V Festival de Teatro Popular Jogos de Aprendizagem em Porto Alegre

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Mantenedores

Entre 16 e 25 de junho, Porto Alegre recebe grupos do Equador, Brasil e Argentina, intervenções artísticas e ações formativas chamam a atenção para um teatro não comercial e não convencional durante o ‘V Festival de Teatro Popular Jogos de Aprendizagem’.

Nuestra Senhora de las Nuvens - Foto: Rafael Telles
Nuestra Senhora de las Nuvens – Foto: Rafael Telles

A quinta edição do Jogos de Aprendizagem, um dos mais representativos festivais do Rio Grande do Sul na atualidade, reunirá mais de vinte apresentações teatrais em três mostras artísticas de onze companhias nacionais e internacionais. A Mostra de Espetáculos homenageia o grande escritor e diretor argentino Arístides Vargas, apresentando quatro obras do dramaturgo encenadas por companhias da Argentina, do Brasil e do Equador. O próprio Arístides e seu Grupo Malayerba vão acompanhar toda a programação, além de apresentar duas obras e ministrar um workshop de criação teatral. A mostra ainda reúne diferentes produções do Brasil, Costa Rica/Argentina, Cuba e Moçambique/Portugal que se propõem a discutir aspectos da identidade ibero-americana, mergulhando em histórias e lendas das culturas originárias e o processo de colonização europeia. A abertura do festival será no dia 16, às 20h, no Theatro São Pedro com o grupo Malayerba apresentando a peça ‘Instrucciones para abrazar el aire’. A peça conta a reconstrução de certos acontecimentos em uma casa na cidade de La Plata, Argentina, em 1976. O V Festival de Teatro Popular – Jogos de Aprendizagem é uma realização da Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz e conta com patrocínio da CAIXA e apoio do Fundo Iberescena.

O projeto nasceu em 2010 do desejo de dialogar com outros grupos brasileiros e latino-americanos e oferecer um palco para o teatro popular em Porto Alegre, dar visibilidade e reconhecimento à produção artística de grupos teatrais de longa trajetória, comprometidos com sua comunidade de origem, o panorama sócio-político latino-americano e a constante pesquisa estética. Além dos espetáculos, o festival se desdobra em oficinas, debates, mostra pedagógica, mostra de desmontagens e o lançamento da edição anual da revista Cavalo Louco e feira itinerante de publicações relacionadas às artes cênicas.

A Mostra de Desmontagens contará com a presença de renomados artistas brasileiros e latino-americanos, que trarão para o festival suas experiências de criação teatral em forma de Desmontagens Poéticas. A ‘desmontagem‘ é um conceito relativamente novo no âmbito das artes cênicas que constitui uma análise e desconstrução do próprio trabalho artístico e, ao mesmo tempo, é obra de arte. A Mostra Pedagógica apresentará trabalhos criados a partir de oficinas e processos de formação de diversos grupos e entidades locais. Essa mostra possibilita ricas trocas de aprendizado entre os artistas presentes.

Confira a programação completa:

DEBATES

Conversando com Arístides Vargas
17 de junho, 15h – Terreira da Tribo
Arístides Vargas é dono de uma poética singular, de alto valor literário, carregado de metáforas que transformam a visão do cotidiano. O artista trata frequentemente do processo de exílio argentino. Nesta mesa falará sobre a sua trajetória e seu grupo, as visões e as inquietações que movem sua obra e vida como ator, diretor e dramaturgo. A mediação fica por conta de Tânia Farias, atuadora do Ói Nóis Aqui Traveiz.

Teatro, resistência e aprendizagem
21 de junho, 21h – no SESC Canoas
Visando o panorama conservador que toma conta da América Latina, este debate tem como proposta questionar que papel a aprendizagem teatral e a formação de artistas-cidadãos podem desempenhar enquanto forma de resistência. Serão discutidos distintos processos de aprendizagem teatral e seus princípios éticos. Participam do debate artistas convidados pelo Festival de Teatro Popular com experiência no trabalho artístico-pedagógico. A atuadora e mestranda em Pedagogia pela UFRGS, Marta Haas, do grupo Ói Nóis Aqui Traveiz, fará a mediação do evento.

OFICINAS
*As inscrições para oficinas devem ser feitas através do e-mail festivaldeteatropopular@gmail.com,
Com o envio de carta de intenção (a partir de 16 anos).

