Ganhadores – Dez (quase) Amores

ganhadoresDevido ao sucesso da Promoção “Dez (quase) Amores” e ao recebimento de alguns e-mails solicitando a divulgação do nome dos ganhadores, resolvemos acabar com a ansiedade dos participantes e divulgar os premiados.

A Pergunta foi – Qual o ano em que foi lançado o livro “Dez (Quase) Amores”?
Resposta Correta: 2000

Os ganhadores que vão prestigiar este espetáculo são:

– Franthiela da Cunha Franceschi
– Marta Rickes Agrello

e-Cult e Tchê Transporte levam os ganhadores ao Teatro

Cada ganhador ganhou dois ingressos e olha que barbada, a Tchê Transporte, empresa que apóia a divulgação da Cultura em Pelotas, disponibilizou o transporte dos premiados até o Teatro.

A equipe do E-Cult entrará em contato com os ganhadores, a todos um ótimos espetáculo e até a próxima promoção.

Deco Rodrigues
Cult Produções

“Causos do Romualdo” em Audiolivro!

romualdoUm dos contos do pelotense João Simões Lopes Neto – Causos do Romualdo – Vai virar audiolivro – obra foi gravada na íntegra. O Projeto “Literatura em Áudio – Deixa que Eu Te Conto”, estará disponibilizada no Instituto João Simões Lopes, na biblioteca da Ucpel , e, ontem, no dia 30 de novembro, chegou às mãos do seu público-alvo, os alunos da Escola Especial Louis Braille.

A iniciativa partiu dos alunos da disciplina Comunicação Comunitária e Cidadania, do curso de Comunicação Social da Universidade Católica de Pelotas, desafiados pela professora Cristina Porciúncula em desenvolver ações sociais que envolvessem a comunicação. “A iniciativa une o reconhecimento do papel social do comunicador e a valorização da cultura local”, ressalta Cristina.

Isis Araújo
Cult Produções

Curso de Produção Cultural no IAD Adiado

iad

O curso de produção cultural que seria ministrado dias 07 e 08 de Dezembro será remanejado para data a combinar com o IAD da Ufpel. Segundo caio Lopes, o motivo da transferência foi o acúmulo de atividades de final de ano do IAD.

O curso abordará sua experiência em elaboração de projetos, editais, turnês, valorização de projetos Culturais, entre muitos outros temas.

Haverá disponibilização de Material para os inscritos, e os interessados devem inscrever-se no colegiado do curso de cinema – sala 201 do IAD,  em data ainda a definir.

Informações: atendimento@caiolopes.com.br

Isis Araújo
Cult Produções

Som das Américas – no Sete ao Entardecer

1043e7eeacb13e81c5cbc720646b5412O Canto Coral será a tônica de hoje na edição do Projeto Sete ao Entardecer que acontece, a partir das 18h30, no Theatro Sete de Abril. Nesta edição, sobe ao palco o Coral da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) que apresentará o espetáculo denominado “Concerto Som das Américas”, que promete levar o público a uma viagem sonora através de ritmos latinos da América Central, passando pelas canções latino-americanas de protesto, a música popular brasileira e os “spirituals” afro-americanos, traçando uma trama sonora, rítmica e lingüística do continente americano.

O coral está sob a regência do professor Carlos Alberto Oliveira, tendo como preparador vocal o professor Jonas Klug da Silveira e acompanhamento ao piano de Éderson Duarte. Contará, também, com a participação dos alunos Salatiele Gomes, Marcus Dias e Yimi Walter, da Oficina de Regência.

O espetáculo acontece hoje, terça-feira (01/12), a partir das 18h30, no Theatro Sete de Abril.
A entrada é franca.

Fonte: pelotas

O Marinheiro Navega nos Sonhos.

fernandopessoa1Na penúltima edição deste ano do projeto Cena Literária, à tardinha do dia 25.11, tivemos a oportunidade de assistir a uma intrépida proposta cênica apresentada pelo Teatro Escola de Pelotas. Calcada num denso texto de Fernando Pessoa – aliás, parece ser um dos autores preferidos pelo TEP – a apresentação adaptou cenicamente trechos da obra O Marinheiro, escrita por ele em 1913, portanto, há 96 anos. Não se trata, contudo, de um conto de época, ao contrário, é atemporal, pois mostra um distanciamento da realidade. Distanciamento que as personagens vão procurar durante todo o tempo. Permite conhecer de onde vem a inspiração de Fernando Pessoa, que com 24 anos escreveu esta peça em dois dias. Mostra-nos a sua intuição, a sua visão daquilo que viria a ser a sua vida de artista, de tormento e de sofrimento. A ideia central da peça é fugir à realidade, que faz com que as personagens pareçam, de certa forma, fantasmas ou sonâmbulos.

