Bowing: Exposição de obras de ilustradores inspirador por David Bowie

Trabalhos autorais de cinco quadrinistas brasileiros celebram a obra do cantor inglês, em Porto Alegre.

IMG_2936_pequenaA vida e a obra de David Bowie serão homenageadas numa exposição inédita a ser inaugurada no dia 3 de junho, na Galeria Hipotética, em Porto Alegre (Rua Visconde do Rio Branco, 431 – Bairro Floresta). A ilustradora e escritora porto-alegrense Paula Mastroberti reúne-se com quatro artistas de diferentes cidades do Brasil para exibir suas interpretações e impressões da carreira do cantor, falecido em janeiro de 2016 e um dos principais nomes da cultura popular do século XX. A exposição será lançada em um jantar temático com cardápio elaborado pelo chef Marcos Cardozo, também um fã de David Bowie e chef de cozinha contemporânea antirrestaurante.

IMG_2933_pequenaOs artistas participantes da mostra, além de Paula Mastroberti, são: Lila Cruz, de Salvador/BA; José Aguiar, de Curitiba/PR; Fabio Lyra, do Rio de Janeiro/RJ; Samanta Flôor, de Porto Alegre/RS.Todos são conhecidos e premiados por seus trabalhos na produção de histórias em quadrinhos e nutrem admiração pelo artista britânico. As ilustrações, em tamanhos A3 e A4, produzidas em técnicas diversas como pintura digital, nanquim e aquarela, celebram Bowie com a paixão e a reverência que o artista merece.

O jantar de lançamento acontece no dia 3 de junho, às 19h30min, mediante ingresso de R$ 35,00 e limitado a 50 pagantes. As entradas devem ser compradas antecipadamente na galeria. Confira o menu abaixo:

Entrada:
Aladdin Sane
Salada de lentilhas com tomilho e balsâmico; moranga, beterraba e queijo cremoso.

Prato principal:
China Girl
Arroz assado, crocante, com molho agridoce de abacaxi, grão-de-bico, cenoura, pimentão e cebola.

Sobremesa:
Let’s Dance
Ganache (chocolate meio-amargo com creme de leite), com toque cítrico de laranja e base de farofa de amendoim doce.

Sobre os artistas

Paula Mastroberti, Porto Alegre/RS
Artista plástica, escritora, ilustradora e quadrinista, com 11 obras publicadas, e também professora do Instituto de Artes da UFRGS. Entre suas publicações na área dos quadrinhos destacam-se “Adormecida: cem anos para sempre” e a participação na antologia gráfica “Osmose: o Brasil e a Alemanha em quadrinhos”, uma publicação bilíngue promovida pelo Goethe Institut de Porto Alegre. Como escritora e ilustradora, entre seus trabalhos mais conhecidos estão “Cinderela: uma biografia autorizada”, pelo qual recebeu o prêmio Açorianos em literatura infanto-juvenil, e “Heroísmo de Quixote”, Prêmio Jabuti na categoria Juvenil. “Minha relação com David Bowie pode ser resumida nessa frase, publicada originalmente no jornal Zero Hora em 17 de janeiro de 2016: ‘Saber que ele existiu me faz bem’.”

José Aguiar, Curitiba/PR
Premiado quadrinista, pela sua editora independente Quadrinhofilia publicou as séries Folheteen e Vigor Mortis Comics. Publicou também na França, Portugal. Alemanha e Itália. É cocriador dos premiados eventos Cena HQ, projeto de leituras dramáticas de HQs no teatro e também da Gibicon. Foi indicado ao Prêmio Jabuti pelo seu livro “Reisetagebuch – Uma Viagem Ilustrada pela Alemanha”. Publica as tiras Folheteen e Nada Com Coisa Alguma na revista cultural Curitiba Apresenta e no jornal Gazeta do Povo. Também é autor da webcomic A Infância do Brasil, que narra nossa história pela perspectiva da infância (www.ainfanciadobrasil.com.br).

