Janete Flores fala de samba, sonhos, razão e intelecto


“Peço licença pra cantar/um samba novo e bem antigo/nele cabe o que preciso/calor, carinho, compasso/gentileza e um abraço”. Eis o início de “Samba da Candura”, de Janete Flores, cantora, compositora e artista plástica, uma porto-alegrense radicada em Pelotas desde 1983, cujo CD Retina será lançado dia 8 de agosto nas paradas de ônibus da Rua Gal. Osório, em Pelotas, apoio Circuito Mambembe, com distribuição gratuita do álbum.

Simpática, fala mansa e inteligente, Janete é uma artista comprometida com seu tempo, fazendo da música e da tinta nanquim a razão de sua vida. Compositora criativa, como demonstra os versos “Pouco é muito pouco na espera/Longo é esse inverno que me gela/Quero o cheiro bom da primavera/entrando em mim”, Janete não se cansa de falar em samba, amor e amizade. A artista concedeu através de e-mail a seguinte entrevista ao Cultiveler.com.

Estás em Pelotas há 18 anos. Conte-nos a razão de vir morar na cidade. E o que encontraste na época e que está diferente hoje no universo musical?

Eu morava em Porto Alegre, onde estudava Engenharia Agrícola na ULBRA, e não sentia alegria fazendo o curso. Na época eu já sabia que a música, a arte, falavam mais alto em meu coração; era o meu ar. Decidi prestar o vestibular na UFPel, sendo aprovada. Vim e fiquei encantada com a cidade. Falar de Pelotas me arrepia! Aqui encontrei um mundo desconhecido e apaixonante. A arte está em toda parte, sendo possível encontrar todo tipo de pessoas e todas num mesmo ambiente, como no Café Aquário, por exemplo, primeiro lugar que conheci e onde ri sozinha ao perceber que o desembargador e o engraxate compartilhando do mesmo espaço. A música que encontrei em Pelotas é viva e ela está a cada ano mais madura. Hoje temos ainda mais acesso e novas possibilidades que me permitem continuar a fazer arte.

Como administras teu tempo para desenhar, compor e tocar violão? Ou tudo acontece mais ou menos ao mesmo tempo?

Tudo acontece ao mesmo tempo. Tem dias que o nanquim acorda primeiro. Em outros dias uma música pela licença. Tem sido assim o meu processo.

Estás comemorando 25 anos de carreira musical, compondo e cantando. Como conseguiste passar tanto tempo sem gravar? A espera deveu-se ao fato de não te achares suficientemente madura?

Tive durante algum tempo o desejo de gravar. Confesso que nunca me considerei uma cantora e compositora. Acreditava ser, mas essa consciência dependia de outros fatores, como por exemplo condições, além das emocionais e técnica, teria que ter também dinheiro. Em 2009 decidi que estava na hora de gravar. Depois de passar dez anos longe da noite de Pelotas, sem nunca ter parado de compor e pintar, mas longe do cenário cultural, senti uma vontade que foi maior que a timidez. Criei coragem e investi no sonho de gravar o CD. Passei um tempo decidindo o repertório. Dentre uma produção de aproximadamente 400 músicas, escolhi 16 e depois passei a convidar meus amigos músicos para participarem desse trabalho comigo. No inicio do projeto comecei com um produtor, mas logo tivemos problemas quanto à linha a ser seguida, o que atrasou o CD. Isso precisava ser resolvido para que o trabalho pudesse acontecer na forma como havia sonhado. Bem, superada essa crise, e dispensado o produtor, chamei amigos e busquei o estúdio do Zé Ricardo, que fez todos os arranjos com muito respeito e competência. O trabalho foi feito com muita alegria. Os músicos me brindaram com participações, pois não teria como pagar a eles pelo trabalho. Sou grata por isso eternamente. Alguns outros apoios vieram; apoios culturais em forma de serviços e apoios afetivos importantes também. E depois de 6 meses no estúdio o CD ficou prontinho. Voltando à pergunta se me acho madura… Acho que nunca estarei pronta… Estou me aprontando todos os dias.

Leia a matéria completa no cultiveler.com

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