Domingo tem roda de conversa e pocket show experimental de sopapo e rap na Bibliotheca em Pelotas

O organizador político-cultural Aleksander Aguilar coordena “Ritmo e Poesia no beat e no tambor pelotense”, às 18h, com entrada franca, dentro da programação do Coletivo Autores de Pelotas

“Uma célula rítmica própria. Uma métrica distintiva. Um instrumento pra chamar de seu. Uma cor estética local. Um discurso político daqui. Algumas identidades e liberdades nossas. O que é o nosso ritmo e a nossa poesia própria desse extremo sul brasileiro? Qual é o nosso beat? Que batida tocamos? Quem, onde e como as expressamos?”

As provocações são o ponto de partida da roda de conversa “Ritmo e Poesia no beat e no tambor pelotense”, que será coordenada pelo doutor em Política Social e Direitos Humanos, Aleksander Aguilar, neste domingo (10), quando o típico silêncio da Bibliotheca Pública Pelotense (BPP) abrirá espaço para uma proposta diferenciada, ao som de tambores.

O evento integra a programação que vem sendo desenvolvida pelo Coletivo Autores de Pelotas, paralela à programação oficial da 47ª Feira do Livro de Pelotas.

A geração de pontes e conexões estético-políticas a partir de trocas da cena/movimento hip hop no extremo sul brasileiro com seus saberes e tradições percussivas locais, tal como o tambor de sopapo, é um dos objetivos do processo de ‘articulações subalternas’, no conceito utilizado por Aguilar, que também é escritor e acadêmico, em suas pesquisas e produções literárias e universitárias.

Também é o tema do bate-papo deste domingo, que terá debates e experimentações ao lado do rapper e beatmaker Mano Rick, e do mestre griô e percussionista Dilermando Freitas.

“Esta será a primeira atividade que busca ser gatilho de um processo sistemático e constante de intercâmbios entre estes dois setores político-culturais da cidade para constituir um núcleo de troca de saberes etno-musicais tendo como eixo essas culturas de matriz afro da região, expressos através das cenas/movimentos hip hop e percussiva”, explica Aguilar.

Ele diz que uma ampla e ativa cena/movimento de tambores e percussões justifica e provoca a necessidade dos seus contatos e possíveis interações com o também extenso universo do rap em particular e do hip hop em geral do extremo sul, tendo presente a matriz afro que articula seus atores individualmente e enquanto coletivos de ação e produção cultural e política.

Foto: Coletivo Catarse/O Grande Tambor/divulgação

Sopapo
O sopapo é um gênero de tambor de grandes dimensões existente no extremo sul brasileiro, particularmente nas cidades de Pelotas e Rio Grande, e também na capital do Estado, em Porto Alegre, que tem sonoridade e história nos universos do carnaval e da música popular nessa região do Brasil.

É um instrumento marcado pela reconstrução material-simbólica diaspórica iniciada pelos escravos e escravas que trabalharam no ciclo econômico do charque, no século XIX, nesses territórios e foi amplamente usado a partir de 1950 nas suas escolas de samba, perdendo presença a partir dos anos 1980.

Hip Hop
Já o hip-hop, assim como outras manifestações culturais, está em constante reinvenção, adentra intersemioses multimídia, promovendo características distintas das “originais” e um modo de se relacionar e de se reproduzir em diálogo com diversos setores da sociedade.

Há no movimento/cena uma intensa e constante disputa pela visão predominante do que seria um “hip-hop verdadeiro”; há uma tensão por parte dos artistas/militantes mais antigos que com insatisfação enxergam muitos “desvios” agora incorporados ao discurso das atuais gerações.

Aleksander Aguilar Antunes – Foto Divulgação

Além de membro fundador do Coletivo Autores de Pelotas – que com menos de um ano de existência tem tido uma ampla produção de eventos e ações de incentivo à produção e ao consumo de literatura local – Aguilar é pesquisador de pós-doutorado no Programa de Pós-Graduação em Política Social e Direitos Humanos da UCPel.

O trabalho busca projetar essas duas cenas existentes no extremo sul através do estimulo à organização da potência entre os saberes percussivos e os saberes do rap para demonstrar a força da identidade gaúcha negra em específico, que ainda prossegue bastante invisibilizada em nível nacional, e das articulações subalternas em geral.

Roda de Conversa com escritores
No sábado, das 16h às 18h, tem oficina “Processo de criação literária a partir dos personagens”, com a escritora Joice Lima, autora do romance “Hortênsias de Agosto”. Também no sábado, das 18h às 20h, haverá uma roda de conversa “Coletivo Autores de Pelotas: um diálogo sobre literatura”.

As atividades do Coletivo na BPP, durante a Feira do Livro, começaram no dia 31/10 e se estendem até o dia 17/11, têm entrada franca. A programação completa está disponível nas redes sociais do Coletivo em: Facebook: www.facebook.com/EuLeioPelotas/ e no Instagram: @euleiopelotas

Mais informações:

Conexão entre hip hop e tambor é tema de estágio pós-doutoral na UCPel

#EuLeioPelotas na BPP: somente livros de pelotenses na Bibliotheca

Roda de conversa e pocket show experimental: Ritmo e Poesia no beat e no tambor pelotense
Local: Biblioteca Pública Pelotenses
Data: domingo, 10/11
Hora: 18h
Entrada franca

Participantes: Aleksander Aguilar Antunes (PPGPSDH/UCPel; Coletivo Autores de Pelotas), ManoRick (rapper e beatmaker), Dilermando Freitas (griô e diretor Odara).

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