Fabio Lyra, Rio de Janeiro/RJ
Ilustrador e quadrinhista. Cria HQs POPs sobre gente normal e encara seus quadrinhos como se fossem canções de um álbum com a trilha sonora da sua vida. Publicou HQs em um monte de publicações. Entre elas: Clube do Single Volume 1: The Concept, Menina Infinito #1, Surfista Calhorda, Golden Shower, +Soma, Café Espacial, e MOSH!; além de participar da antologia “Irmãos Grimm em Quadrinhos” e “MSP50”. Também edita a revista Smegma Comix e foi um dos editores da antologia Surfista Calhorda, além de ter co-editado a edição 2 da revista Golden Shower. Vencedor do troféu HQMIX 2006 e Ângelo Agostini 2008.

Samanta Flôor, Porto Alegre/RS
Autora e ilustradora freelancer. Entre suas publicações destaca-se o “Astronauta de Pijama”, um livro infantil em quadrinhos e sem palavras; “Toscomics”, série de tirinhas autobiográficas; “Chance”, com roteiro de Diogo Cesar; “Click” e “Três”, ambos independentes, e várias coletâneas como “MSP Novos 50”, “Memórias de Mauricio”, “SPAM”, “Guia do Falido”, “Aqui e Acolá” e algumas edições de “Café Espacial”. O amor por David Bowie surgiu quase ao mesmo tempo que o amor aos quadrinhos, quando viu Jareth pela primeira vez. www.samantafloor.com.br.

Lila Cruz, Salvador/BA
Jornalista e ilustradora. Já realizou duas exposições solo e fez a curadoria de uma exposição de artistas mulheres em Salvador, que reuniu os trabalhos de cerca de 30 autoras. Publicou seu primeiro zine em 2013, e em 2015 lançou o Projeto Quadrada para acabar montando sua própria editora de publicações especiais. Foi aí que imprimiu, ao todo, 900 revistas, 300 de cada título, numa Risograph em casa. Conheceu Bowie lá no início da adolescência, ao assistir “Cristiane F.” e ouvir a versão do filme para Heroes. Depois disso, gravou a música em fita K7 e caçou o disco homônimo à música até encontrá-lo num sebo de Salvador. À medida que sua relação com Bowie ficou mais séria, passou por Life on Mars, The Man Who Sold The World e Lady Stardust, para ter seus vinte e poucos anos definidos por uma única frase de Queen Bitch. Atualmente tem um relacionamento sério com Lazarus.

BOWING: abertura da exposição e jantar elaborado por Marcos Cardozo
Quando: 3 de junho, 19h30min.
Onde: Galeria Hipotética (Rua Visconde do Rio Branco, 431 – Bairro Floresta – Porto Alegre/RS).
Quanto: R$ 35,00 (para participar do jantar temático, entrada antecipada no local).
Contato: Galeria Hipotética, 51 3013.2015, contato@hipotetica.com.br.
A exposição fica aberta ao público até o dia 2 de julho.

convite

Entrevista: Cássio Pantaleoni, autor de “De Vagar o Sempre”

Nome freqüente em feiras de livro e em eventos literários pelo Rio Grande do Sul, o pelotense Cássio Pantaleoni é um escritor de prosa autêntica e original. Suas histórias são ricas em delicadeza e em personagens tridimensionais que refletem as angústias humanas diante da fé, do mistério e da fragilidade da vida.

Foto Divulgação
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Autor premiado e assíduo finalista em concursos de literatura, Pantaleoni conversou com o eCult sobre sua escrita, suas inspirações e sua relação com a literatura brasileira. Confira!

“De Vagar o Sempre” é uma obra carregada de um lirismo que conduz o leitor a um cenário já explorado por ti em outras obras. Por que o sertão, por que o interior brasileiro apela tanto a tua escrita?
Na verdade, não há um sertão nos contos. O que há são lugares imaginados no interior da região sul do Brasil que fizeram parte da minha infância. Eu coloquei um olhar infantil nesses lugares que existem de fato, olhar esse que empresta o nome que uma criança poderia usar. Por exemplo, no conto “Algo Tão Doce” o cenário é de uma cidade chamada Faxinal do Soturno, que fica perto de Santa Maria. No conto, a cidade está rebatizada como Salto Propício, que referencia um episódio da minha infância. O mesmo ocorre com o internato do conto “Suspenses Suspensos”. Eu estudei em uma escola onde havia um internato na minha infância e lembro que para ir até lá eu precisava ir meio que sorrateiro, com os meus amigos, por isso o lugar se chama Sorrateiros. Mas aí há outro elo com a história, porque aquilo que é contado se dá de maneira “sorrateira”. Ou seja, os meus cenários narrativos são imagens colecionadas na minha infância e que eu nomeava de improviso, nem sempre eu sabia o nome real do lugar ou da praça.

