora e editora do projeto, afirma que a ideia é registrar uma janela de tempo na história da arte independente de nossa cidade e região, para que a revista possa servir como um retrato cultural local de um determinado período:
– É uma forma de armazenar uma parte da nossa própria história. Imagine como seria massa ter em mãos hoje uma revista publicada nos anos 60 com artistas e projetos culturais locais? Bem, nossos bisnetos terão em mãos uma destas revistas – diz.

Junto ao lançamento acontecem também exposições e feira de arte com alguns dos muitos artistas que participam desta 1ª edição, e shows com a banda Rastilho, o projeto Formato Mínimo e o rapper Josué Quadros. A sonorização é por conta do DJ Christiano Naza.

Lançamento da revista “Obscena – Observe a Cena Underground”!
Quando? sábado – 11 de novembro de 2017
Hora? das 16h às 20h
Onde? Sindicato dos Bancários – Rua Venâncio Aires, 338, centro – Carazinho/RS
Evento no Facebook: www.fb.com/events/121558745203119/
A entrada é franca e a arte é daqui.
Com tiragem limitada, a revista estará disponível para venda durante o lançamento por apenas R$19,90. Então vem junto observar a nossa cena underground!
Capa Inteira - Obscena

Ian Ramil: tem cheiro de espírito trash samba

Recentemente Ian Ramil deu entrevista para o site da Billboard da Argentina, confira…

O músico de Porto Alegre, filho de Vitor Ramil, continua colhendo reconhecimentos pelo seu inclassificável segundo álbum, que chamou a atenção ao ganhar um Grammy Latino em 2016.

Foto: Rodrigo Marroni
Foto: Rodrigo Marroni | Texto Original: billboard.com.ar

A vida de Ian Ramil foi experimental enquanto vivia em Porto Alegre (Brasil). A mãe professora universitária e o pai musicista – o reconhecido Vitor Ramil, criador do “A estética do frio” -, seu vínculo com a arte foram inevitáveis. Passou seus anos universitários transitando entre o jornalismo e o teatro (chegou a dirigir duas peças), até se jogar na música. “Quando subi ao palco vi que toda essa liberdade se impregnava em mim, pensei que era isso o que eu queria”, explica.

O caminho até a gravação do teu primeiro disco parece eterno por tudo o que vinhas acumulando, Como resolveste esse background?
Eu tinha muita música. Imagina que eu toco desde que tinha nove anos. Quando comecei, queria fazer a experiência de Hamburgo, como The Beatles. Tocar todo o tempo e ver o que acontecia com isso. Todas as semanas fazia shows com a banda e sozinho. Foram uns dois anos assim. Durante o processo, experimentei muito com as minhas canções. Isso me deu a pauta do que tinha que gravar em IAN (2014). A partir da experiência, nasceu o conceito.

Por que dizes que te encontras entre João Gilberto e Nirvana?
Procurei pensar nos opostos das minhas influências. É difícil refleti-las quando te perguntam sobre elas. Gosto de um trabalho que tenha uma força bem forte e de repente mude e se converta em algo muito suave, e ao mesmo tempo depois se transforme em outra coisa.

Desde quando escutas João Gilberto?
Desde criança. Muito da minha formação tem a ver com a influência dos meus pais. Isso É evidente. Toda a minha vida escutei muita música boa, é como uma formação radiofônica constante, isso sempre me pareceu um privilegio.

Como foi o processo de gravação de Derivacivilização? É o segundo disco estranho e inclassificável…
O gravamos na casa dos meus pais enquanto eles estavam viajando. Fui com a minha banda para lá. Estava tudo pensado: quais seriam as canções, a ordem, e não as mostrei para ninguém essas composições até chegar e começarmos a gravar. Ensaiamos um pouco e nos jogamos. Me interessava muito o primeiro contato dos músicos com as canções, ver que trash- acontecia. Confiei muito neles e em nossa conexão.

A crítica especializada da Argentina diz que é um disco de trash samba, o que achas?
Está bom, eu acho. Tem muita improvisação. Sua essência é espontânea. Teve sessões com toda a banda, mas também ramil- gravamos separadamente e depois juntamos os resultados. O primeiro contato com essa música ficou no disco, é isso. Cheira- Mas depois seguimos mudando constantemente essa música ao vivo. Nunca é igual, nunca será igual a espírito trash – samba.

