Yung Lixo – músico pelotense acumula mais de 4.7 milhões visualizações no Youtube

Conheça Polaroid, a música que já conta com mais de 614 mil visualizações no Youtube e saiba mais sobre seu autor, o gaúcho Yung Lixo.

Foto: Arquivo Pessoal
Foto: Arquivo Pessoal

Victor Schiavon, pelotense, 23 anos, começou no youtube em 2008 e viu seus acessos crescerem no começo de 2016 com o canal “gemaplys”. Victor faz músicas desde 2009, inicialmente de forma amadora e experimental, que foram melhorando com o tempo. Em 2017 conseguiu alguns produtores pra ajudar na qualidade e na sequencia lançou seu primeiro álbum oficial, tendo mais um em produção neste ano de 2018, pra sair ainda esse ano se tudo correr bem.

Yung Lixo
Victor define o estilo do Yung Lixo como rap em geral, tendo músicas do gênero trap, mas também músicas mais voltadas para lo-fi e outros estilos de rap. Polaroid foi a primeira música mais voltada para lo-fi e “sad” que o músico lançou, antes disso a grande maioria eram traps com foco em comédia. A letra de Polaroid, seu maior sucesso até o momento é mais séria e voltada a um lado sentimental.

Mesmo sem possuir uma ligação direta com o cenário musical pelotense, embora conheça alguns rappers da cidade por nome, Victor credita o pontapé inicial do Yung Lixo aos fãs do gemaplys, porém isso se deu em um momento muito inicial do canal, a partir disso os fãs se tornaram mais divididos. “Já fui parado na rua por uma pessoa que me conhecia apenas como Yung Lixo” revela o músico.

Victor acumula mais de 443 mil inscritos no canal GemaPlys, voltado para o mundo dos games e mais de 91 mil inscritos no seu canal musical Yung Lixo.

Aproveitamos a oportunidade para fazer uma rápida entrevista:

ecult: Desenhista, humorista, hacker, gamer, músico… São muitos os atributos que podemos encontrar na internet quando o assunto é Victor Schiavon. O que pode ser levado a sério e o que foi apenas uma fase?

Victor: Creio que eu comecei tudo como um passatempo, tudo que eu já fiz não passou de um teste de por pra frente coisas que eu gostava muito e me interessava em aprender. Não gosto de me rotular muito porque começo a me sentir meio prepotente, mas acredito que atualmente eu diria que estou melhorando em fazer vídeos e músicas, infelizmente a carreira de desenhista ficou pra trás um pouco, hoje em dia só desenho as miniaturas dos vídeos do meu canal.

ecult: Polaroid pode ser um “divisor de águas” na sua carreira?

Victor: Polaroid vai marcar a minha carreira musical por ter sido o primeiro pontapé em uma direção mais séria, que, incrivelmente, deu muito mais certo do que o esperado. Acreditei que os fãs das músicas cômicas ficariam chateados com a mudança repentina, mas a música foi muito bem vinda!

ecult:  O que podemos esperar do próximo disco de Yung Lixo?

Victor: Espero que coisas boas! Não fazemos nem ideia ainda de datas de lançamento nem nada parecido, estamos experimentando MUITO e isso leva um tempo. Não vai ser um álbum normal. Algumas músicas serão pesadas, puxando para um estilo voltado ao trap, enquanto outras serão no estilo lo-fi. Tem muita coisa misturada, nem sabemos ainda se vai funcionar ou ter uma estrutura aparente pra tanta coisa que estamos inventando. Vai ser rap e estamos dando nosso melhor pra que seja um álbum muito superior ao último. Isso eu posso garantir.

ecult: Não podemos esquecer o GemaPlys, quais os planos para o futuro do canal?

Victor: Putz… Essa é difícil… Pretendo manter o canal vivo por muito tempo ainda, se eu conseguir essa façanha. Trazer as coisas que eu gosto e que o pessoal gosta de ver e nunca deixar isso se transformar em um trabalho de escritório que me traga algo além de felicidade. Por enquanto tudo está incrível e acho que vai se manter assim por um bom tempo. Espero que sim.

Visite:
Yung Lixo e Gemaplys

Relluviu – Dupla lança clipe de Helloween no Youtube

Na última quinta-feira, 14 de junho, a dupla pelotense Relluviu lançou o vídeo clipe “Helloween” nas redes sociais.

Foto Divulgação
Foto Divulgação

Relluviu é formada por Poyo (Gabriel) e Yaul (Leonardo), a dupla de músicos e compositores formada desde 2011. Após estudos e experimentos, começaram a investir tempo e dedicação ao projeto em 2017, quando escolheram o nome artístico “Relluviu”, que significa mudança, deixar as outras coisas para traz e começar algo novo.

