Freak Brotherz usa a música como sua arma em Guerra Declarada

Capa Guerra Declarada por Law Tissot

“Brasil, que seja eterno enquanto lucre!”, profere Danilo Ferreira nos primeiros segundos do novo álbum dos veteranos do rock pelotense. Com mais de 20 anos de estrada, a Freak Brotherz lança nas plataformas de streaming “Guerra Declarada”, seu terceiro disco e, segundo eles próprios, o mais politizado da carreira.

Formada no final do século passado pelos irmãos Danilo (vocal) e Solano Ferreira (baixo), a banda tem uma história ligada aos movimentos sociais, com participações em duas edições do Fórum Social Mundial. “Pelo direito de pensar, pelo direito de existir, pelo direito de lutar”, a Freak segue usando a arma que tem em mão: a música.

Este terceiro disco foi gravado e produzido pelo guitarrista Igo Santos e conta com 12 faixas, entre composições totalmente inéditas e músicas que já vinham sendo tocadas em shows. Além dos três já citados, Clóvis Motta (bateria) fecha o atual quarteto que está junto há mais de 10 anos.

Capa Guerra Declarada por Law Tissot

Em termos de sonoridade, a Freak Brotherz segue apresentando uma mistura de rock com funk, rap, hardcore e metal que já é sua marca registrada. O álbum conta ainda com as participações especiais do DJ Pedrinho e do percussionista Douglas “Doug” Ribeiro (Dona Dinnah).

O material gráfico do álbum ficou por conta do artista gráfico rio grandinho Law Tissot. “O universo CyberPunk que é o cenário das estórias do Law acabou fechando com toda essa distopia que acabamos vivendo em 2020, com a pandemia, negacionistas, fanáticos e toda essa regressão civilizatória”, explica Danilo.

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De invisível a declarada

Freak Brotherz em ação no Freak Festival (divulgação)

Em 2016, a Freak Brotherz lançou o disco chamado “Guerra Invisível”. O álbum já denunciava a falta de perspectivas para as classes menos abastadas e avanço do autoritarismo em faixas como “O que vai sobrar” e “É igual”. O novo trabalho chega com um teor ainda mais político, constatando que “a guerra invisível virou guerra declarada”.

“O nome do disco faz referência à ofensiva dos setores reacionários e servis ao grande capital contra nós, contra os debaixo, os setores populares. Se vivemos no início do século XXI uma tentativa de ‘pacto de classes’, de 2016 para cá estamos vivendo uma guerra declarada contra toda e qualquer forma de justiça social e civilidade”, declara o vocalista Danilo Ferreira, que também é professor de história.

A música que dá nome ao disco foi também o primeiro single, lançado em abril (saiba mais). A faixa, que fala dos “fantasmas do passado, nos assombram no presente”, ganhou um clipe produzido pela Mayhem Produções no começo deste mês. Além de cenas de cada integrante tocando, foram utilizadas cenas de noticiário, manchetes de jornais, prints de redes sociais do caótico 2020. O vídeo ganhou ares de “um manifesto audiovisual” do Brasil atual.

Freak Brotherz Fathers

Freak Brotherz em 1998 – Foto Hélio Stolz

A Freak Brotherz está na ativa desde 1998, ano em que participou do festival Skol Rock, tocando no mesmo palco que Raimundos, Helloween e Iron Maiden. Após duas demos, “Freak Songs” (2000) e “Tudo ao Contrário” (2005), lançaram o primeiro álbum “Dentro da Ideia”, em 2007. A banda se tornou, ao longo desses últimos anos, uma das mais bem sucedidas e longevas do rock pelotense.

O sucesso em manter uma longa carreira no rock independente, segundo Solano, passa pela parceria entre os músicos envolvidos e o “respeito da individualidade de cada um”. Os irmãos Ferreira estão no grupo desde o início. Em 2006, a Freak teve o acréscimo do guitarrista Rodrigo “Igo” Santos e, em 2008, a entrada do baterista Clóvis Motta, fechando o time que segue até hoje.

Atualmente, todos os quatro integrantes já são pais. “Isso também é uma coisa bem legal, a gurizada já está entrando na nossa onda também e isso é algo que fortalece essa parceria que a gente tem”, avalia Solano. Raul Ferreira, filho do Solano, inclusive participa nos vocais na faixa “Tô ficando cansado”.

Freak Brotherz formação atual em estúdio

As gravações do Guerra Declarada ocorreram entre 2019 e o começo desse ano, finalizadas em meio à chegada da pandemia. O fato de ter um integrante da banda na produção é apontado como um grande facilitador do processo. “Num contexto de pandemia, numa situação em que não foi possível nos reunirmos pra mixar o disco, isso fez toda diferença”, aponta Danilo.

Este ano de 2020 está sendo um dos maiores períodos sem shows e ensaios da história da Freak Brotherz. O trabalho de produção, as trocas de mensagens e de materiais que Igo Santos ia finalizando foram grandes aliados para que a banda se mantivesse conectada. O disco, por sua vez, chega como um presente de fim de ano aos fãs e admiradores.

O álbum “Guerra Declarada” foi financiado através do edital de Pró Cultura da Secretaria de Cultura de Pelotas. A exemplo dos dois anteriores, o novo disco já está disponível para streaming nas principais plataformas musicais como Spotify, Deezer, Apple Music.

Ouça “Guerra Declarada” em sua plataforma preferida: combine.fm.
Acompanhe Freak Brotherz: instagram.com/freakbrotherz.

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Sobre Cassio Lilge 180 Artigos
Jornalista, estudante de História, obcecado por música. Conhece menos atalhos em seu computador que a sua gata.

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