O Marinheiro responde melhor aos preceitos do simbolismo, que vem a ser o modo pelo qual os desejos, conflitos e tendências inconscientes adquirem representação indireta e figurada, tanto no indivíduo como na cultura (na linguagem, nos mitos, costumes, etc.). A propósito, não é fácil falar de Pessoa sem que nos percamos. Também o minimalismo está presente em Pessoa. Tudo reduz ao essencial, subtrai todos os floreados. O Marinheiro, que o próprio autor classifica de texto de êxtase, é um “drama estático” de pouca movimentação, mas de profundas conjeturas. Nele, a oposição é entre a vida e o sonho. Existe a vida, porque esta vida equivale à morte.
Álvaro de Campos (um dos heterônimos de Pessoa) diz que temos duas vidas – a verdadeira, que sonhamos em criança, e a falsa, a prática. Morre-se, porque não se sonha bastante. Elas fogem da vida, como quem foge da morte. Viver esta vida ao rés-do-chão equivale a morrer. Por outro lado, elas querem esta vida. “Na vida aquece ser pequeno” – o que assistimos ao longo da peça é a hesitação entre querer fugir da vida e um ritual (toda a peça é um ritual, um ato mágico) em que, através do sonho, elas querem voltar ao Eu Primordial, ao Ser Lar. Ser Lar é Deus. Fernando Pessoa é completamente heterodoxo nas suas crenças – “creio ou quase creio”. Isto faz com que nunca tenha sido um fanático.

Na peça, a palavra-chave justamente é distanciamento. Realmente, a nós, espectadores, parecia que as três personagens estavam fora da nossa realidade. Afora o vestuário provocativo, cuja uniformidade branca, também notada no reduzido cenário, incluiu uma criativa dualidade contraditória entre o conservador, especialmente na face, lembrando freiras, e o sensual, que mostrava os ombros nus, e as velas, que davam uma idéia de luz e sombras, nada mais parecia haver de alegórico. O lugar é um quarto que poderia representar um castelo antigo. As personagens não se distinguiram, a não ser pela diferença física entre elas. Não houve conflito(s), elas se ajudavam, eram solidárias em fugir da vida, na ambígua subjetividade de seus sonhos, parecendo não estar no mundo dos vivos. Elas estavam quase em frente a quem imagina o quarto, há uma única janela, alta e estreita, dando para onde só se vê, entre dois montes longínquos, um pequeno espaço de mar. Do lado da janela velam três donzelas. A primeira está sentada em frente à janela, as outras duas estão sentadas uma de cada lado da janela. É noite e há como um resto vago de luar.

Para uma ideia da peça, eis alguns trechos:
450px-lisboa-pessoa-a_brasileira-1Primeira Veladora: – Ainda não deu hora nenhuma.
Segunda Veladora – Não se pode ouvir. Não há relógio aqui perto. Dentro em pouco deve ser dia.
Terceira Veladora – Não, o horizonte é negro.
Primeira – Não desejais, minha irmã, que nos entretenhamos contando o que fomos? É belo e é sempre falso…
Segunda – Não, não falemos nisso. De resto, fomos nós alguma cousa?
Primeira – Talvez. Eu não sei. Mas, ainda assim, sempre é belo falar do passado… As horas têm caído e nós temos guardado silêncio. Por mim, tenho estado a olhar para a chama daquela vela. Às vezes treme, outras torna-se mais amarela, outras vezes empalidece. Eu não sei por que é que isso se dá. Mas sabemos nós, minhas irmãs, por que se dá qualquer cousa?…
Numa dada altura da peça elas dizem “Tenho um medo disforme de que Deus tivesse proibido o meu sonho…” e falam do frio, esse frio que chega dessas tais regiões isoladas e, por isso, querem o conforto da vida. Este sonho das veladoras é muito complexo. Às vezes chegamos a ter a sensação que as veladoras são médiuns – “Que voz é essa com que falais?… É de outra… Vem de uma espécie de longe…”.

