Histórias do Punk Rock Gaúcho serão relembradas nesta quinta no Galpão em Pelotas

Uma marcou época na Porto Alegre dos anos 80, outra na Pelotas dos anos 2000. Pupilas Dilatadas e a DDT juntam-se nesta quinta-feira (20) com Glory Holy e Marinas Found, para mais uma edição do Bokada Sessions em Pelotas.

O festival promovido pelo Estúdio Bokada será realizado desta vez no Galpão Satolep. A casa abre 21h e os shows começam pontualmente as 22h. Com mais de três décadas de estrada, a Pupilas Dilatadas de Porto Alegre retorna para a sua terceira passagem na cidade. Já os pelotenses da DDT voltam aos palcos após mais de 10 anos. Abaixo contamos um pouco das muitas histórias que estas duas lendárias bandas do punk rock gaúcho têm na bagagem.

A volta da DDT

A DDT começou sua trajetória no ano de 2003, nos corredores do curso de eletrônica do Cefet (atual IF-Sul). A formação da época é a mesma que retorna a ativa agora com: Luciano Ludovico “Gordo” (guitarra e backing), Roger Karnopp (baixo), Miral Neto (bateria), Élvis Gonzales (vocal). Eles consideram como primeiro show “de verdade” da banda o realizado no festival É Porrada! no antigo Cais do Porto. A apresentação anterior, segundo eles, “foi terrível”.

Naquela primeira década dos anos 2000, a DDT marcou seu nome no underground pelotense, lançando o CD demo Coiotes Loucos (2004), fazendo apresentações emblemáticas nos Festivais do Cefet, organizando o SOS Rock e até tendo uma breve aparição na MTV Brasil. Entre as casas de shows da época eles recordam de Sociedade Alternativa, Galpão do Rock, Katanga’s Bar e Alquimia. Entre as bandas parceiras citam MD4, Xispa, Freak Brotherz, Flanders 72 (de São Leopoldo) e Atrack (de Porto Alegre).

Em 2009, a banda resolveu encerrar as atividades já cada integrante estava envolvido em outros projetos pessoas (concluir faculdade, passar em concursos). Miral fez um intercâmbio fora do país, Ludovico foi morar na capital, e Élvis foi o único que seguiu na música. Ele é o cara à frente da Jukebox Orchestra.

No ano passado, com todos integrantes de volta a Pelotas e com a vida mais estabilizada, os quatro voltaram a ensaiar. O retorno da banda, no entanto, não tinha grandes pretensões. “Nos primeiros ensaios a gente mais dava risada do que tocava de fato”, comenta Élvis. Mas com o incentivo de Marcelo Rubira, proprietário do Estúdio Bokada, a DDT quer agora reviver um pouco dos seus tempos de glória.

Sobre o show desta quinta, Élvis declara: “a gente quer trazer um pouco daquela mesma energia que a gente tinha na nossa adolescência e na nossa época de festivais”. O repertório do show terá alguns clássicos do punk pelotense como “No Minder”, “Romón, o pobre mexicano”, “Minha cidade é uma farsa”. Essas músicas podem ser ouvidas agora pelo spotify da banda. O quarteto ainda deve apresentar, em primeira mão, algumas música inéditas.

Pupilas cruzando as fronteiras

Formada em Porto Alegre, no ano de 1984, a Pupilas Dilatadas se tornou uma referência no que diz respeito ao punk rock produzido no sul do país. A formação atual conta com Felipe Messa (guitarra e vocal), Rogério Bittencourt (bateria e vocal) e Veri D’Avila (baixo e vocal). Felipe Messa é quem está desde os primórdios da banda e recorda de algumas histórias.

Com participação em importantes coletâneas (Porto Alegre Rock, Ronda Alternativa, Contra Ataque e Paranóia Suicida) e o lançamento do compacto duplo “Experience” em 1987, a banda chamou a atenção de muitas pessoas. Entre elas, o icônico ex-vocalista da banda norte-americana Dead Kennedys, Jello Biafra, com quem mantiveram contato. “Nós enviávamos para ele todos os discos, de rock ou mpb, que saiam aqui no Brasil e ele nos mandava vários discos independentes lançados lá fora”, lembra Messa.