Há ecos de um Riobaldo, de um narrador semelhante ao de “Grande Sertão: Veredas”, em “De Vagar o Sempre”. Por que espelhar a tua obra na de um representante de uma geração anterior a tua?
Talvez haja alguma aproximação com o tipo de narrador que Riobaldo representa, mas na verdade, se essa percepção se dá, é meramente porque a escrita atual abandonou a sofisticação expressiva, que havia em Riobaldo e outros, em prol de uma comunicação mais imediata do sentido. Creio que, ao revigorar a linguagem e buscar em suas sombras a possibilidade de uma significação que depende da “demora” na interpretação, o leitor mais apressado tentará categorizá-la como não-tradicional. Nesse sentido, o que é o não-tradicional? Para mim é um conjunto de escritores que depositaram em suas obras a preocupação com o modo de dizer, ao invés de simplesmente, dizer o que pode ser dito. Se concordamos que essa não é uma preocupação atual da maioria dos escritores, então estou disposto a concordar que me aproximo de uma geração anterior. Porém, não entendo isso dessa maneira. Acho que escritores como Valter Hugo Mãe, Alessandro Baricco ou Alberto Farias estão engajados com a linguagem do mesmo modo que eu e escritores “da geração anterior” estamos. Essas categorias só aparecem assim porque, creio, há alguns escritores que creem que a literatura como tal é sempre linguagem. Como dizia Ezra Pound: “Literatura é linguagem carregada de significado”. Os meus narradores almejam carregar sua linguagem com significados que precisam ser interpretados e não somente lidos.
A tua prosa busca e alcança as miudezas da vida, o que nela há de mais singelo. Essa estética pode comover o leitor brasileiro atual ou a tua intenção é outra?
Eu realmente não tenho a pretensão de comover o leitor brasileiro atual. Minha pretensão é representar a vida por certo olhar de quem vê que não existe um lado com razão e outro sem razão. Todas as minhas histórias estão desprovidas, pelo menos a maioria, de uma intenção de dizer de que eu, ou seja lá quem for, estou com a razão. A vida é assim, sempre em si mesma uma razão. A estética é a razão da vida porque há alguém que a pensa como necessária. Eu também poderia dizer que a estética é como a vida: necessária. Assim são minhas histórias, elas são aquilo que é necessário para mim: uma representação de uma razão débil por detrás de tudo o que justificamos para nos comportar do modo como nos comportamentos. Se alguém encontrar algum valor nisso, claro que eu ficarei feliz. Se eu encontrar leitores, ainda que poucos, então saberei que não estou sozinho. A solidão é sempre uma ameaça.

A popularização das oficinas de literatura e escrita criativa e a facilidade de publicação que existe atualmente parecem indicar que há um enorme interesse pelo ofício de escritor. Você acha que isso é um modismo ou é evidência de uma mudança na maneira com que os brasileiros se relacionam com a palavra escrita?
De uma maneira geral, a carreira de escritor é vista como um atalho para a notoriedade, quero dizer, para que alguém possa valorizar-se enquanto profissional em certa área. Como todos os seres humanos têm histórias para contar, cada um de nós pensa que sua história possui um caráter único, o que em grande medida é verdade. As oficinas passam a ser assim um local para todo o tipo de aspirante à carreira. Evidentemente, há aqueles que refinaram o seu talento para contar histórias, porque primeiramente refinaram sua experiência de leitura e sua relação com a linguagem. Porém há também aqueles que decidem se pôr na escrita sem o domínio da linguagem e sem a experiência da leitura. A própria disponibilidade de oficinas também está sustentada pela facilidade em oferecer um serviço que não é regulamentado e que não causa qualquer dano. Pelo contrário, as oficinas são ponto de encontro, lugar onde se pode trocar ideias. Sempre que falo sobre isso eu proponha a seguinte reflexão: por que não há na mesma proporção oficinas de português, oficinas de matemática, oficinas de química? E por outro lado, por que não há uma procura tão intensa para essas prováveis oficinas? Creio que porque em larga escala as pessoas estão ali antes de tudo pelo convívio, pela conversa e pelas histórias. Nós gostamos de ouvir e contar histórias do mesmo modo que nossos antepassados sentavam em torno do fogo para ouvir e contar histórias.