Analisando o espetáculo, a complexidade do texto exigiu o envolvimento e a capacidade interpretativa das três atrizes que, de fato, puderam expressar toda a dramaticidade proposta pelo autor. Sob a direção de Fabrício Gomes, que assinalou ao final o caráter de estudo da peça, e com o TEP pretende ganhar maior dimensão e profundidade, as atrizes Cássia Miranda, Eliz Eslabão e Sandra Viégas, demonstraram que o teatro de Pelotas continua a despertar estudo, interesse e participação, através de um efetivo desempenho. O TEP, mais uma vez está demonstrando a inequívoca participação no cenário teatral de Pelotas, ao lado de outros bons grupos que militam nesta área cultural. Está faltando, entretanto, maior valorização dos consumidores para o que está sendo produzido em nível local. Por isto, o convite para que prestigiemos os espetáculos promovidos, uma vez que merecem o nosso comparecimento e prestígio. Em 16 de dezembro, ocorrerá última edição do ano do Cena Literária. Não percamos. Somos contemplados com bons momentos de lazer cultural, e ainda mais com entrada franca. Aproveitemos, pois.

Vitor Azubel, integrante do CCETP
Fonte: www.ccetp.blogspot.com

Curso de capacitação para Cineastas e Produtores

cinema1O curso de capacitação O Empreendedor no Mercado Audiovisual Globalizado” encerrou ontem suas inscrições. Focado em produtores e cineastas que querem vender seus projetos e filmes no mercado internacional, o curso é promovido pelo Programa Cinema do Brasil, em parceria com o Ministério da Cultura.
Dividido em três ciclos, o curso irá aplicar diferentes estratégias e técnicas dentro do processo de produção, promoção e distribuição cinematográfica.
São oferecidas 80 vagas, e a taxa de inscrição é de R$ 60 para associados e R$ 120,00 para não associados.
Obtenha maiores informações e a programação completa no site do Programa Cinema Brasil.

Isis Araújo
Cult Produções

Promotor visita obras do Monumenta e se diz satisfeito

3c6624fd3666498e8acd07c8f0c8775eO promotor Paulo Charqueiro fez, na tarde de hoje (27), uma visita de cortesia às obras do Monumenta – Casarão 6, Grande Hotel e Mercado Público, acompanhado do secretário de Cultura, Mogar Xavier. Charqueiro revelou satisfação com o trabalho e a recuperação da história do município.

No Casarão 6, Xavier e o engenheiro responsável pelas obras, Vicente Souto, apresentou ao promotor todo o imóvel e como está sendo feita a reforma. Foi verificada a recuperação dos sete telhados – quatro concluídos, a proteção nos degraus, lareira e escariolas. O prédio possui ainda quatro senzalas que também serão restauradas. O Casarão, que terá suas obras concluídas até julho, receberá também uma plataforma de acesso, integrante de um planejamento de acessibilidade, importado do Canadá.

O Grande Hotel está sendo integralmente restaurado, inclusive o porão. Após a conclusão, ele terá 56 quartos – todos com banheiro, dois elevadores sociais e um de serviço. A previsão de conclusão desta etapa está prevista para agosto. Após será feita a etapa de acabamento, que ainda será licitada. Após a conclusão, o espaço será transformado em um hotel escola, com nível quatro estrelas.

Nas obras da parte interna do Mercado, Charqueiro verificou o andamento das obras e a recuperação das vigas de ferro que estavam escondidas por estruturas de alvenaria construídas irregularmente. O secretário mostrou a conclusão da contrapartida da Prefeitura, com a colocação das esquadrias no prédio, que terá 50 lojas internas e 50 externas. Xavier disse que todas as lojas seguirão um padrão e não serão permitidas obras de ampliação como foram feitas, que cobriram vigas, reduziram os corredores e colocaram toda a estrutura em risco com instalações elétricas irregulares. Além disso, afirmou que a administração municipal terá um controle rigoroso do prédio, e não permitirá que novamente os permissionários sejam administradores, idéia que foi apoiada por Charqueiro. A conclusão da obra está prevista para dezembro de 2010.

O Programa Monumenta, que financia as três obras, exige que os projetos que recebem seus recursos, a fundo perdido, tornem-se auto-sustentáveis. Com o Hotel Escola, que será criado no Grande Hotel, e parte do aluguel das lojas do Mercado, a exigência será cumprida. O secretário afirma que as obras são fiscalizadas permanentemente por meio de relatórios e fotos e que, por isso, as obras de Pelotas nunca tiveram qualquer problema. O recurso destinado aos projetos é a fundo perdido (não precisam ser pagas ao Governo Federal), porém precisam ser executadas no prazo sob penas de perdê-lo.

Charqueiro também quis visitar as bancas do Mercado Público que foram deslocadas para a travessa Conde de Piratini. Para o secretário, a visita do promotor é muito positiva, pois o Ministério Público é o fiscal da lei e, normalmente, vai onde há problemas e hoje veio fazer uma visita de cortesia para acompanhar três obras públicas em três prédios públicos. É uma satisfação apresentar os projetos em andamento, afirmou.