Focados no projeto, uniram forças junto com Poyo e Yaul, a NoFocoFilms que assina a Produção Executiva do Clipe e Felipe Menegoni (Liip.Beats) da Studio F5, responsáveis pela gravação e mixagem.

Relluviu nas Redes Sociais:
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Youtube

Gagui IDV lança o livro Resenha do Rap em Pelotas

No próxima quinta-feira (11 de janeiro) acontece o lançamento do livro Resenha do Rap, de Gagui IDV em Pelotas.

O evento também contará com graffiti ao vivo por Beethoven Mendonçapocket, show com Guido CNR (Leandro Fagundes), DJ’s Slot (Leonardo Macedo) e Djnf LadoSul, raffiti ao vivo com Beethoven Mendonça.

Foto: Gabriel Huth - DP
Foto: Gabriel Huth – DP

Lançado pela Editora Bradamante o livro Resenha do Rap contém 22 entrevistas com diversas personalidades do Hip Hop nacional. Desde os precursores King Nino Brown (coroado Rei Zulu pelo criador do Hip Hop Afrika Bambaataa) e Athalyba Man (membro do primeiro grupo de Rap a gravar um disco no Brasil), passando por DJ Raffa (produtor do hino ‘É mantenho minha cabeça em pé, fale o que quiser, pode vir que já é..’), Lino Krizz (do lendário grupo Os Metralhas e dono da voz do refrão de Senhorita), Kamau, Japão (Viela 17), Zulu Tr (ex-DJ do MV @Bill), Eli Efi (autor de outro hino ‘Sei que não é fácil ser Homem de Aço), Rael (‘Ela tem cores, curvas, sabores..’), Rashid, Da Guedes (‘O Dr. Destino é foda..), Thig (‘Cê tá no Jaçanã, tá na picadilha..’), Jair Brown, Anjo DB, Furiah Do Raciocínio, Lindomar 3L, Fill, Tha Gattha (Negrociação), Negro Rudhy, Mr. Diones, 5 Pra 1 e DuckBeatz.

São relatos de vários lugares do Brasil, em um pouco mais de 200 páginas, que ajudam a construir um pouco da história do Rap nacional, e que servem para documentar essa rica história, para que gerações futuras saibam reverenciar quem pavimentou essa estrada.

Gagui IDV

Foto: Luís Fabiano Gonçalves (Fio da Navalha)
Foto: Luís Fabiano Gonçalves (Fio da Navalha)

Nascido em 1981, na cidade de Pelotas, Gagui IDV, teve então com 12 anos, despertado seu interesse pela cultura oriunda das ruas. Mas somente em 1998, forma seu primeiro grupo de Rap, intitulado Ideologia de Vida, juntamente com dois colegas de escola, PC e Jeison ZL. O grupo começa a apresentar-se pelas festas de Rap da cidade de Pelotas, conhecendo outros grupos, tendo oportunidade de levar informação para vários lugares.

No ano 2000 o grupo termina, seguindo assim apenas Gagui em carreira solo. Nesse meio tempo Gagui começa a palestrar em escolas, universidades, presídios, unidades da FASE (antiga FEBEM). Articulando o movimento Hip Hop de Pelotas, organizando festas, encontros, reuniões, palestras. Em 2001, inicia um projeto pioneiro na cidade de Pelotas, um programa de Rap em uma rádio comunitária, chamado Comunidade Hip Hop, que vai ao ar até os dias de hoje, todos os sábados. A partir desse veículo de comunicação passa a dar visibilidade à cena local, divulgando o Hip Hop em Pelotas e interagindo com personalidades do Hip Hop brasileiro que concederam entrevistas para o programa, entre eles Afro X, Dina Di, Bad, Nitro Di, GOG, entre outros.

Gagui também começa a escrever para sites de Hip Hop tornando-se colunista dos sites: Rap Nacional, Enraizados, Adversus e Omega Hip Hop, além de manter um blog na internet. Participou de algumas atividades importantes da cena do Hip Hop, como palestrante do 1’ Encontro de Hip Hop de Pelotas, que contou com a presença do rapper GOG, aniversário de 02 anos do site Adversus no Bar Opinião em Porto Alegre, Encontros regionais e nacionais de Hip Hop nos Fóruns Sociais Mundial em Porto Alegre, Hip Hop versus Violência, reunião organizada pelo rapper Mano Brown do Racionais MC’s, abertura dos shows de Thaíde, Facção Central, 509-E, Da Guedes e Visão de Rua, 5′ Bienal de Arte e Cultura da UNE, no Rio de Janeiro. Em 2004 Gagui enviou a música “Revolucionário” para o Hutuz, ficando entre as 64 indicadas para audição dos jurados, dentre mais de 600 músicas inscritas e em 2006 ficou também na etapa classificatória do Hutuz, com a música “Inveja Mata”. Em 2005 lançou o seu primeiro CD independente, intitulado Alforria, com dezesseis faixas, que contou com a participação de alguns grupos de Rap de Pelotas: Banca CNR, Preta G, Makabra.