O que foi que disse teu pai com toda essa pré-produção algo experimental?
Tinha medo das histórias que lhe contava para fazer este disco. Desde a parte técnica (não era um estúdio profissional, nem soava bem) inclusive as canções, que os músicos não conheciam. Me dizia que tinha muito ruído de fora, que escutava os cachorros dos vizinhos. Eu pensava que isso era muito melhor do que esperava. Sem ir muito longe, é um disco que tem muito som ambiente. Quando estava em viagem gravava até com o meu telefone. Sons de igreja, conversas alheias, buzinas, depois fui armando como uma costura como se colocasse a cidade dentro do disco.

Finalmente, o álbum ganhou um Grammy Latino como melhor Álbum de Rock em Português, que significou para ti?
Isso foi muito louco por várias questões. Um disco gravado em casa, que é muito barulhento, infreqüente com algumas temáticas, com críticas sociais, me parece o oposto ao que a indústria espera da música. É uma coisa rara, me custava crer. Já a indicação me parecia algo surreal. Fizemos o que acreditávamos no que pensávamos, e, porém, a indústria nos premiou. Por esse lado, o prêmio vale muito mais, não abandonamos as nossas liberdades, as nossas certezas. Isso é importante: não estávamos fazendo música para que toque na rádio.

Confira a matéria completa: billboard.com.ar

Tradução:
Horacio Severi, Tradutor e Professor
horacioseveri@yahoo.com.br

Vitor Ramil faz shows de lançamento do novo disco “Campos Neutrais”

Vitor Ramil lança “Campos Neutrais”, álbum e songbook, dias 20, 21 e 22 de outubro no Theatro São Pedro em Porto Alegre.

Foto: Ana Ruth Miranda
Foto: Ana Ruth Miranda

Gravado em Porto Alegre, o trabalho mistura sotaques e idiomas em quinze canções inéditas de Vitor, que incluem parcerias com Chico César, Angélica Freitas, António Botto, Joãozinho Gomes e Zeca Baleiro, além de versões para músicas de Bob Dylan e Xöel Lopez. No palco com Vitor Ramil estarão os sofisticados metais do Quinteto Porto Alegre (arranjos de Vagner Cunha) e a percussão vibrante do argentino Santiago Vazquez. O songbook contém transcrições do repertório do disco, textos e fotos. Apoios: Confeitaria Barcelona e Propaganda Futebol Clube. Realização: Ramil e Uma Produções e Cida Cultural.

Ingressos já à venda na bilheteria no teatro ou pelo site vendas.teatrosaopedro.com.br/ (via internet os ingressos são limitados a 120 unidades).

Lançamento do disco e songbook “Campos Neutrais”
Onde? Theatro São Pedro
Quando? 20, 21 e 22 de outubro (sexta, sábado e domingo)
Horário? Sexta e sábado às 21h; domingo às 18h
Ingressos: Galeria (R$ 60,00), Camarote lateral (R$ 90,00), Camarote central (R$110,00) e Plateia e cadeira extra (R$120,00).
Descontos: 50% para associados da AATSP (ingressos limitados); 50% para estudantes, jovens de baixa renda e pessoas com deficiência (40% da lotação); 50% para idosos.

Fonte: Otto Herok Netto
Jornalista – DRT 15924

David Jeske – uma doce maneira de administrar a vida

Empresário lançará a nova coleção de postais da Pelotas Turística, um projeto que visa incentivar o turismo valorizando a história, cultura e tradição da Princesa do sul.

por : Isabelle Domingues

David Jeske - Foto: Arquivo Pessoal
David Jeske – Foto: Arquivo Pessoal

Doceiro, empresário, fotógrafo, astro de rock nas horas vagas… David Jeske é criativo, versátil e, sobretudo, um grande sonhador. Alguém que acredita no lado bom de todas as coisas. Seu positivismo é refletido tanto no modo de pensar como também de agir e estabelecer relações com o outro. Atitudes para Augusto Cury nenhum botar defeito.

A mais nova aposta do jovem empreendedor? Uma coleção de postais que homenageiam a cidade de Pelotas, valorizando o passado, mas também construindo uma nova história. E foi justamente para falar sobre esse projeto, que o e-cult esteve reunido com David Jeske, num bate papo gostoso e descontraído, em meio aos amigos do empresário, onde assuntos como política, logistica, arte e patrimônio também estiveram presentes na roda.