Charqueiro disse que esta é uma visita cortesia de acompanhamento da obra que deixou a sensação de que o município está cumprindo a sua obrigação ao preservar prédios de valor histórico e cultural, resgatando esses prédios para Pelotas. Ao final da visita disse que, aos olhos do Ministério Público, o trabalho está sendo feito de forma satisfatória, “graças ao trabalho do secretário, um problema a menos pra nós”, brincou. O promotor também visitou o Casarão 2, sede da Secult.

Conheceu as salas de exposição e as estátuas portuguesas restauradas.

Fonte: pelotas.com.br
Redator: Alessandra Meirelles MTB 10052
Fotógrafo: Rafael Amaral

O Livro Aberto e a Vida Recriada

“Os Brasileiros e o hábito da leitura” ou “A incompetência do Sistema Educacional”

Mais da metade dos brasileiros não leram um livro, não foram livrosa qualquer espetáculo de música, dança ou teatro, nem visitaram mostras e sequer assistiram a filmes no último ano, segundo dados divulgados pelo Ministério da Cultura em outubro, pelo Anuário de Estatísticas Culturais 2009. Falta de dinheiro? A justificativa dada por 57% dos entrevistados foi a “falta de hábito”.

O brasileiro não lê porque não o acostumaram a ler. O preço do CD é equivalente ao do livro e, no entanto, vendem-se CDs aos milhões! Não podemos esquecer também das bibliotecas onde um livro não custa nada, além dos “sebos” onde se pode adquirir raridades por preço irrisórios.
Na verdade, a grande maioria dos  brasileiros não lê porque na escola não o ensinaram a ler – no sentido mais profundo da palavra – ou seja, apreender o que está escrito, refletir, questionar, “viajar” com um texto.

Obrigar o aluno a ler um livro de literatura com a obrigatoriedade de responder a um questionário, fazer o aluno  decorar escolas literárias e todas as suas características sem nunca ler uma obra sequer de um dos autores que dela fizeram parte (e o que importa é saber as questões que vão cair no vestibular – e para quem tem acesso ao vestibular) é decretar uma sentença definitiva: – Você nunca será um leitor. Um pequeno assassinato que deveria ser severamente punido.

lerA indústria da educação  brasileira peca na formação humanística; a compreensão do mundo através de sua história não está em questão, a questão é “passar ou passar”. A leitura deveria ser passada para a criança e adolescentes como uma busca, uma ação lúdica e prazerosa.

Todos aqueles que já descobriram o prazer da leitura jamais abrirão mão dessa “descoberta”. É um vírus que, uma vez contraído, não tem mais cura. Só mesmo o portador desse vírus sabe avaliar a diferença entre a “viagem” da leitura e a cena dada pronta, como a daquela via TV. Assistir TV é cômodo e chega a ser hipnótico. Recebe o prato feito, não tem possibilidade de criar, de imaginar, próprio do ser humano – e que os meios de comunicação de massa encarregaram-se de destruir. Ninguém é o mesmo depois de ler um bom livro, ninguém sai ileso dessa empreitada. A literatura modifica, transforma, porque faz refletir e sonhar. A televisão, ao contrário, foi feita para não dar tempo de pensar;

Quem ainda duvidar, tente ainda hoje: troque uma hora da televisão pela leitura de algumas páginas da melhor literatura. O resultado será altamente compensador.
O livro aberto e a vida recriada.
[Jorge Luís Borges]

Isis Araújo
Cult Produções

Promoção e-Cult – Peça Dez (Quase) Amores

dez-quase-amores24-11Os dois leitores que primeiro responderem corretamente a pergunta: Qual o ano em que foi lançado o livro “Dez (quase) Amores? ganham dois ingressos para assistir ao espetáculo no Teatro Sete de Abril na próxima quinta-feira (03/11/09) às 21h.

Envie uma mail para participe@ecult.com.br contendo as seguintes informações: Resposta, Nome, Numero do RG e Fone.

Término da Promoção: terça-feira (02/12/09) às 23h.
Divulgação dos Ganhadores: quarta-feira (03/12) às 10h.

Participe agora e arrisque-se a assistir a esta irreverente peça teatral.
A peça “Dez(quase)Amores” é uma comédia baseada nodez-amores livro de Claudia Tajes, com direção e adaptação de Bob Bahlis.

Leia Também:
Peça Teatral “Dez (Quase) Amores”, de Cláudia Tajes, no Sete!

