Mano Rick se reinventa durante pandemia e aposta no lançamento de singles

Foto: Zombie Johnson

“Chuva”, sua última música de trabalho, está disponível nas plataformas digitais. Meta do rapper é lançar um single por mês até dezembro.

No último réveillon, quando todos se despediam de 2019 e traçavam planos para o ano que acabava de começar, ninguém imaginava o desafio que a humanidade teria de enfrentar nos meses seguintes. Após um verão aparentemente como qualquer outro, com a grande aglomeração que é o carnaval de rua bombando país afora, março ficou marcado pelo avanço da pandemia do novo coronavírus da Ásia para a Europa, e a sua chegada ao nosso continental Brasil. Aqui no sul do sul, em Pelotas, vimos o fechamento de escolas, comércio e serviços antes da chegada de abril. O setor cultural e de eventos é, entre tantos outros, um dos mais afetados por essa nova realidade.

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Em casa e impossibilitado de realizar apresentações, o rapper Mano Rick viveu as primeiras semanas de isolamento social como um período de poucas perspectivas. “Meu corre era até então muito voltado pra rua, na questão de estar no rolê, conversar com as pessoas, apresentar meu trabalho, vender os meus produtos, minhas camisetas, fazer contatos para parcerias musicais ou eventos, e tudo isso ficou impossível, de uma hora pra outra”, conta.

Mesmo antes do coronavírus o rapper, que é morador do Dunas e tem envolvimento com a cultura Hip Hop desde a infância, já havia optado por interromper lançamentos de novas músicas, com o objetivo de repensar a sua arte. “Eu tirei um tempo, sem lançar música, para estudar, pesquisar, em busca de um retorno melhor para o meu trabalho”, explica.

No distanciamento, música que aproxima

Um dos objetivos de Rick para 2020 era o lançamento de um novo álbum, que precisou ser adiado. A alternativa adotada foi o lançamento de singles, com a meta de uma nova música por mês até dezembro. Segundo Rick, o principal benefício de lançar um álbum é a possibilidade fazer shows, de lançamento e apresentação das novas músicas, algo inviável durante a pandemia.

Foto: Zombie Johnson

Trabalhando ao lado dos músicos Luciano Matuck, Lucas Consentins e Gabriel Soares, Mano Rick iniciara as gravações para o álbum, antes da pandemia, presencialmente em estúdio. Depois de março as sessões de gravação passaram a ocorrer via videochamada, com foco nos singles, tais como “Chuva”, de setembro, e “Música Pela Arte”, primeiro lançamento da série, upado no dia 1º de agosto no Youtube.

“Passamos a conversar sobre o processo de criação das músicas em reuniões por videochamada, por conta da necessidade de isolamento social. Cada um gravou sua parte da música em casa, e depois enviamos tudo para o Luciano masterizar. Foi o modo de continuar produzindo durante a pandemia”, explica o músico.

Com “Chuva”, Mano Rick entrou para a playlist Boom Rap, criada pela curadoria musical do Spotify, com muito rap nacional e boom bap. O set, atualmente com quase 10 mil curtidas, alavancou o número de ouvintes do Mc.

“Estou focado mais no Spotify, que é uma plataforma específica para a música. Continuamos lançando o áudio também no Youtube, mas é no Spotify que conseguimos um retorno financeiro, para poder investir na própria produção das músicas”, conta.

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Novos meios de fazer a música chegar às pessoas

O rap consolidou sua história por meio da presença física nas ruas, pelas clássicas vendas de mixtapes independentes, batalhas de rima e festas em parques ao ar livre. No entanto, no nascer da década de 2020, com as redes sociais cada vez mais populares e a pandemia exigindo o isolamento, uma presença forte na internet, com estratégia e busca de engajamento, tornou-se o meio mais eficiente para o artista chamar atenção para o seu trabalho.

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Atento a esse novo contexto, Mano Rick aproveitou o tempo em casa para estudar o marketing nas redes sociais, os modos de divulgar e distribuir música independente na internet, além de continuar com a sua busca por uma sonoridade renovada. Nas suas instrumentais é perceptível a mistura de instrumentos orgânicos com samples (trechos de músicas que são extraídas para criar uma nova melodia) e batidas eletrônicas.

“Estou atrás de novos estilos, que ainda não havia explorado, e que devem surpreender quem já acompanha o meu som há um tempo”, disse.

Projetos para o pós-pandemia

O selo musical independente 4Passo, idealizado por Mano Rick em parceria com os músicos que trabalham nos seus atuais singles, mantém os projetos que sairiam em 2020 em standby, para serem retomados no momento de pós-pandemia.

O nome do selo, conta o músico, surgiu da lembrança do primeiro espaço em que ele montou o seu home estúdio, um pequeno quarto que dividia com seu irmão caçula. “Era tão pequeno que só conseguia da quatro passos dentro do quarto, com a cama beliche e as aparelhagens do estúdio tudo ali”. O fato de o compasso musical da música rap ser o quatro por quatro também contribuiu para a escolha do nome 4Passo.

A documentação da história do Hip Hop de Pelotas, a retomada do lançamento de um novo álbum de Rick, com direito a uma turnê pelas cidades da zona sul, e a parceria com músicos da cidade, que assinariam com o selo, estão entre as metas futuras do selo independente.

“Engraçado como são as coisas. Se não tivesse acontecido essa questão da pandemia, e toda as dificuldades que ela trouxe, eu estaria provavelmente trabalhando a minha música da mesma maneira. Não teria me aprofundado nessa questão da estratégia de lançamentos no meio digital, o que trouxe uma grande inovação para a minha carreira e meu relacionamento com a música”, reflete Rick.

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Ficha Técnica de “Chuva”, último lançamento de Mano Rick

Letra e Interpretação: Mano Rick
Beat: Luciano Matuck e Gabriel Soares
Sampler: Nick Beats
Baixo e teclado: Gabriel Soares
Teclado: Lucas Consentins
Colagens: DJ Luan 312
Efeitos e captação de voz: Luciano Matuck
Edição: Luciano Matuck e Mano Rick
Mixagem e masterização: Luciano Matuck
Estúdios: QG Amargem e Matuck Estúdio
Arte/capa: @amarelojanu

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Sobre Paulo Ienczak 4 Artigos
Jornalista. Apaixonado por cultura hip hop, música rap, skate. Muito jovem para ter cursado datilografia, velho demais para entender o Tik Tok.

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