Oficina de Criação Teatral – Grupo Malayerba
Oficina teórico-prática – 19, 20 e 21 de junho, das 9h às 12h – Terreira da Tribo
O nascimento de um texto teatral até o momento em que é interpretado, considerando a memória e o imaginário do autor e também dos atores é o ponto de partida da oficina do Malayerba. Serão três dias focados nas trocas de aprendizagem, sem julgamento nem hierarquização do conhecimento. É necessário levar roupas confortáveis, para o trabalho corporal e caderno para anotações. O laboratório de criação teatral será conduzido por Gerson Guerra, Arístides Vargas e Charo Francés.

Moçambique, histórias de A a Zinco – Klemente Tsamba
Oficina teórico-prática – 22 de junho, das 9h às 12h – Terreira da Tribo
Esta oficina percorre a história de Moçambique desde os Tempos de Gungunhana (1885) até aos dias de hoje, destacando a tradição cultural dos povos do sul, abordando os rituais, as línguas tradicionais, os ritmos, as danças, os cânticos, entre outras. O objetivo é apresentar ao Brasil as várias expressões artísticas ligadas a cultura tradicional moçambicana que são a base do teatro local e, simultaneamente desafiar o público da lusofonia, a identificar pontes em comum, base para um diálogo intercultural positivo. A oficina será dividida em dois momentos: a primeira parte será dedicada a exposição da cultura do sul de Moçambique. Na segunda parte serão desenvolvidos jogos performativos baseados no teatro comunitário africano e apresentados depois em forma de esquetes.

MOSTRA DESMONTAGENS

Evocando os Mortos, com Tânia Farias
19 de junho, 18h
Sala Álvaro Moreira / Centro Municipal de Cultura Lupicínio Rodrigues

Expondo os processos de criação de diferentes personagens, criadas entre 1999 e 2011, a atriz Tânia Farias mostra quanto as suas vivências pessoais e de seu grupo, a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz, atravessam os mecanismos de criação. Através da ativação da memória corporal, a atriz faz surgir e desaparecer as personagens, realizando uma espécie de ritual de evocação de seus mortos para compreensão dos desafios de fazer teatro nos dias de hoje. A performance constitui um olhar sobre as discussões de gênero, abordando a violência contra a mulher em suas variantes, e também sobre a importância do autoconhecimento no processo criativo.

Flores arrancadas a la niebla - Foto: Matias Marcet
Flores arrancadas a la niebla – Foto: Matias Marcet

Flores arrancadas a la Niebla, com Grupo Línea Roja
20 de junho, 18h – Teatro Carlos Carvalho/ CCMQ
O grupo argentino Línea Roja apresenta a desmontagem da peça ‘Flores arrancadas a la Niebla’, que aborda a experiência sobre a migração. A história desta desmontagem é a tentativa de arrancar da neblina do esquecimento um trajeto que pouco a pouco vai se desenhando, na medida em que foram ganhando vida, cada vez com mais intensidade, nas personagens Raquel, Aída e um cello. A desmontagem retrata a história de um encontro de diferentes técnicas encarnadas no corpo de duas atrizes e uma diretora, consequência de caminhos teatrais diferentes. O encontro com uma dramaturgia sonora, com um instrumento que se converte em uma nova personagem que entra para dialogar com as duas personagens.

SerEstando – desmontagem LUME - Foto: Arthur Amaral
SerEstando – desmontagem LUME – Foto: Arthur Amaral

SerEstando Mulheres, com Grupo LUME Teatro
21 de junho, 18h – Teatro Carlos Carvalho/ CCMQ
Em sua busca por ser-estar na cena, a atriz Ana Cristina Colla, ao longo de seus mais de 20 anos de pesquisa junto ao grupo LUME Teatro, visitou pessoas, cidades, mestres, recantos. Entre encontros e confrontos, foi aperfeiçoando seu fazer teatral, passando pela mímesis das corporeidades, visitando o Butoh, como portas para a própria singularidade. Nesse espetáculo a atriz narra através das imagens que cria e corporifica, seu saber impresso no corpo.