Beth/Clarice: maturidade em cena.

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Quem compareceu ao Theatro Sete de Abril na noite de 11 de novembro (quarta-feira), teve a oportunidade de assistir um espetáculo completo e de conhecer um pouco do universo de uma das escritoras brasileiras de maior reconhecimento na literatura nacional. No monólogo “Simplesmente eu – Clarice Lispector”, a atriz Beth Goulart, aos 48 anos, se mostra em plena forma física, capaz não só de executar bem tecnicamente um trabalho (dizem que em 1985 estudou com o renomado teatrólogo inglês Peter Brook), tanto em interpretação quanto em partitura corporal – os movimentos são precisos, limpos – como de construir tão ricamente a personagem que nos confere a sensação de realmente estarmos na presença da escritora de temperamento forte e personalidade irreverente. Poderia dizer-se que foi “A hora da estrela”, da estrela Beth, que também assinou a direção da montagem.

Clarice estava ali, sem dúvida, com seu jeito firme, atrevido, quase arrogante… A sabida vaidade refletida no requinte de suas roupas (figurino simples, prático, em tecidos leves, com delicado caimento), maquiagem, jóias, no seu jeito de andar, de segurar o cigarro, de sentar-se, de falar (ainda que à atriz lhe “escapasse” o erre carregado em alguns momentos. Totalmente perdoável)… O cenário simples – um semicírculo demarcado por uma cortina feita em tiras, um divã, uma cadeira, uma banqueta, tudo em “tons de branco”… Belo. Ainda que eu teria imaginado uma escolha em tons acinzentados, para acentuar as matizes “grises” da escritora, mas, aí, cada cenógrafo teria pensado algo diferente… -, poucos adereços em vermelho e a iluminação, executada com precisão, contribuíram para valorizar as cenas. Projeção de imagens que ocupavam toda a extensão do palco, um recurso que poderia ser atribuído ao distanciamento brechtiano, mas que neste caso parecia ser usado puramente pela beleza plástica, sem pretensões de “lembrar o espectador” que se trata de uma peça de teatro e, assim, instigá-lo a um posicionamento crítico.

No palco, vimos maturidade. A maturidade da atriz, demonstrando domínio do que fazia – Beth intercalava trechos em que interpretava ora a escritora, ora algumas de suas personagens – e inclusive se arriscou a cantar e dar alguns passos de dança… A maturidade da personagem, refletida em trechos autobiográficos extraídos de seus escritos e entrevistas à imprensa, que não tinha medo de dizer o que pensava nem de expor suas dúvidas existenciais – é preciso estar muito segura para admitir as próprias fraquezas e incertezas.
No final da peça, Clarice se foi e “veio” Beth, acessível, humilde, colocando-se a disposição da plateia para conversar. Fez um pequeno discurso sobre o sentido de fazer teatro, desta esperança – vã? – que nós artistas temos de conseguir, de algum modo, tocar o espectador, de fazê-lo repensar seus próprios valores, sua postura moral e ética… De fazê-lo sentir-se capaz de sair na inércia, do estado de anestesia total diante da podridão e da impunidade que o rodeiam, de agir, de mudar sua vida, de mudar o mundo que o oprime e o insatisfaz. Beth comoveu duplamente, com seu espetáculo e com seu discurso sincero, sensível.

Que bom que o público pelotense soube aproveitar mais um “presente” oferecido pelo Sesc, que possibilitou preços populares (R$ 10,00 a inteira) – cerca de 550 pessoas, uma vez que o teatro estava lotado e ainda havia pessoas sentadas nas laterais. Que bom que Beth não usou microfone – sinceramente, eu tinha minhas dúvidas, já que muitos atores globais estão fazendo cada vez mais “TV no teatro”, mas ela soube aproveitar a acústica do local e mostrou o potencial de sua voz, fazendo-se ouvir em cada canto do Sete de Abril. Que bom que Beth teve a oportunidade de “trocar energia” – como ela própria mencionou ao final – com uma plateia atenta e respeitadora, que se manteve em silêncio quase absoluto durante todo o espetáculo. Que bom que nós tivemos a oportunidade de conhecer um pouco mais de Clarice Lispector através de um trabalho bem executado. Como enfatizou a atriz e diretora, “foi um momento mágico, único, destes que somente o teatro pode proporcionar – só o viveu quem estava ali, porque, exatamente igual àquele momento, jamais acontecerá de novo”.

Joice Lima – atriz, jornalista, integrante do CCETP
Fonte: www.ccetp.blogspot.com