Grupo de dança pelotense Encanto Cigano vence concurso internacional

Vinculado à atividade de extensão mais antiga da Católica de Pelotas, o grupo ainda ganhou a medalha de dança destaque da noite.

O grupo Encanto Cigano do Centro de Extensão em Atenção à Terceira Idade da Universidade Católica de Pelotas (UCPel/Cetres) conquistou o 1º lugar na Feira Internacional de Danças, realizada nos dias 14 e 15 de dezembro, na cidade de Bagé.

A dança cigana é uma das 20 oficinas oferecidas pelo Cetres. Coordenado pela professora de dança Vânia Fadrique, o grupo conta com 15 integrantes, sendo que no concurso participaram 12. A preparação para o festival foi realizada durante todo o ano com ensaios semanais. Segundo a professora, a dedicação e o entusiasmo das participantes foram essenciais para a conquista.

A coreografia escolhida para o concurso contou com a participação especial do professor de dança Guilherme Fernandes, que representou um cigano. Segundo eles, o convívio durante os ensaios oportunizou mais do que uma parceria profissional, mas uma amizade. “Somos muito gratas ao Guilherme e a mãe dele, que nos acompanhou na viagem e ajudou na nossa preparação, arrumando cabelo, figurino e maquiagem”, destaca Vânia.

O comprometimento das integrantes do grupo resultou no 1º lugar na competição de dança cigana na categoria maturidade ativa. Mas para a surpresa de todas, estreantes em um festival internacional, elas ainda ganharam a medalha de dança destaque da noite, concorrendo com as outras 103 coreografias apresentadas no evento.

A aposentada Darli Maria Moreira, de 62 anos, lembrou dos momentos que antecederam a competição como algo especial. Segundo ela, poder contar umas com as outras fez com que a ansiedade antes de subir no palco fosse transformada em confiança. “Compartilhamos todos os momentos, nos ajudamos em tudo e saímos para a viagem com espírito de dar nosso melhor”, contou ela.

Darli procurou a oficina por motivos de saúde. Após enfrentar alguns problemas, ela resolveu que precisava fazer algo por si mesma e encontrou na dança a motivação para recomeçar. “Vim para a dança para continuar vivendo e, para mim, foi uma renovação de vida”, enfatiza. Hoje, além de participar do grupo Encanto Cigano, Darli coordena o grupo musical do Cetres.

Após a conquista, professora e alunas já estão planejando as próximas competições. O período de férias, até março de 2020, será de criação. Músicas e coreografias estarão no foco da professora. Já os figurinos, depois de idealizados, serão responsabilidade da costureira Dorothi Telechi, que também é integrante do grupo. “De acordo com a coreografia é a roupa que escolhemos para usar, mas já temos vários figurinos confeccionados pela Dorothi, que é uma excelente costureira”, explicou Vânia.

Das 15 participantes do Encanto Cigano, quatro estão desde a fundação do grupo, em 2012. As idades vão de 58 a 84 anos, o que não influencia na execução dos passos ou no comprometimento. “Essa premiação reflete o esforço e dedicação de todas, que deixaram de lado, muitas vezes, problemas de saúde, clima e dificuldades na família para estarem juntas ensaiando”, destacou, emocionada, a coordenadora do Cetres, Sulanita Arruda.

O Cetres

Fundado em 26 de setembro de 1990, o Cetres oferece a pessoas de 50 anos ou mais oficinas em diversas áreas. A proposta do projeto, que completará no próximo ano três décadas, é ofertar um espaço que contribua para um envelhecimento bem-sucedido, ocupando o tempo livre com atividades que incentivem a criatividade, novos aprendizados e experiências.

Vinte oficinas são oferecidas, sendo que cada idoso pode participar de no máximo três, permitindo, assim, que várias pessoas sejam beneficiadas com o trabalho. Pintura, bordado, canto, aula de línguas, danças de ritmos variados, estimulação cognitiva e fisioterapia preventiva são algumas das atividades promovidas.

De acordo com Sulanita, à frente do Centro há 13 anos, muitos idosos chegam ao local deprimidos e tomando muita medicação, visto que tanto a aposentadoria como a terceira idade podem ser momentos delicados. Mas a mudança é visível à medida que participam das atividades e convivem com outros idosos. “Todo grupo é terapêutico. Muitos não têm grande estudo, mas tem a faculdade da vida e esse conhecimento empírico é muito mais importante que alguns cursos de mestrado”, enfatiza ela.

A sede do Cetres fica localizada junto ao Instituto de Menores Dom Antônio Zattera, na Avenida Domingos de Almeida, 3150. Interessados em participar das oficinas devem procurar o local no dia 17 de fevereiro, a partir das 8h, portando documento de identidade e comprovante de endereço.

Redação: Manuelle Motta
Fonte: ucpel.tche.br

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