Lagoa dos Patos, a bolsa feita de rede – por Renata Gastal

A bolsa Lagoa dos Patos faz parte da coleção da Associação de Artesãos Redeiras do Extremo Sul.

As artesãs redeiras, moradoras da Colônia Z3, narram o reconhecimento recebido desde que expuseram na Paralela Gift em 2010 em São Paulo. Hoje, dirigido por nove mulheres, elas tem autonomia e garantem a sustentabilidade do negócio. Uma atividade que até então era exclusiva das mulheres, agora conta com o envolvimento maior da comunidade.

Redeiras - Foto: Lucas Cuervo
Redeiras – Foto: Lucas Cuervo

A coleção adota o conceito de upcycling. As bolsas confeccionadas manualmente têm como material principal as redes descartadas pelos pescadores de Pelotas, Rio Grande e São José do Norte. As redes relatam a cultura piscatória da região. A matéria prima marcada pelo desgaste do gesto do pescador é reconstruída pelo gesto da artesã através da costura, dando novo significado às redes rejeitadas na margem da Lagoa dos Patos.

O artesanato existia na Colônia Z3 desde 2008, mas foi através de uma ação de design que foi possível remodelar a preparação da matéria prima, o processo de confecção e o desenvolvimento de uma coleção própria. Fabricadas com lona, algodão e outros acessórios, as bolsas absorvem cores variadas. Os corantes impregnados nos fios fazem referência à vegetação local. O peso do material ainda é limitador na exportação do produto final para outros continentes.

O tempo de trabalho moroso é característico das peças. Cada bolsa leva no mínimo um dia a ser confeccionada. O primeiro momento da lida é destinado à obtenção da matéria prima, a rede. Começa pela coleta do material próximo aos barcos, a lavagem para a retirada dos resíduos orgânicos, e o recorte da rede para o preparo do fio. O segundo momento é dedicado à produção da bolsa, da tecelagem ao tingimento, e por último à confecção da peça.

A bolsa Lagoa dos Patos é produzida há oito anos pelas redeiras, com um padrão de produção implementado pelo design e mantido pelos membros do grupo, garantindo a qualidade do produto e estimulando a percepção e a sensibilidade das redeiras.

A demanda dos clientes de outras regiões é alta. Além do mercado nacional — São Paulo, Rio de Janeiro, Belém do Pará e Porto de Galinhas —, os produtos das redeiras de Pelotas têm encontrado espaço no mercado internacional, sendo comercializados nos países Espanha, França e Alemanha.

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