Olhando para o futuro - Foto Arquivo Pessoal
Olhando para o futuro – Foto Arquivo Pessoal

Olhando Para o Futuro
Estava eu a saborear um delicioso cafézinho e aquele quindim dos deuses, nas dependências da Imperatriz Doces Finos, localizada no Mercado Central – parada obrigatória no meu fim de tarde – quando fui surpreendida por Sergio Silveira, proprietário da d’Camaleão. Estava sendo convidada a juntar-me à mesa com David Jeske e seus amigos.
O nosso encontro já estava marcado. O assunto da vez? Pelotas Turística, uma coleção de postais que o empresário lançará esse mês. Mas estar com David Jeske é dividir bons momentos e um bate papo fervoroso e engajado, contando sempre com a participação de tantos amigos for possível. É uma de suas características reunir, agregar, compartilhar, aprender com o outro. “Todo mundo é diferente. Não tem certo ou errado. Tem a troca. Eu posso te somar em alguma coisa e vc a mim”, diz ele.
Há três anos gerenciando o negócio da família, a Imperatriz Doces Finos, Jeske divide seu tempo entre a empresa e as iniciativas ligadas à cultura e turismo na cidade de Pelotas. O empresário, que abastece a página do Mercado Público na internet, também é um dos responsáveis pelo Expresso Quindim, ônibus Chevrolet Brasil, fabricado em 1961, na sugestiva cor de um dos doces mais tradicionais de Pelotas, que leva os visitantes a um gostoso passeio pelo centro histórico da cidade.

Jeske ainda une forças com a arte local, dentre elas, o grupo Tholl. Para ele, valorizar a história, cultura e tradição locais é uma das principais ferramentas para desenvolver a cidade. Em função disso, parcerias são sempre bem vindas.

“Turismo tu não fazes sozinho. Turismo é integração. O Quindim é a justamente isso, veio para complementar essa união. É cultura, respeito, integração, uma nova história para Pelotas. O site gera um canhão de informação cultural, divulgação dos shows, divulgação econômica. É uma ferramenta de comunicação com o pelotense. Esse projeto não foi para divulgar só o Mercado e sim, a cidade como um todo. Hoje temos mais de vinte mil curtidas, pessoas compartilhando e comentando a página. Ela foi feita para mostrar que o pelotense têm coisas boas, que ele pode trabalhar em conjunto e crescer”, comenta Jeske, sobre a página do Mercado Público e o Expresso Quindim, iniciativas do empresário para fomentar o desenvolvimento econômico e o turismo no município.

David e os amigos Eduardo Radox, Sergio Silveira e Leonardo Avila. Foto: David Jeske
David e os amigos Eduardo Radox, Sergio Silveira e Thiago Vieira. Foto: David Jeske

Transformando Vidas
“Quanto mais tu cresces, mais importante é o teu papel na cidade, na comunidade. Um papel importante em vidas, pois tu podes mudar a realidade cultural e histórica de uma cidade”. David Jeske

Em sua missão como empreendedor, David fala da importância de estar sempre se renovando, além de não abrir mão de certos princípios. Para ele, o mais importante, mesmo antes do lucro propriamente dito, vem o criar valor, palavra bastante presente seu discurso. “Hoje o mundo cresce num movimento frenético, mas esquece a sustentabilidade. Não só ambiental, mas de seres humanos, de valores. É preciso crescer com propósito, com uma missão. A missão de construir valores. Quanto mais tu cresces, mais importante é o teu papel na cidade, na comunidade. Um papel importante em vidas, pois tu podes mudar a realidade cultural e histórica de uma cidade”, considera.

“Toda mudança gera algo bom e ruim. Ser imortal é tu morreres e teu serviço continuar. Isso é ter sucesso”. David Jeske

Arquivo Expresso Quindim
Foto: Café Viagem

Quando pergunto ao empresário qual seria o melhor caminho para o sucesso, Jeske aponta alguns ingredientes de sua receita, embora acredite não existir uma fórmula concreta para alcançá-lo. “O sucesso é algo intangível. Não existe um modelo de sucesso, não existe um modelo de se sentir bem. Isso vem de dentro. É transformar uma comunidade, ver funcionários e sua empresa desenvolvendo, ver a cidade mudando. É vc ser imortal, imortalizar a sua história. As vezes tu vês pessoas que criaram serviços de muita importância no mundo. Toda mudança gera algo bom e ruim. Ser imortal é tu morreres e teu serviço continuar. Isso é ter sucesso”, afirma Jeske.

