Feminismo popular na periferia de Pelotas é abordado em estudo

A acadêmica do oitavo semestre da graduação em Serviço Social da Universidade Católica de Pelotas (UCPel), Larissa Brito de 21 anos, elegeu o feminismo popular como tema da monografia. A intenção é identificar quem está protagonizando esse movimento na periferia de Pelotas e como ele será utilizado pelas comunidades onde está inserido.

Inicialmente, a intenção da universitária era trabalhar basicamente com referencial bibliográfico. Mas após conversa com professoras da UCPel, como a orientadora do trabalho, Carla Ávila, Larissa resolveu aprofundar a análise. Para abordar o feminismo popular, trabalhará com mulheres que frequentam os centros de assistência social do bairro Navegantes, local onde mora a estudante. Com essa investigação, pretende entender como o feminismo chega até esse público específico, de forma que tenha elementos que indiquem como potencializar o processo de transformação social na periferia.

Larissa Brito - Foto UCPel - Divulgação
Larissa Brito – Foto UCPel – Divulgação

“São mulheres que sofrem violências totalmente diferentes das que eu sofri em toda a minha vida”, explica, ao contextualizar a realidade do público-alvo do trabalho. “Sei que na periferia há mulheres muito mais fortes do que eu e do que outras que eu já conheci na vida, mas que não conhecem o teor da palavra feminismo”, completa.

E desmistificar o conceito por trás dessas letras é importante. Não se trata somente de mulheres que não se depilam ou de radicalismo. “Se tu questionas a sociedade em que vives, se te sentes proibida das coisas e de ocupar espaços, se um homem corta a tua fala e te sentes revoltada com isso, tu é feminista, embora não estejas em um coletivo, em um movimento organizado”, reforça.

O objetivo de Larissa também é garantir com o trabalho uma contribuição para o Serviço Social. “Teve uma época em que ele era muito próximo dos movimentos sociais, mas houve um afastamento”, explica. Logo, ela se propõe a resgatar as raízes da profissão e mostrar como essa proximidade ainda é fundamental nos dias de hoje, de forma que a perspectiva de transformação social coletiva através dos movimentos sociais ocorra. “Tenho plena certeza que as soluções não são individuais”, pontua.

Para a orientadora do trabalho, Carla Ávila, que tem estudado e feito cursos na área de gênero e raça, a ideia é pensar a relação da mulher dentro dos movimentos sociais, cujo papel é auxiliar no pensamento das políticas públicas. “O trabalho é de grande relevância para não pensar a questão social apenas do ponto de vista da classe, mas também pelos atravessamentos, como sexualidade, gênero e raça. Precisamos pensar esse nova forma de militância, com as mulheres se organizando, e a própria relação com as políticas públicas”, adianta a professora.

Origem do estudo
O interesse de Larissa pelo estudo em desenvolvimento surgiu graças à participação da acadêmica no movimento Levante Popular da Juventude, que propõe um projeto popular para o Brasil e tem o feminismo como um dos pilares. Passa também pela forma como a jovem se descobriu adepta do feminismo, como ele a salvou de julgamentos que antes tinha e como teve papel importante na vida dela desde o ingresso na Universidade.

“Há um contexto de mundo que indica que tu não podes sair à noite, não podes transar no primeiro encontro, namorar vários. São muitas regras de uma sociedade machista. Quando tu entra para o movimento e vê essas contradições, tanto de classe como de gênero e racial, vês o mundo em que vives e o que podes fazer para mudá-lo”, explica a autora do trabalho, que ingressou no grupo em 2013 e desde então tem acompanhado o setor de mulheres, um dos braços do Levante da Juventude.

Essa experiência atentou Larissa para a necessidade que o Serviço Social tem de se reaproximar dos movimentos sociais. “A mulher negra, por exemplo, sofre muito mais que eu nessa sociedade. A gente precisa saber disso quando vai pensar em políticas públicas, em ações nas universidades, nos bairros. Precisa saber quem está falando, para quem é essa ação e precisa, principalmente, trabalhar o feminismo nas comunidades”, defende.

Fonte: ucpel.edu.br

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