MOSTRA PEDAGÓGICA

Sinos da Candelária / 20 de junho, 20h – SESC Canoas
O Canto da Sereia / 21 de junho, 20h, no Sesc Canoas
A Mais-Valia vai acabar, Seu Edgar! / 22 de junho, 12h – Calçadão de Canoas
Processo Mahagonny – Grupo Trilho / 22 de junho, 19h – Travessa dos Cataventos
A Mais-Valia vai acabar, Seu Edgar! / 24 de junho, 14h – Praça Oliveira Rolim. Bairro Sarandi
Qorpo-Santo Re-Cortado / 24 de junho, 18h – Terreira da Tribo

V Festival de Teatro Popular – Jogos de Aprendizagem
De 16 a 26 de junho
Apresentação: Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz
Patrocínio: Caixa | Apoio: Fundo Iberescena

ESPETÁCULOS – sinopses

16 de junho

20h – Instrucciones para abrazar el Aire / Teatro Malayerba (Equador)
Theatro São Pedro – Pça. Mal. Deodoro, s/n – Centro
A peça conta a reconstrução de certos acontecimentos em uma casa na cidade de La Plata, Argentina, em 1976. Mas não se trata de uma reconstrução ao pé da letra, trata-se de um documento ficcional, como é chamado pelo autor. Tudo começa com dois anciões que se perguntam por uma menina perdida no tempo e, no transcorrer das cenas, fica claro que se trata de sua neta, roubada na casa da rua 30, La Plata. Nesta casa se encontram dois cozinheiros que preparam coelho ao escabeche e vivem num caos. Permanentemente fazem referências à menina, que joga no pátio da casa. Mais ainda: eles parecem ter saído da imaginação de uma menina. Em frente a casa, dois vizinhos temerosos e com bastante preconceitos em relação às atividades dos cozinheiros, observam a menina jogando.

17 de junho

20h – Flores Arrancadas a la Niebla / Línea Roja (Argentina)
Theatro São Pedro – Pça. Mal. Deodoro, s/n – Centro
A peça aborda o tema da migração como um motor para aprofundar, ampliar e colocar de volta em primeiro plano uma situação tão atual que não deve ser esquecida. Deslocamentos, trânsito, passagens de fronteira legais e ilegais. A migração forçada é certamente uma das experiências de trânsito mais difíceis que a humanidade vem vivenciando ao longo das gerações, impulsionada pelo medo, pelo instinto de sobrevivência, pressionada e obrigada por forças externas, sejam elas de caráter político, social ou individual. Este é o contexto que transforma o texto poético de Arístides Vargas em uma tragédia contemporânea, compartilhada por milhões de pessoas no mundo. A experiência da solidão, do desarraigamento, da violência da burocracia, do poder de um papel, o desamparo, a saudade. A experiência do não-lugar.

18 de junho

15h – Caliban – A Tempestade de Augusto Boal / Ói Nóis Aqui Traveiz (Brasil)
Parque da Redenção
Impulsionada pela ideia de que ‘somos todos Caliban‘, a Tribo de Atuadores Ói Nóis Aqui Traveiz analisa criticamente a ‘tempestade‘ conservadora que hoje sofre a América Latina, e especialmente o grande retrocesso nos direitos sociais e na luta pela autonomia econômica, política e cultural que vivemos no Brasil. A encenação é criada a partir do texto “A Tempestade” de Boal, escrita pelo autor no exílio, em 1974, período em que os movimentos sociais latino- americanos sofriam uma grande derrota frente ao imperialismo dos EUA e eram terrivelmente reprimidos pelas ditaduras civil-militares. A Tribo, sem trair a sua vocação artística, quer com o seu teatro de rua instaurar a alegria e a indignação nos seus espectadores.

20h – Flores Arrancadas a la Niebla / Línea Roja (Argentina)
Theatro São Pedro – Pça. Mal. Deodoro, s/n – Centro

19 de junho

Gungunhana – Foto: Margareth Leite
Gungunhana – Foto: Margareth Leite

20h – Nos tempos de Gungunhana / Klemente Tsamba (Portugal/Moçambique)
Teatro Renascença – Av. Erico Veríssimo, 307 – Bairro Menino Deus
Era uma vez um guerreiro da tribo Tsonga chamado Umbangananamani, que fora casado com uma linda mulher da tribo Macua, de nome Malice. Não tiveram filhos, mas tentaram muito. Este é o mote que dá início ao grande karingana ou conto tradicional sobre a vida de um simples guerreiro, mas que muito rapidamente se transforma numa sequência de outros pequenos karinganas, contados e cantados geralmente com a graça dos ritmos tradicionais de Moçambique. No entanto, este karingana, não tem nada a ver com Gungunhana! A montagem portuguesa que estará no Festival Jogos de Aprendizagem é baseada na tradição oral dos contadores de histórias africanos, onde um único elemento se desdobra em vários personagens para, com a cumplicidade do público, retratar alguns episódios mágicos paralelos à vida do célebre rei tribal moçambicano Gungunhana. O texto da peça é um recorte dos relatos de “Ualalapi”, obra premiada do escritor moçambicano Ungulani Ba Ka Khosa que resulta em um conjunto de histórias dentro de uma história, uma obra que parte de um tempo histórico e de uma cultura particular para depois seguir numa viagem universalista e sem fronteiras.