Um certo brilho no olhar, repleto de orgulho e satisfação, tomam conta do jovem empresário, quando o assunto é elogiar o bom trabalho de seus funcionários. “Eu tenho um papel além do meu negócio. Empreender é transformar, conversar, valorizar. É cuidar e, ao mesmo tempo, ter dinheiro, porque sem dinheiro tu não fazes essas coisas. Ele é uma ferramenta, mas não é foco. A questão é o diálogo, o sonhar, a importância do que cada um faz. Todo mundo têm importância nessa terra, a gente tem que valorizar cada um em sua individualidade (…) A minha empresa só vai dar certo se eles estiverem dando certo. Eu não sou mais ou menos que eles, eu sou igual a eles. Vc emprega pessoas. Cada um está aqui por uma necessidade. Eles precisam experimentar e crescer profissionalmente ou pessoalmente, aprender a importância do que fazem”.

David e Mister Negrinho comemoram o sucesso do personagem - Foto Arquivo Pessoal
David e Mister Negrinho comemoram o sucesso do personagem – Foto Arquivo Pessoal

A Parceria Que Deu Certo
Foi então que uma longa viagem, diretamente do reino das delicias, trouxe Mister. Negrinho para Pelotas. O docinho que virou gente, após o encantado Beijo de Mulata, hj é só alegria em sua nova morada, o Mercado Público de Pelotas. Mágica, cultura e tradição misturam-se na criação desse doce e talentoso personagem vivido pelo ator e compositor Eduardo Amaro Radox.

Filho do Rei Alberto, cunhado do Bem Casado, mesmo com o Olho de Sogra sempre a espreita, um romance sem igual, daqueles que inspiram até mesmo Romeu e Julieta, mudou o rumo da história de Mister Negrinho. E tudo isso ainda contando com a proteção de Santa Clara. Alguém aí teria dúvidas de que este personagem seria o maior sucesso? Olha, eu nunca tive. David Jeske então, nem se fala. Aliás, fala, sim! E fala com vontade, com orgulho e admiração de seu amigo Radox, a quem apoiou desde o primeiro momento, na idealização de um personagem que já virou patrimônio da princesa do sul.

“Ele transforma uma história triste em algo bonito de ser lembrado. É uma forma de mostrar que o negro teve um papel muito importante na cidade de Pelotas”. David Jeske

Mais do que um personagem criativo e bem humorado, que habita o reino da fantasia e a imaginação de seu público, Mister Negrinho carrega consigo todo um simbolismo cultural. Trata-se de uma referência à história, homenagem ao negro e toda sua colaboração para com o desenvolvimento da cidade. É um resgate histórico, como afirma David Jeske. Aliás, quem melhor do que ele para falar da nova celebridade do Mercado Público de Pelotas, não é mesmo?!

“Ele transforma uma história triste em algo bonito de ser lembrado. É uma forma de mostrar que o negro teve um papel muito importante na cidade de Pelotas. Mostra que é possível se empoderar, ocupar um espaço dito elitizado. Mostra que a cidade é nossa. Ela não é de ninguém, ela é nossa! Ela é do rico, do pobre, do branco e do preto. Eu via o Eduardo sofrendo racismo, não se sentindo valorizado e pensei que nós deveríamos mudar isso. Criamos um personagem cultural, carismático, turístico mesmo. É uma ficção para mostrar que o negro pode, sim, produzir, buscar o seu espaço, trabalhando, mostrando o seu valor. Ele vem para provar que todo mundo pode, sim, ajudar a cidade a crescer com pequenas ações. Tem que empreender, criar valor. O Eduardo passa a ser um patrimônio de Pelotas, agora. Uma figura viva. Ele mostra a cidade como ela é, sem vergonha, com orgulho, tanto da tristeza quanto do que temos de positivo. Transforma toda aquela história que era pesada, de sofrimento, em orgulho. Traz a relação do negro na comunidade e na produção do couro. A relação do negro no sentido de ser negro mesmo, e sua importância para o desenvolvimento de Pelotas. Resgata toda essa história importante e traz a tona de novo”, comemora Jeske, sobre o personagem de seu amigo.

Fotografar é uma das grandes paixões de David - Foto Arquivo Pessoal
Fotografar é uma das grandes paixões de David – Foto Arquivo Pessoal

Um Click Na História
Primeira coleção, quatro fotografias de patrimônios diferentes de Pelotas, Turismo e empreendedorismo aliados em pró da beleza e tradição de nossa cidade. Pelotas Turística é um conjunto de postais que reverencia a história e cultura locais a partir do olhar poético e muito particular de David Jeske e também de um de seus parceiros de criação, o fotógrafo Gustavo Mansur.

