Dia do Trabalhador ou do Trabalho?


maio1° de Maio. Dia do trabalho ou do trabalhador? O enfoque dado carrega um conteúdo ideológico. Feriado e data de celebração e manifestação em várias partes do mundo, o dia marca a defesa por melhores condições de trabalho. Os Estados importaram a Revolução Industrial da metrópole inglesa e de brinde ganharam o trabalho assalariado pago por jornada e a insatisfação dos operários. Não tardou chegar também a consciência de classe e as greves. Em uma manifestação, em Chicago, em 1886, por jornada de 8 horas diárias um incidente resultou em confronto e várias mortes. Em Paris, por ocasião da Segunda Internacional Socialista (1889), deliberou-se que o 1° de Maio seria o “Dia do Trabalhador”, em homenagem ao caso norte-americano. Em 1891, porém ocorreu outro infortúnio. Foi a vez da própria França, onde um protesto acabou com mais de dez mortes ratificando o dia internacional de lutas laborais. Por aqui, no Brasil apesar dos ares de trabalho escravo que ainda se respiravam e da tinta fresca no papel da abolição, organizaram-se diversas agremiações de operários fabris. Suas reivindicações marcariam as greves de 1917. Mais tarde com o trabalhismo da Era Vargas o enfoque mudaria de manifestação para celebração. Desde então os desfiles destacaram o trabalhador e o aumento anual do salário mínimo. Atualmente no país há uma mescla das duas orientações: manifestações e festas populares ocorrem comandadas por organizações sindicais. Os norte-americanos apesar de reduzirem a jornada de trabalho de 16 para 8 horas ainda em 1890, até hoje não comemoram o Dia do Trabalhador no 1° de Maio. Seu “Labor Day” ocorre na primeira segunda-feira de setembro, desde 1887, no intuito de dissociar as manifestações radicais de esquerda da celebração. Afinal, pra você, que dia é hoje?

*Márcio Ezequiel – Escritor.

www.marcioezequiel.blogspot.com

* Historiador e escritor. Mestre em História pela UFRGS. Estudou a Literatura de Viajantes no RS no século XIX.  Publicou o livro: “Alfândega de Porto Alegre: 200 anos de História” em 2007. Atualmente dedica-se a narrativas breves: crônicas, contos e minicontos.