O compacto  Experience foi gravado no Estúdio da EGER, em Porto Alegre, e produzido por Carlos Eduardo Miranda. O saudoso produtor, que anos mais tarde seria jurado do programa Ídolos da SBT, também participou tocando percussão, facões (!) e furadeira. “O Miranda era um visionário. Ele aproveitou a espontaneidade das músicas do Pupilas para extravasar toda a sua criatividade”, declara Messa.

Sobre o clima da capital nos anos 1980 o guitarrista comenta “nesta época o rock gaúcho estava estourado na capital e interior. O punk rock tinha chegado com tudo em Porto Alegre. Tocávamos juntos com grandes bandas, como Os Replicantes, Justa Causa, Atraque e O.R.T.N., em grandes festivais”. Das casas de shows ele ainda cita o Bar Ocidente, B’52, Taj Mahal, Fim De Século e Terreira Da Tribo.

Nesta quinta, a Pupilas Dilatadas fará sua terceira passagem por Pelotas. O show faz parte de uma minitour que a banda está fazendo pelo sul do Estado e Uruguai, chamada “Cruzando As Fronteiras do Rock”. A passagem mais recente deles por aqui foi no começo do ano passado. Antes disso, a Pupilas se apresentou no Teatro Avenida, em 1986, em um show de divulgação da coletânea Porto Alegre Rock.

“Lembro que fomos entre quatro bandas, Pupilas Dilatadas, Astaroth, Sodoma e Bandaliera, num ônibus alugado, fazendo a maior festa, desde Porto Alegre até Pelotas. Fomos direto pro Teatro Avenida. Como não tinha hotel para as bandas, ficamos todos nos camarins até a hora do show. O teatro era antigo e tinha um aspecto misterioso. Teve gente que ouviu vozes e até viu vultos lá dentro”, conta Messa, que ainda lembra de shows muito bons e teatro lotado.

O show apresentado atualmente é intercalado com clássicas dos anos 80, músicas do último EP Sobrevivo Na Cidade (2018), do álbum Mundo Kaos (de 2014) e versões de bandas clássicas do punk rock. Ouça alguns sons da Pupilas no spotify da banda.

Pra completar a festa 

A Gory Hole faz um dos shows mais rápidos e enérgicos do rock pelotense apresentando versões de bandas como GBH, Circle Jerks e Mukeka di Rato. A formação tem Éder Silva na bateria, Anderson Fleischmann na guitarra (os dois já tocaram juntos nas bandas Calavera e Cuzco), Douglas “Tio” (ex-Suburban Stereotype) no vocal e Marcelo Rubira “Gordão” no baixo. Além de dono do Bokada, Rubira faz parte também da Aborto Podre, Badhoneys, Tronco, entre outras.Formada em 2014, com dois discos lançados, a Marinas Founds é uma das bandas pelotenses mais ativas na atualidade. O quarteto conta com Pedro Soler (vocal e guitarra), Eduardo Walerko (guitarra e vocal), Pietro Strickler (baixo) e Murilo Uarth (bateria). Já dividiram palco com bandas como Inimigo Eu, Sugar Kane, Water Rats, Surra, Day Oof. Confira entrevista feita com a Marinas neste começo de ano.

Bokada Sessions Pupilas Dilatadas + DDT + Gory Hole + Marinas Found
Quando: 20/02 – quinta-feira, 21h
Onde: Galpão, Rua José do Patrocínio, 8
Quanto: R$ 15,00 (no próprio evento)
Evento: https://www.facebook.com/events/194771768385339/

Sobre Cassio Lilge 187 Artigos
Jornalista, estudante de História, obcecado por música. Conhece menos atalhos em seu computador que a sua gata.

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