Flor de obsessão encerra o Cena Literária em Pelotas

Na próxima quarta-feira (24), o Projeto Cena Literária, do Theatro Sete de Abril, encerra suas edições 2010, por meio da apresentação do esquete “Flor de Obsessão”, sob a responsabilidade da Cia de Teatro Personae. Para esta apresentação, que acontece no Bistrô da Secretaria de Cultura local, com entrada pela Lobo da Costa, a diretoria do Theatro Sete de Abril alerta a comunidade com relação ao horário da apresentação, que acontecerá às 20h30 e não às 18h30, como habitualmente acontecia. A entrada é franca.

2010-11-19flordeobsessaoA principal figura do espetáculo é representada por um ator que personifica o autor, proporcionando o encontro do criador com a criatura. Nelson Rodrigues está presente em todos os quadros escrevendo, imaginando e contracenando com seus personagens. O espectador encontra-se no centro da ação, é transportado para os anos dourados e seduzido pelo universo rodrigueano, fundindo-se ao espetáculo e tornando-se, ele mesmo, personagem.
A peça, que não utiliza cenário e nenhum objeto cênico e tem como seu único e principal foco o ator, já foi encenada em diversos espaços: teatro, boates, livrarias, bares e outros espaços não tradicionalmente destinados ao teatro. O espetáculo é construído na perspectiva da multiplicidade do sujeito, como se um indivíduo, colocado entre dois espelhos, um em face ao outro, se visse diante da diversidade de sua imagem, que por fim é ele próprio.

No texto, extraído das crônicas de “A Vida como ela é”, a ideia do duplo se concretiza em cena, os atores dividem a mesma personagem. Em cada intérprete está a dicotomia narrador/personagem, enfatizando o duplo.

Mantendo um ritmo dinâmico e uma linguagem contemporânea, onde todos os atores se desdobram nos mesmos personagens, desenvolve-se um trabalho diferenciado fragmentando frases que, muitas vezes, são ditas por vários atores em diferentes ritmos. O trabalho corporal fragmentado feito com partituras corporais impregnadas de signos religiosos, de tempo, de morte, de vida e traição; brinca com tabus de uma falsa moral social, onde se encontra toda a ironia do nosso grande trágico brasileiro – Nelson Rodrigues. A direção optou por encenar um texto originalmente não escrito para o teatro, de forma que sua adaptação proporcionasse uma brincadeira com o tempo, ainda assim sem perder o texto original, que é dito exatamente com foi escrito.

Fonte: pelotas.com.br

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