20 de junho

20h – Hoje Sou Hum; Amanhã Outro / Ubando Grupo (Brasil)
Teatro Bruno Kiefer – Rua dos Andradas, 736 – Centro
A peça do célebre autor gaúcho Qorpo-Santo aborda as relações de poder e suas tramas, que acontecem no interior do palácio de um Reino Qualquer, enquanto o povo está se matando lá fora. Entre paranoias de conspiração e o ataque de outra nação, tudo muda para não mudar e o poder da classe dominante se perpetuar. O texto tange a farsa e vai da ironia fina ao sarcasmo, revelando a sua modernidade e o paralelo inevitável aos dias atuais. “Hoje Sou Hum; Amanhã Outro”, surge com o desafio do coletivo de montar um texto de Qorpo-Santo, na íntegra, estabelecendo paralelos com a atualidade e, no âmbito da estética do nonsense. Está centrado no trabalho de atuação a partir da pesquisa do teatro físico.

20h – Nos tempos de Gungunhana / Klemente Tsamba (Portugal/Moçambique)
Associação Núcleo Esperança – Av. João Antônio da Silveira, 2500 – Bairro Restinga

21 de junho

20h – Hojas de papel volando / Teatro La Rosa (Cuba)
Teatro Renascença – Av. Erico Veríssimo, 307 – Bairro Menino Deus
Inspirado no livro de poesia homônimo de Patricia Ariza, a peça de Roxana Pineda cria um contexto espiritual para que as palavras funcionem também como ações, um recurso cênico que gera densidade e cria equivalências entre aquilo que se diz e aquilo que acontece aqui e agora. O tema das perdas atravessa toda a peça e, assim o amor, a guerra, a dor pelos mortos, as alegrias de um encontro, a lembrança que evoca e a memória que resiste, podem ser lidos através do vazio que a beleza e a vontade de viver ressarcem. Hojas de Papel Volando fala da vida e é ao mesmo tempo um ato de fé, a presença dos que já não estão e a necessidade de viver conectado às nossas próprias crenças.

22 de junho

18h – Id. Percursos / Rita Lendê (Brasil)
Teatro Carlos Carvalho / CCMQ – R. dos Andradas, 736 – Centro
A performance em dança e voz fala através do eu lírico e procura retratar a construção de identidade da mulher negra adulta, deslizando por momentos existenciais sobre o que é ser mulher e negra, debruçada sobre paradigmas sócio raciais e de gênero. Tal obra tem a intenção de trazer a reflexão, convidando o público a dialogar de forma aberta e questionadora com o autor após a amostragem.

Nuestra Senhora de las Nuvens - Foto: Rafael Telles
Nuestra Senhora de las Nuvens – Foto: Rafael Telles

20h – Nuestra Senhora de las Nuvens / Clowns de Shakespeare (Brasil)
Teatro Dante Barone – Pça. Marechal Deodoro, 101 – Centro
Inaugurando o projeto de pesquisa latino-americano e partindo da obra de Arístides Vargas – última parte da Trilogia do Exílio, como denomina o autor exilado e radicado no Equador, fugindo da ditadura argentina – os Clowns de Shakespeare investigam as relações da memória e identidade, somando também as experiências provocadas pelo golpe militar brasileiro de 1964. Aproximando o realismo fantástico-surrealista do político-épico, as histórias de Nuestra Senhora de las Nuvens são apresentadas por quatro atores, tendo por fio condutor os encontros entre Oscar e Bruna. A narrativa permeia o universo do exílio através do humor, violência, crítica e lirismo, expondo a estrutura do discurso político. Entre o exílio imposto e o ‘in’xílio autoprovocado, há mais a ser encontrado e descoberto. Nenhuma pessoa está totalmente livre do exílio da plenitude de sua própria realidade.