A partir de 2011, Gagui inicia um trabalho na assessoria do Deputado Estadual Catarina Paladini (PSB) e encabeça a aprovação da Lei da Semana Municipal do Hip Hop em Pelotas. Também tem participações nas aprovações das Leis de Esteio e Rio Grande. Em 2012 recebe o Prêmio Lança de Ouro, maior premiação do Hip Hop do Rio Grande do Sul, com o melhor videoclipe de 2011, da música “A Inveja Mata”. Também em 2012 recebe o Prêmio Black Pel como destaque do ano. Realiza a 1′ Batalha de Beats de Pelotas, através da sua produtora ‘Alforria Produções’. Cria o Projeto Família IDV Convida Ensaio Aberto que realiza mais de 20 edições semanais, oportunizando a cada edição que um grupo se apresente, dando assim espaço para que a cena do Hip Hop se movimente. Em 2012 percorre o RS se apresentando em: Porto Alegre, Bagé, Pinheiro Machado, Arroio Grande, São Lourenço do Sul, Rio Grande. Participa do Programa Hip Hop Cultura de Rua da TVE/RS. Em 2015 lança o CD IDV, com participações de Nego Maisson, Guido CNR, Glauco, Perelló.

Arte: Augusto Barros
Arte: Augusto Barros

 

Leia online nossa versão impressa: Junho/2013

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EDITORIAL: INVENTANDO A CASA

Na entrevista aqui ao lado, a artista Helene Sacco nos conta sobre a sua “paixão por inventar lugares”, e lembra do parentesco entre “inventário” e “invenção”. Essas palavras todas – “lugar”, “casa”, “inventar”, “inventário”, acabamos percebendo, não só permeiam a edição deste mês, como toda a razão de ser da e-cult.

Nossa preocupação é, num certo sentido, a mesma de Vitor Ramil: inventar as ilusões da nossa casa. Até por isso nos entusiasma tanto tê-lo como matéria de capa este mês. Ao escrever e cantar sobre Satolep, Vitor inventa (fora de si) um lugar. Da mesma forma, quando os MCs de Pelotas rimam sobre a “Sweet Home”, também eles inventam Pelotas. E nós, quando escrevemos sobre Vitor ou sobre a “Sweet Home”, desenvolvemos sobre essas narrativas – inventamos.

Até nosso Guilherme Oliveira tomou coragem para inventar, sobre as invenções de Vitor, as suas próprias. Inventamos também um colunista novo: João Alfredo. Finalmente, inventamos de estrear, na seção de resenhas, o cinema, com o curta “O Membro Decaído”, de Lucas Sá.

Nosso trabalho, como o de todo o mundo que escreve sobre cultura em Pelotas, é ao mesmo tempo fazer o inventário da cidade (daquilo que ela tem, culturalmente) e inventá-la. Nossa paixão, como a de Helene ou a de Vitor, é de inventar Pelotas.

(Nossa edição impressa tem uma tiragem de 4.000 exemplares, que podem ser encontrados em universidades, livrarias, padarias, cafés e pontos culturais espalhados pela cidade.) 

Resenha: Dirty Lion – NaturezAÇÃO

por Roberto Soares Neves

É de se esperar de um disco de rap a temática social, a denúncia das injustiças, a desconfiança – pra dizer o mínimo – com as autoridades. Especialmente no rap pelotense, que felizmente ainda não sofre (muito) com a tendência à idiotização que mais cedo ou mais tarde atinge todos os ramos da música pop. Mais raro, no entanto, é encontrar, em qualquer estilo musical, um discurso positivo e propositivo, que vá além da descrição de mazelas e abra os horizontes até na teoria. É o que traz “NaturezAÇÃO” o primeiro disco do Dirty Lion, projeto solo do rapper Garcez.

Desde o título, “NaturezAÇÃO” é um chamado à união e ao movimento para a mudança. Ao mesmo tempo em que se mostra altamamente conectado ao mundo e à atualidade, Garcez critica o progresso como nos é vendido, a “cultura da disputa e do consumo”, a alienação. Não sem reconhecer as próprias limitações como voz semi-solitária nessa batalha, ele tenta conduzir o ouvinte aos caminhos sonoros e líricos que ele mesmo trilhou.

O som tem ecos de soul, MPB, jazz, mas com vocação confessa para o reggae – o “Lion” não é por acaso. Mesmo quando não se apoiam em samples de baixos e guitarras regueiros característicos, as músicas seguem um clima relaxante equivalente. A produção de 14 das 17 faixas é de Matheus Menega, cabendo duas (“Viajante” e “4 e 20”) a Pok Sombra e uma (“Evolução”) a Perello. Garcez não só rima como canta, na maior parte das vezes com resultados satisfatórios.

