
Qualquer jornalista da geração millennial que passou os olhos na revista Piauí_222 sentiu uma pontada de nostalgia. O ensaio do fotógrafo holandês Eddy Posthuma de Boer mostra cenas de pessoas lendo jornal impresso no banco da praça, no balcão do trabalho ou mesmo caminhando na rua. Pela data das fotos, percebemos que se trata de um cotidiano do século XX.
Não que as pessoas não leiam mais jornal impresso nos dias de hoje, mas essa leitura passou a ser mais comum dentro de casas, cafés, escritórios e gabinetes. Ver alguém na rua, no cotidiano de Pelotas, empunhando um tabloide é uma cena preciosa.
Tanto que os street photographers não deixam passar o clique quando há um leitor em um banco na Praça Coronel Pedro Osório ou em frente ao Café Aquários, onde o hábito ainda é praticado com mais frequência. A cena representa uma transição histórica, o mesmo que enxergamos quando vemos fotografias em que aparecem telefones públicos, os populares “orelhões”, hoje objetos de museu.
Os “orelhões” se extinguiram, mas ninguém deixou de telefonar. Pelo contrário, o mundo entrou na era da comunicação digital. E o jornalismo passou a circular neste aparelho que você está segurando agora. Com isso, o leitor foi levado para uma infodemia, uma pandemia causada pelo volume excessivo de notícias, que muitas vezes provoca o desinteresse pela informação de qualidade.
Nessa nova era, o mundo não cabe mais nas folhas de um jornal, mas a leitura da palavra impressa ainda proporciona vantagens cognitivas na compreensão de textos e retenção de informação. Para que as cenas dos leitores de jornal persistam por mais tempo, é preciso que o jornalismo siga fazendo o seu papel.
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Jornalista.
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