Ira! Folk – Entrevista exclusiva com o cantor Nasi

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Banda retorna a Pelotas em formato voz e violão. Vocalista degustou quitutes na Fenadoce 2014 e se revela fã do S.C. Internacional dos anos 70.

Dois anos depois, eles estão de volta. Mas voltaram diferentes. Na quinta-feira, 08, a banda Ira! desembarca em Pelotas com seu atual projeto acústico, o show Ira! Folk. O formato vozes e violões em trio divide a agenda com as apresentações elétricas como quinteto, forma em que se apresentaram na Fenadoce de 2014.

Foto Divulgação
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Entre as performances do Ira! na cidade, aquela congelante noite de junho no Pavilhão de Eventos é a que permanece mais vívida nas recordações do cantor Nasi Valadão, conforme o próprio relata em entrevista ao E-Cult: “me lembro mesmo, bem intensamente é essa (apresentação) de 2014, que era a Festa do Doce, realmente estava muito frio (risos), tava um frio animal ! Muita gente, foi um show bacana, todo esse aspecto de um show, com doces – o camarim foi bem açucarado!”, brinca o músico.

Se a turnê do Acústico MTV (2004) trouxe o Ira! à danceteria que funcionava no antigo Theatro Avenida, desta vez a banda pisará pela primeira vez no palco centenário do Theatro Guarany, com uma outra proposta de som desplugado, conforme avalia Nasi: “Esta experiência está sendo ótima, porque é algo diferente do que a gente fez. Apesar de termos tido experiência com o Acústico MTV, é um show muito diferente. No Acústico MTV, tínhamos dois violões, piano, violoncelo, bateria, ´baixolão´, percussão – apesar de serem instrumentos acústicos, era muito volume de som. Agora são só as vozes e dois violões, então a gente trabalha mais com o silêncio, é uma relação mais íntima com o público. É um show onde se destaca mais a parte dos vocais, valoriza letra e melodia, os vocais precisam estar super-afinados. Acho que mostra mais essa característica do Ira! de dueto vocal, meu e do Edgard, vocais bem-casados. Está sendo uma experiência bacana pra gente, que continua na estrada com um show de rock and roll, dar uma variada assim. É estimulante pra gente, esses ambientes, esse tipo de shows diferentes”, pondera o músico.

Entre sucessos de FM e faixas semi-obscuras resgatadas à luz, o repertório folk escolhido a dedo não impede eventuais surpresas. “Trabalhamos com um setlist oficial, fruto de pesquisa, de testes, a sequência das músicas todas que envolvam o público, mesmo porque não seria justo mostrarmos em Pelotas um show diferente do que mostramos em São Paulo ou Belo Horizonte. Agora, num bis, eventualmente, a gente pode tirar da manga uma música ou outra que não estão no setlist, isso aconteceu algumas vezes. Por exemplo: ´Bebendo Vinho´ a gente costuma tocar no bis, quando vamos pro Rio Grande do Sul, então com certeza aí a gente vai cantá-la no bis”, adianta Nasi.

Laços gaúchos
As turnês em território gaúcho têm um sentido especial para o Ira!, a começar pelos laços genealógicos – o pai do guitarrista Edgard nasceu em Bagé e a cidade acabou sendo cenário de um momento de virada na banda, mencionado na biografia “A Ira de Nasi” (2012), e que ele volta a relatar com mais detalhes: “Naquele momento (1985) o Ira! passava por uma transformação. O Charles Gavin havia saído da banda e ainda não tinhamos decidido quem seria o baterista. O Gaspa tinha entrado oficialmente na banda, no lugar do Dino, mas não tinha feito nenhuma apresentação com a gente. O pai do Edgard estava morando em um sítio em Bagé, e a gente resolveu ficar literalmente ´Longe de Tudo´ para juntos sentarmos, pensarmos como seria essa transformação, essa nova fase, nova formação… na escolha, as opções de baterista, qual o estilo que a gente queria. Foi realmente um distanciamento, a gente ficou num ambiente familiar, o sítio dos pais do Edgard. Foi uma viagem prazerosa que deu pra gente a energia necessária para voltar e reinventar o Ira!”. Após esta viagem, a banda chamou André Jung para a bateria, completando a formação que durou duas décadas e gravou quase toda a discografia oficial até o momento.

