Vade Retrô disponibiliza discografia para download

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Um EP, um álbum completo, uma fita cassete e um compacto em vinil. Depois de encerrar as atividades em 2013, a banda pelotense Vade Retrô – formada em 2010 por Diego Queijo, Ruan Libardoni e Matt Thofehrn – disponibilizou nesta semana praticamente toda sua produção musical para download livre.

vade retro pelotas discografiaJunto com o pacote, o grupo incluiu um apanhado de 13 faixas (“Sobras do Interior 2010/13”), com demos inéditas e outros devaneios descompromissados do período ativo de composições da banda.

Textos e comentários sobre cada um dos discos e canções permeiam o epitáfio digital, além de links para alguns vídeos do YouTube.

Sobre tudo isso, o vocalista e arquivista da Vade Retrô Diego Queijo responde:

eCult – O que aconteceu com a banda?

Diego Queijo – Chegamos a gravar as guias para um segundo disco completo, mas acabamos abandonando o projeto lá em 2013. Já estávamos com problemas de agenda e acabamos nos afastando. A Vade foi um grupo universitário que fez rock na época certa e acabou. Durou o que tinha que durar. Fizemos parte de um momento muito legal, com certa mobilização cultural em Pelotas. Muitas bandas estavam produzindo e rolando, como os Mascates, Canastra Suja, The Raves, Convés Imaginário, Farenait, Calavera, Divergência, Velha Armada e Freak Brothers. Ainda tinha o movimento da produtora Satolep Circus e outras menores como Lo-Bit, Sotaque Coletivo e Atelier Cultural. O pessoal do eCult, Radiocom e Diário Popular divulgavam os eventos. Toda a produção independente autoral também tinha espaço em casas como o João Gilberto, Fox Pub, Galpão, Santa Martha, Pop Rock Disco Pub, Wong Bar, e as noites começavam ou terminavam entre o Bar do Zé e o Papuera. Este era o cenário pelotense do rock do início dos anos ’10s.

eCult – Por que colocar essas músicas na internet agora?

DQ – É uma sessão do descarrego. É também uma forma de preservar – inclusive para nós mesmos – esse material. Acabamos ficando relapsos quanto a tudo isso. Só o nosso álbum ficou inteiramente disponível para download anteriormente. Nosso primeiro EP só tinha sido lançado no formato físico, em shows. A fita cassete então só foi distribuída uma vez em duas sessões de um filme em que participamos da trilha. O compacto em vinil tem três músicas mas só duas estavam digitalizadas. Toda essa produção criativa nossa foi feita basicamente em um período de dois anos, 2011 e 2012. É uma obra minúscula e menor no contexto do rock gaúcho, mas é também parte da história pessoal de cada um de nós e dos amigos que estiveram conosco na época. Além disso, na internet sempre alguém pode esbarrar e descobrir essas coisas.

eCult – É o fim da história?

DQ – Sim. Na verdade quando fui revisitar o material para jogar na net percebi o quanto fomos negligentes com nosso único álbum completo. Ele se proliferou na internet, mas nunca prensamos direito. Em 2021 completará 10 anos. Poderemos fazer uma edição comemorativa e distribuir gratuitamente. Talvez. Ou não. Na verdade ninguém parece interessado nisso, a não ser nossos amigos. Aliás, a banda nunca acabou formalmente. Poderemos fazer um show de despedida também para jogar a pá de cal nessa história e convidar vários amigos da época. Se até 2021 ainda estivermos vivos e com todos os membros (dedos, braços e pernas) intactos, essa é uma ideia. Até lá, vida que segue. “O passado é uma roupa velha que não serve mais”, já disse Belchior. Mas agora está aí para quem quiser fuçar.

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