As primeiras imagens que compõem o projeto, uma iniciativa privada sem fins lucrativos, estão sendo comercializadas desde o início de abril, na Imperatriz Doces Finos, na loja Doces Lembranças e também pelas mãos de Mister Negrinho. Retratam a fachada do prédio da Secretária de Cultura, a Colônia Z3, o Museu do Doce, ou Casarão 8, como também é conhecido, além de um belo recorte do Mercado Central. Cada ponto registrado nas fotografias exalta características importantes de Pelotas. Fazem referência à construção de sua identidade. Heranças como a gastronomia, arquitetura – influência na Belle Époque européia – a lagoa dos patos e o poderio econômico de uma cidade enriquecida através da produção do charque, são evidenciados nesta primeira coleção. A vendagem de mil postais, alcançada em apenas sete dias de lançamento, e o dinheiro arrecadado, permitiram a criação das próximas coleções.

João Simões Lopes Neto e Mister Negrinho estão entre os próximos temas da coleção Pelotas Turística. Foto: David Jeske
João Simões Lopes Neto e Mister Negrinho estão entre os próximos temas da coleção Pelotas Turística. Foto: David Jeske

Dentre as temáticas que ainda virão tem espaço também para um certo escritor, jornalista e dramaturgo pelotense, muito chegado em contos gauchescos e algumas lendas do sul. Um moço bastante promissor, diga-se de passagem. Comentam por aí que ele continua encantado pelos cabelos da china, gosta de contar “causos” de um certo Romualdo, sem que seja preciso nem mesmo esperar pelo mate do João Cardoso. É que ele se dá muito bem com as palavras e, no que diz respeito ao dicionário gaúcho, te dá uma aula e tanto. Talentoso o moço! Atende pela graça de João Simões Lopes Neto. Quer conhecê-lo um pouco mais? Pois então é só esperar pelas próximas coleções de postais da Pelotas Turística, que homenageia o escritor e também empresário, cuja obra possui valor inestimável à cultura gaúcha.

Quando idealizou o projeto, ao lado dos amigos Sergio Silveira, da d’Camaleão; Renata Magalhães da Nwp Crossmedia; Graça Argoud da loja Doces Lembranças e do fotógrafo Gustavo Mansur, Jeske descobriu que Simões Lopes foi um dos pioneiros na arte de postais em Pelotas. Brasiliana é uma homenagem ao escritor. “São os postais do Simões Lopes. Eu espero com esse trabalho reencontrar essa coleção e trazer isso, homenageando Simões, que foi uma personalidade em Pelotas. O sonho de Simões está vivo! Ele foi um grande fomentador do progresso em Pelotas, um grande empreendedor, um grande homem. Temos que trazer essa imagem de novo. O que ele fez não pode morrer. Trazer tudo que Pelotas foi, é e ainda pode ser. Cuidar do turista, cuidar do pelotense, cuidar do patrimônio”, refere-se David, sobre a nova coleção.

Sergio Silveira diz estar muito satisfeito com o resultado. “Foi uma surpresa. O David me deu a oportunidade, me cobrou. Achei que era difícil, que talvez não fosse a hora, mas ele disse pra eu acreditar. E deu super certo. Deu mais que certo. Em menos de uma semana acabamos com os postais”, comenta Silveira. “Criar valor para a cidade, ver a reação do público, isso não tem preço. O turismo ganha muito com isso”. Silveira destaca que os postais não trazem somente a imagem dos prédios históricos, mas também a história por trás do prédio, no verso do postal, enriquecendo ainda mais a coleção.

Para David o principal objetivo dos postais é revelar a beleza de Pelotas, despertando no pelotense a importância de cuidar do seu patrimônio, além de apresentar ao turista o que a cidade tem de melhor. “São imagens lindas do nosso amigo Mansur, que cedeu as fotos com gentileza, pois entende que é muito importante essa divulgação. Tem fotos minhas também. Eu faço essa brincadeira de fotógrafo que dá certo. A ideia é mostrar que Pelotas é linda. Mostrar o ângulo positivo de Pelotas. Eu espero que mude a cidade como um todo, que faça o pelotense entender que a cidade dele é linda, que ele pode cuidar e pode questionar porque o prédio está abandonado, mal cuidado ou porque a janela está quebrada e, em cima desse diálogo, construa o que Pelotas tem que ser, uma cidade bonita e preservada”, ressalta o empresário.