O que os seus contatos com estudantes de diversas escolas pelo Rio Grande do Sul lhe dizem a respeito da relação dos jovens com a literatura atualmente?
Igual a tudo na vida, há dois lados nessa experiência. Os jovens, em geral, estão mais abertos à leitura fácil de absorver. Eles estão identificados com o ritmo das redes sociais. Se a história é boa e fácil de absorver, eles leem. Por outro lado, o que tenho descoberto é um grande contingente de alunos que lida muito bem com textos onde a sutileza dos sentidos se articulam para promover a história de maneira menos imediata, ou seja, provocando-os a pensar. Para esse grupo, a literatura se apresenta como possibilidade de sofisticar a interpretação do mundo. Parece-me que o grande aspecto da relação dos jovens com a literatura é que certos livros em verdade promovem um descaso, pois não apresentam nada que eles, jovens, não seriam capazes de contar do modo como é contado. Quando o jovem descobre no livro uma dimensão mais profundamente humana, ele tende a se identificar mais com a leitura e, assim, recorre a literatura mais frequentemente. Nem todo o jovem gosta de ler, mas aquele que efetivamente gosta de ler vai procurar livros que o inspire.

Capa - De vagar o sempreDe Vagar o Sempre
Autor: Cássio Pantaleoni
Páginas: 128 p.
Tamanho: 14cm X 21cm
ISBN: 978-8555-270116
Preço de capa: R$ 30,00
Editora: Edições BesouroBox

Com lirismo e delicadeza, Cássio Pantaleoni conta histórias de fé, medo, infância e superstição

“De Vagar o Sempre” é um dos trabalhos mais elaborados e sensíveis do premiado autor gaúcho.

Já chegou às livrarias a obra mais recente de Cássio Pantaleoni. A coletânea de contos “De Vagar o Sempre” oferece algumas das melhores histórias já criadas pelo autor, conhecido pelos contos repletos de lirismo e sensibilidade. Neste lançamento, o leitor é conduzido por cidades fictícias habitadas por personagens que transitam na fronteira entre uma vida que às vezes é ordinária e banal e, em outras vezes, surpreendente e delicada.

Capa - De vagar o sempreCom a escrita precisa de Pantaleoni, os contos de “De Vagar o Sempre” desacomodam o leitor ao propôr um pacto de leitura que exige uma atenção redobrada. A obra explora um lirismo de cores rústicas que contrasta com as sutilezas de personagens ricos em sua subjetividade. A subjetividade, aliás, é a grande força de “De Vagar o Sempre”: é à serviço dela que o autor coloca a linguagem. Ao deparar-se com a necessidade de significados que escapam às palavras, Pantaleoni recorre, com a competência poética pela qual é reconhecido, à ressignificação e reinterpretação de palavras: “o autor propõe um novo léxico, de que precisamos nos apropiar e que em nada tem a ver com as palavras que antes conhecíamos de cor e salteadas. Isso, em si, já é uma provocação e um desafio: não haverá de ser com as palavras de todo-dia que leremos os contos de Pantaleoni”, afirma a escritora Valesca de Assis na orelha do livro.

A prosa de “De Vagar o Sempre” busca e alcança as miudezas da vida, o que nela há de mais pueril e singelo. O cenário das histórias é recorrente na obra do autor: lugares em que o tempo se demora, lugares de “gente com fé ribeirinha”, lugares em que personagens têm sua fé desafiada, como são desafiados os leitores de “De Vagar o Sempre”:

— Eu realmente não tenho a pretensão de comover o leitor. Minha pretensão é representar a vida por certo olhar de quem vê que não existe um lado com razão e outro sem razão. Todas as minhas histórias estão desprovidas de uma intenção de dizer de que eu, o autor, estou com a razão. A vida é assim, sempre em si mesma uma razão — reflete o autor.