20h – La Historia de Ixquic / Rubén Pagura (Argentina/Costa Rica)
Teatro Bruno Kiefer / CCMQ – Rua dos Andradas, 736 – Centro
Há muitos anos, quando o sol e a lua ainda não brilhavam, havia um reinado no antigo mundo Maya de nome Xibalbá, também chamado de ‘mundo das trevas’, pois ali viviam os causadores de todos os males que as pessoas sofriam. Um dia, a jovem Ixquic, filha de Cuchumaquic, Senhor de Xibalbá, engravida milagrosamente pela cabeça de um jovem campesino executado pelo seu pai. Descoberta a gravidez, Ixquic é condenada à morte, mas consegue escapar graças à sua astúcia e sabedoria. Fugindo dos guerreiros que a perseguem, ela é acolhida na casa de sua sogra, a anciã Ixmucané, onde nascem seus dois filhos, os gêmeos Hunapú e Ixbalanqué. Eles se convertem em heróis que realizam grandes proezas e derrotam finalmente os Senhores da Morte. Concluída sua missão, os gêmeos ascendem para reunir-se com o coração do céu: um se transforma no sol e o outro na lua. Ixquic vai ao encontro deles e vira a estrela d’alva. O espetáculo reconta as antigas histórias do Popol Vuh, o livro sagrado dos Maya-Quichés, tecidos em uma trama de ação, amor e magia. Este trabalho está ligado às antigas tradições do mimo e do trovador, e também às novas tendências que revalorizam estas tradições. O ator representa cerca de vinte personagens através de suas ações e reações.

23 de junho

15h – AutoMákina / De Pernas Pro Ar (Brasil)
Largo Glênio Peres
Automákina – Universo Deslizante se desloca pelas ruas e praças das cidades. Por esses caminhos se apresenta o mundo do Duque Hosain’g, um mundo portátil, pessoal e impenetrável. É como se ele tivesse optado por levar o universo junto a si, construído a partir de seus múltiplos aspectos, que ganham vida. Seus pensamentos, as músicas que executa e seu DNA se confundem com a nave. O tempo é deslizante e incerto. Rasgando o espaço urbano, sua procura é surpreendente. O estranho o acompanha e transforma tudo que está a sua volta. O espetáculo de teatro de Rua do grupo De Pernas pro Ar trata de uma questão pertinente a todos os homens de todos os tempos: “a arte da sobrevivência”. Utiliza uma linguagem que mescla o simbolismo do teatro de bonecos com seus personagens autômatos fazendo uma metáfora a existência humana, o virtuosismo das técnicas circenses e a poética do teatro de rua. O cenário móvel, pesquisa ousada e inovadora do grupo, propõe levar para rua um aparato cênico impar em qualidade visual e sonora, uma máquina gigante medindo 7,0 m de comprimento, por 8,0 m de altura, aumentando assim a dramaticidade do espetáculo.

20h – Nuestra Senhora de las Nuvens / Clowns de Shakespeare (Brasil)
Teatro Dante Barone – Pça. Marechal Deodoro, 101 – Centro

20h – Hojas de papel volando / Teatro La Rosa (Cuba)
Centro Cultural James Kulisz – Av. Joaquim Porto Villanova, 143 – Bairro Bom Jesus

24 de junho

La Razón Blindada / Teatro Malayerba (Equador)
20h – SESC Canoas – Av. Guilherme Schell, 5340 – Centro, Canoas
O espetáculo é baseado em El Quijote de Cervantes, A verdadeira história de Sancho Panza de F. Kafka e nos relatos que fizeram Chico Vargas e outros presos políticos da ditadura argentina dos anos 70 nas imediações da prisão de Rawson. Dois presos políticos, pressionados pelas condições emocionais e físicas, se juntam todos os domingos no entardecer para contar-se a história de Don Quijote e Sancho Panza. Fazem isto dentro das limitações mais extremas que supõe o estar preso em uma prisão de segurança máxima, mas também com a necessidade vital de contar uma história que os salve, que os transporte a uma aventura humana situada na imaginação: esse lugar onde a realidade mais extrema não consegue chegar, onde a dor pode ser mitigada através do ato de imaginar outra realidade. Assim, reinventam continuamente a figura de Don Quijote, esse cavaleiro que confunde moinhos com gigantes, senhoras com donzelas, prisões com paraísos e se exilia na loucura, nesta estranha desordem que não faz mal a ninguém, mas que ajuda profundamente a viver.

20h – La Historia de Ixquic / Rubén Pagura (Argentina/Costa Rica)
Bairro Humaitá – R. Dona Teodora, 1250

25 de junho

15h – Caliban – A Tempestade de Augusto Boal / Ói Nóis Aqui Traveiz (Brasil)
Parque da Redenção

Fonte: Bebê Baumgarten Comunicação

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