Entrevista com Ian Ramil – Tranquilo e Talentoso

Foto: Regina Protskof
Foto: Regina Protskof

Nessa última quarta-feira, 11 de maio, Pelotas teve a oportunidade de conferir o talento de Ian Ramil em sua primeira apresentação na cidade. Juntamente com a banda pelotense Vade Retrô ele embalou a noite do João Gilberto Bar. Ian recentemente apresentou o primeiro show individual em Porto Alegre, no Teatro de Câmara, e no Rio de Janeiro, no Centro Cultural Carioca, acompanhado dos músicos Felipe Zancanaro e Thiago Ramil. O gaúcho, nascido em uma família de músicos, se prepara para gravar seu primeiro disco e fala com o E-cult sobre música e projetos.

Ian, fala um pouco de ti. Como é o Ian quando não está no palco ou na TV?
Tranquilão. Estou sempre envolvido com o trabalho, seja ensaiando, compondo ou pensando. Pra mim não existe divisão entre trabalho e vida cotidiana. Tá tudo no mesmo saco.

Tu acha que terias tomado outros rumos se não tivesse crescido em um ambiente de músicos?
Talvez… Ao certo, nunca saberemos. Mas sei que esse ambiente tornou minha escolha e meu processo muito naturais.

Fala um pouco da tua relação com a arte e de quando surgiu em ti a vontade de atuar?
Atuei pela primeira vez em Pelotas, no Colégio Mário Quintana, em 1999 (se bem me lembro). Tive um ano de aula de teatro com a Grace Gianoukas, que hoje faz a Terça Insana, em São Paulo. Foi aí que me despertou o interesse pelo teatro. Anos depois, em 2005, entrei na UFRGS pra cursar o bacharelado que, anos depois, abandonei.

Como estão os preparativos para o lançamento do teu primeiro disco? Novos projetos em mente?
Ta em processo pré-embrionário. Gravei 6 músicas em janeiro, em Pelotas, com o Lauro Maia. Essas músicas podem ser uma pré pro disco ou virar um EP. Ainda estou matutando o que fazer com elas. O disco, por enquanto é só um plano pra esse ano.

Tens algum lugar favorito para compor?
Gosto de variar. Componho em qualquer lugar e gosto de como diferentes lugares influenciam na criação. A mudança de ambientes é sempre renovadora. As músicas que fiz em São Paulo, Rio, Rosário do Sul, Pelotas tem, involuntariamente, caras diferentes entre si e das que fiz na minha casa em Porto Alegre.
O que tu anda ouvindo no momento? As cinco mais tocadas na tua playlist favorita?
Tenho ouvido bastante o disco Acústico-Sucateiro da Apanhador Só, Sings do Chet Baker, Mind Games do John Lennon, Used Songs do Tom Waits e Voz e Violão do João Gilberto.

O que te agrada em Pelotas, algum lugar especial que tu goste de visitar?
Gosto de ir no Porto tomar uma ceva. E ficar na casa dos meus pais.

Uma letra que diga muito pra ti?
Da Maior Importância
Caetano Veloso

Foi um pequeno momento, um jeito
Uma coisa assim
Era um movimento que aí você não pôde mais
Gostar de mim direito
Teria sido na praia, medo
Vai ser um erro, uma palavra
A palavra errada
Nada, nada
Basta quase nada
E eu já quase não gosto
E já nem gosto do modo que de repente
Você foi olhada por nós
Porque eu sou tímido e teve um negócio
De você perguntar o meu signo quando não havia
Signo nenhum
Escorpião, sagitário, não sei que lá
Ficou um papo de otário, um papo
Ia sendo bom
É tão difícil, tão simples
Difícil, tão fácil
De repente ser uma coisa tão grande
Da maior importância
Deve haver uma transa qualquer
Pra você e pra mim
Entre nós
E você jogando fora, agora
Vá embora, vá!
Há de haver um jeito qualquer, uma hora!
Há sempre um homem
Para uma mulher
Há dez mulheres para cada um
Uma mulher é sempre uma mulher etc. e tal
E assim como existe disco voador
E o escuro do futuro
Pode haver o que está dependendo
De um pequeno momento puro de amor
Mas você não teve pique e agora
Não sou eu quem vai
Lhe dizer que fique
Você não teve pique
E agora não sou eu quem vai
Lhe dizer que fique
Mas você
Não teve pique
E agora
Não sou eu quem vai
Lhe dizer que fique

Sobre Deco Rodrigues 6557 Artigos
Jornaleiro/Produtor cultural, social mídia, gestor de conteúdo web, pretenso escritor, autor estreante com o romance Três contra Todos.

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