Passada a intro de sons da natureza, a introdução de “Em Vão”, em voz e violão, é o primeiro momento em que o vocal escorrega. Mas o susto fica pra trás assim que entram o rap e baixo, bateria e guitarra. Lá pelo meio, o reggae toma conta e a música empolga pela primeira vez, até ser reconduzida à calmaria pelo rap classudo: “Seguem calados como cachorros amuados que não latem, não vêem além, não usam a voz que têm / E se for preciso atacam os outros, só pra poder livrar o próprio pescoço”.

A próxima faixa, “A Arte”, mostra o diferencial de Dirty Lion: é um trecho declamado de “A Necessidade da Arte”, de Ernst Fischer, popularizado na terceira parte da trilogia filmográfica “Zeitgeist”. Ela dá passagem à funkeada “Mais que Lalala”, que tem participações de Zudizilla e Pok Sombra. Quem rouba a cena, no entanto, é a doçura de Lara Rossato, com um refrão que infelizmente aparece só no final, quando podia ter intercalado as intervenções dos kzeros.

“Ordem Pós-moderna” traz na entrada e na saída trechos do discurso do artista Eduardo Marinho, viralizado no Youtube. “O trânsito é lento e a internet vai a milhão”, dispara Garcez no reggae nervoso. No refrão, “precisamos viver de modos mais naturais”. Em cabeças mais conservadoras pode parecer um paradoxo. Não é: a tecnologia sozinha não é um mal e Garcez usa os meios a que tem acesso para seus próprios objetivos. Apropria-se do sistema pra combatê-lo.

Logo após, a faixa-título a princípio é um rap mais tradicional. Contrapõe os grandes eventos, como a ECO-92 e sua sucessora Rio+20, com suas pretensas boas intenções, e os meandros da economia que sempre se impõem no final. No refrão, um violão chama a música para a brasilidade. “Evolução” também segue o esquema “beat viajante com aparições esparsas de violão” e encontra um equilíbrio entre o meio e a mensagem. É um apelo quase desesperado ao autoconhecimento, e o refrão é do tipo que leva semanas pra sair da cabeça.

“4 e 20” engana: pelo nome, se espera mais uma defesa genérica da cannabis, mas o que vem é uma história de amor sui generis. O que chama atenção do hesitante galã é que a musa de dreads lê Stuart Hall. É, não é todo dia. O refrão é outro momento em que o vocal poderia ter sido melhor trabalhado.

Um dos melhores momentos é “Atividade Rasta”, ragga puro com a participação de um conhecedor do assunto, Jimmy Luv. A música é localizada, mas a mensagem é pra todos: “Não precisa ter dread nem fazer fumaça / É só plantar o bem pra salvar a raça”. “Fator Mudança” entra distorcendo “Estação da Luz”, do já psicodélico Som Nosso de Cada Dia. Toca em tópico espinhoso ao pedir menos policiamento e mais educação, e encerra o disco num coro que funciona como resumo e última tentativa de acordar o ouvinte: “O fator mudança tá em mim, mas tá em ti”. Fica a dica.

Leia online nossa versão impressa: Março/2013

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EDITORIAL: UMA NOVA PERSPECTIVA

Depois de uma edição de transição, a renovação do e-cult se completa. A nova equipe agora toma as rédeas para tentar uma abordagem diferente sobre a cultura em Pelotas. Mais do que ser uma vitrine do que se passa, nossa intenção é fazer interpretações, traçar paralelos e emitir opinião sobre tudo o que é cultura na cidade, incentivando a evolução. Queremos também dar espaço ao despercebido, ao esquecido, e não apenas ao já consagrado.

Nesta edição, entrevistamos o quadrinista Odyr Bernardi, um inquieto pensador do seu ofício, e apresentamos a escritora Ju Lund, que está lançando seu “romance queer chick”, “Doce Vampira”. Resgatamos a lendária banda Kavalistic, direto do subsolo dos anos noventa e, finalmente, damos uma geral na vida e obra do rapper Zudizilla, que acaba de lançar seu álbum/mixtape intitulado “Luz”.

Contamos ainda com os colunistas, também já estreados na edição anterior, Guilherme e Ediane, que não são parentes apesar do “Oliveira” em comum, e inauguramos um espaço para resenhas, que pretendemos dedicar mensalmente às novidades da produção local.

Renovação e reflexão são agora as palavras de ordem no e-cult. Esperamos que seja um prazer pra vocês. Para nós, já está sendo.

(Nossa edição impressa tem uma tiragem de 4.000 exemplares, que podem ser encontrados em universidades, livrarias, padarias, cafés e pontos culturais espalhados pela cidade.)