Dentre as produções da Pelotas Turística, Mister Negrinho também será tema de uma coleção de fotografias feitas especialmente para ele. Outras duas coleções que farão parte do projeto será uma assinada inteiramente por David e outra com imagens de captação de Drones, feitas pela Pelotas Aérea. O lançamento dos próximos postais será dia 25 de abril, no Mercado Público.

David Jeske e o Rock'n Roll, amizade antiga. Foto Arquivo Pessoal
David Jeske e o Rock’n Roll, amizade antiga. Foto Arquivo Pessoal

Vade Retrô disponibiliza discografia para download

Um EP, um álbum completo, uma fita cassete e um compacto em vinil. Depois de encerrar as atividades em 2013, a banda pelotense Vade Retrô – formada em 2010 por Diego Queijo, Ruan Libardoni e Matt Thofehrn – disponibilizou nesta semana praticamente toda sua produção musical para download livre.

vade retro pelotas discografiaJunto com o pacote, o grupo incluiu um apanhado de 13 faixas (“Sobras do Interior 2010/13”), com demos inéditas e outros devaneios descompromissados do período ativo de composições da banda.

Textos e comentários sobre cada um dos discos e canções permeiam o epitáfio digital, além de links para alguns vídeos do YouTube.

Sobre tudo isso, o vocalista e arquivista da Vade Retrô Diego Queijo responde:

eCult – O que aconteceu com a banda?

Diego Queijo – Chegamos a gravar as guias para um segundo disco completo, mas acabamos abandonando o projeto lá em 2013. Já estávamos com problemas de agenda e acabamos nos afastando. A Vade foi um grupo universitário que fez rock na época certa e acabou. Durou o que tinha que durar. Fizemos parte de um momento muito legal, com certa mobilização cultural em Pelotas. Muitas bandas estavam produzindo e rolando, como os Mascates, Canastra Suja, The Raves, Convés Imaginário, Farenait, Calavera, Divergência, Velha Armada e Freak Brothers. Ainda tinha o movimento da produtora Satolep Circus e outras menores como Lo-Bit, Sotaque Coletivo e Atelier Cultural. O pessoal do eCult, Radiocom e Diário Popular divulgavam os eventos. Toda a produção independente autoral também tinha espaço em casas como o João Gilberto, Fox Pub, Galpão, Santa Martha, Pop Rock Disco Pub, Wong Bar, e as noites começavam ou terminavam entre o Bar do Zé e o Papuera. Este era o cenário pelotense do rock do início dos anos ’10s.

eCult – Por que colocar essas músicas na internet agora?

DQ – É uma sessão do descarrego. É também uma forma de preservar – inclusive para nós mesmos – esse material. Acabamos ficando relapsos quanto a tudo isso. Só o nosso álbum ficou inteiramente disponível para download anteriormente. Nosso primeiro EP só tinha sido lançado no formato físico, em shows. A fita cassete então só foi distribuída uma vez em duas sessões de um filme em que participamos da trilha. O compacto em vinil tem três músicas mas só duas estavam digitalizadas. Toda essa produção criativa nossa foi feita basicamente em um período de dois anos, 2011 e 2012. É uma obra minúscula e menor no contexto do rock gaúcho, mas é também parte da história pessoal de cada um de nós e dos amigos que estiveram conosco na época. Além disso, na internet sempre alguém pode esbarrar e descobrir essas coisas.

eCult – É o fim da história?

DQ – Sim. Na verdade quando fui revisitar o material para jogar na net percebi o quanto fomos negligentes com nosso único álbum completo. Ele se proliferou na internet, mas nunca prensamos direito. Em 2021 completará 10 anos. Poderemos fazer uma edição comemorativa e distribuir gratuitamente. Talvez. Ou não. Na verdade ninguém parece interessado nisso, a não ser nossos amigos. Aliás, a banda nunca acabou formalmente. Poderemos fazer um show de despedida também para jogar a pá de cal nessa história e convidar vários amigos da época. Se até 2021 ainda estivermos vivos e com todos os membros (dedos, braços e pernas) intactos, essa é uma ideia. Até lá, vida que segue. “O passado é uma roupa velha que não serve mais”, já disse Belchior. Mas agora está aí para quem quiser fuçar.