Por outro lado, o Ira! sempre demonstrou afinidade com roqueiros gaúchos, tendo gravado composições de Flávio Basso, Wander Wildner e Frank Jorge. Nasi explica essa química musical: “Nos identificamos muito com o rock gaúcho, com o estilo de humor, muito próximo do humor inglês, e referências que a gente gosta, o rock inglês, os anos 60.

Foto Divulgação
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Tivemos essa facilidade de fazer versões de artistas gaúchos, diferente de outras regiões do país. Atualmente, não é uma banda tão jovem assim, mas é uma banda contemporânea, de uma geração diferente dessas que a gente já regravou, que a gente gosta muito, é o Cachorro Grande. Adoramos quando temos oportunidade de tocar junto com eles, quando nos encontramos. Eles lançaram o disco Electromod que está sendo muito bem falado e é realmente muito bom, acho que são grandes representantes da escola gaúcha de rock and roll”.

Até o futebol gaúcho desperta especial interesse em Nasi, que já atuou como comentarista esportivo em rádio e televisão. “O Gre-nal é o clássico mais emblemático do Brasil, mais até do que os clássicos paulista, mineiro, carioca… principalmente porque a cidade é dividida entre Grêmio e Internacional. Às vezes me chama atenção, é a impressão de quem está de fora, que não existe a violência entre essas torcidas nos clássicos que a gente vê tão comumente aqui em São Paulo, quando joga São Paulo, Corinthians, Palmeiras”, avalia o artista.

Provocado pelo E-Cult a revelar seu time gaúcho favorito, Nasi confessa: “É até engraçado. Por eu ser torcedor do tricolor paulista, eu deveria ter uma inclinação para torcer pelo tricolor gaúcho. Mas acontece que eu fui muito fã do Rubens Minelli, e do time do Internacional dos anos 70, bicampeão nacional, aquele time que tinha Caçapava, Batista, Falcão, Escurinho, Manga. Tanto que o Minelli foi bicampeão no Internacional, saiu, foi pro São Paulo e deu o primeiro título brasileiro para o São Paulo, em 77. Então ficou marcado, eu tenho essa simpatia. Atualmente, claro que isto está distante, mas sempre fui muito fã desse time dos anos 70 do Internacional”.

Presente e futuro
O Ira! Folk traz o “núcleo-base” do Ira! de todas as épocas, Nasi (voz) e Edgard Scandurra (violões e vocais), acrescido de Daniel Scandurra, filho de Edgard, no segundo violão. São três quintos da formação eletrificada – esta conta ainda com Johnny Boy Chaves e Evaristo Pádua – com que o Ira! retornava em 2014 de um hiato de sete anos para o que seria uma de suas fases mais movimentadas on the road: “Em pouco mais de dois anos, fizemos quase 200 shows, vamos completar no final de 2016 duzentas apresentações desde a volta. Shows importantes como Rock In Rio, viradas culturais. É um momento muito legal de nossa carreira, mesmo porque estamos com dois projetos: o folk, esse show, em teatros, e o Ira! elétrico continua, então isso está fazendo com que seja uma das agendas mais intensas da nossa carreira”, comemora Nasi.

Em estúdio, novidades já são visíveis no horizonte. Depois de 11 discos de estúdio, a banda, que recentemente gravou versões de Aborto Elétrico e Titãs para um especial do Rock In Rio, deve se debruçar sobre a produção de um novo álbum. Uma canção inédita, “ABCD”, aparece nos shows desde a reunião. “Estão surgindo temas novos, músicas que ainda estão sem letras, ideias, coisas que já pintaram. Acontece que agora a gente está tendo espaço na nossa cabeça para pensar o disco novo. Eu e Edgard, por uma coincidência boa, lançamos projetos solos no final do ano passado. No início do ano estávamos divulgando esses trabalhos, fazendo algum show, nossa cabeça ainda estava dentro desses projetos que iniciamos até antes da decisão do Ira! em voltar, em 2014”, detalha Nasi, referindo-se a Egbe, seu mais recente lançamento solo, e a Est, álbum de Edgard com Sílvia Tape (Mercenárias), ambos lançados no final de 2015.

Show Ira! Folk
Quinta feira, 08 de setembro de 2016, às 21 horas
Theatro Guarany – Rua Lobo da Costa, 849 – Centro Histórico – Pelotas/RS
Ingressos/Venda online: blueticket.com.br

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