“De Vagar o Sempre” está à venda pelo site www.besourobox.com.br e nas melhores livrarias do Brasil.

Sobre o autor

Foto Divulgação
Foto Divulgação

Cássio Pantaleoni é escritor, Mestre em Filosofia, vencedor do II Prêmio Guavira de Literatura concedido pela Fundação de Cultura do Matro Grosso do Sul pela coletânea de contos “A Sede das Pedras”. Três vezes finalista do Prêmio SESC DF de Literatura, duas vezes finalista do Prêmio Livro do Ano da Associação Gaúcha de Escritores, segundo lugar no 21º Concurso de Contos Paulo Leminski. Desenvolve oficinas sobre literatura e criatividade e palestras sobre criação literária, leitura, interpretação, filosofia e literatura em escolas públicas e privadas. Mantém workshops exclusivos sobre técnicas de narrativa.

“De Vagar o Sempre”
Capa - De vagar o sempreAutor: Cássio Pantaleoni
Páginas: 128 p.
Tamanho: 14cm X 21cm
ISBN: 978-8555-270116
Preço de capa: R$ 30,00
Editora: Edições BesouroBox

Fonte: Vitor Diel

Literatura, paixão e vida: livro que celebra a obra de Maria Dinorah ganha lançamento em Porto Alegre

Publicação apresenta textos da escritora gaúcha, entre poemas célebres, manuscritos, primeiras versões e aforismos, junto a ilustrações e fotografias, unidos por pesquisadora de acervo da PUCRS.

Uma das mais admiradas e profícuas autoras de livros infantis que o Rio Grande do Sul já teve, Maria Dinorah e sua memória serão celebradas em uma ocasião especial. A antologia “Maria Dinorah Luz do Prado: Que falta que ela nos faz” ganha sessão de autógrafos no dia 18 de dezembro, a partir das 19h, na Livraria Cultura do Bourbon Shopping Country (Av. Túlio de Rose, 80, Porto Alegre/RS). Participam do evento a organizadora da obra Patrícia Pitta, estudiosa do espólio da autora, e os filhos da escritora, Luiz Carlos, Maria Luiza, Beto e Carmen.

Capa_Maria Dinorah_menor“Maria Dinorah Luz do Prado: Que falta que ela nos faz” divide-se em quatro partes apresentadas pelos filhos da autora, responsáveis pela seleção dos textos e de materiais como manuscritos, fotografias do acervo familiar, poemas inéditos e versos livres. A obra é resultado de minuciosa pesquisa realizada por Patrícia Pitta. Mestre e doutora em Teoria da Literatura pela PUCRS, a pesquisadora contou com o apoio do CNPq, através da concessão da bolsa de pesquisa PDJ, por ocasião de seu pós-doutoramento em Letras. Patrícia valeu-se de documentos do Acervo Maria Dinorah, situado no DELFOS – Espaço de Documentação e Memória Cultural da PUCRS, e de materiais do acervo da família, em parceria com os herdeiros dos escritos de Maria Dinorah. O resultado são 168 páginas de materiais organizados de acordo com a memória dos filhos da autora. O envolvimento da família na publicação faz com que a obra seja carregada de uma afetividade dificilmente presente em pesquisas acadêmicas do gênero.

Livro é um tributo à vida e ao trabalho de um dos principais nomes da literatura para crianças no RS

Uma das primeiras escritoras a pensar a literatura para crianças e adolescentes no Rio Grande do Sul, Maria Dinorah fez parte da formação de várias gerações de pequenos leitores de todo o Brasil. A autora, que também era colunista de jornal, contadora de histórias e professora por formação, dedicava-se tanto à criação artística quanto à aproximação dos autores aos leitores e às escolas. Qualquer atividade à qual se dedicasse, era exercida sempre com o amor e a delicadeza que o universo infantil exige. Por isso, o impacto de seu trabalho transcende as décadas e encontra neste livro uma nova forma de aproximar-se de estudiosos e leitores — mérito do pioneirismo da autora:

— Maria Dinorah foi uma pioneira da literatura. Aqueles que vivenciam o mundo literário, principalmente o pensado para a criança no Rio Grande do Sul, são seus devedores. Os esforços da escritora gaúcha pela propagação da obra voltada ao público infantil legaram uma condição de proximidade entre escritor e leitor que permite um maior alcance do texto literário sobre contexto sociocultural. Há, portanto, que se reverenciar sua figura, e a organização de uma obra com seus registros, rascunhos, poemas, aforismos, enfim, suas marcas, foi a forma encontrada para prestar um tributo à memória daquela que redesenhou significativamente o cenário cultural sul-rio-grandense — explica a pesquisadora Patrícia Pitta.

Sobre Maria Dinorah
foto_16Professora por formação, contadora de histórias, ativista cultural, colunista de jornais e escritora, Maria Dinorah Luz do Prado foi uma das primeiras figuras a pensar a literatura infantil e infanto-juvenil no Rio Grande do Sul. Nascida em Porto Alegre, em 13 de maio de 1925, filha de Antônio Luz e Adylles Dinorah Britto Luz, aos três anos de idade, muda-se para Colônia de São Pedro, próxima a Torres. Em 1931, a família se estabelece na cidade de Torres, onde ela passa sua juventude, voltando à região metropolitana apenas em 1938, agora na cidade de Gravataí. Casa-se com Luiz Bastos do Prado em 1944 e com ele tem seus quatro filhos. Fica viúva em 1964 e se estabelece em Porto Alegre em 1966. Alfabetizadora logo no início de sua vida profissional, graduou-se em Letras pela Faculdade Porto-Alegrense de Filosofia, Ciências e Letras em 1973. Trabalhou como professora de Português e alfabetizadora de 1965 até 1989, na Escola Diogo de Souza, em Porto Alegre, e na Escola Agrícola de Cachoeirinha. Mestre em Letras pela UFRGS em 1978, publicou mais de cem livros entre 1944 e o final dos anos 90, maior parte composta por poemas e literatura para crianças e adolescentes.

Sua produção está situada entre as publicações de literatura infantil de maior êxito junto ao público escolar e Dinorah foi a autora gaúcha mais produtiva e mais lida nesta área. Seu trabalho, rico em lirismo e delicadeza, foi reconhecido por nomes como Erico Verissimo, Carlos Nejar, Luiz Antonio de Assis Brasil, Mario Quintana, Antônio Hohlfeldt, Carlos Drummond de Andrade e Caio Fernando Abreu. Ao longo dos 50 anos de carreira, colecionou prêmios e distinções, como o Jabuti em 1992 e o patronato da Feira do Livro de Porto Alegre em 1989 (primeira vez destinado a uma mulher), além do reconhecimento pela Fundação Nacional Livro Infantil e Juvenil, Feira do Livro de Bolonha, na Itália, e Instituto Jean Piaget, em Lisboa. O espólio relativo à vida literária de Maria Dinorah foi doado à Biblioteca Central Irmão José Otão, em 2009 e hoje se encontra no Delfos – Espaço de Documentação e Memória Cultural da PUCRS. Entre seus principais títulos, estão: “Pinto verde e outras histórias” (1973), “O macaco preguiçoso e outras histórias” (1975), “O cata-vento” (1980), “Barco de sucata” (1986), “Panela no fogo, barriga vazia” (1986), “O ontem do amanhã” (1988), “Guardados de afeto” (1990) e “Um pai para Vinícius” (1995). Maria Dinorah faleceu em 15 de dezembro de 2007, em Porto Alegre, em virtude de complicações respiratórias. Em 2015, completaria 90 anos.

Serviço
O QUE: Sessão de autógrafos do livro “Maria Dinorah Luz do Prado: Que falta que ela nos faz”, organizado por Patrícia Pitta.
QUANDO: 18 de dezembro, a partir das 19h.
ONDE: Livraria Cultura – Shopping Bourbon Country (Av. Tulio de Rose, 80, Porto Alegre/RS)

Saiba mais!
“Maria Dinorah Luz do Prado: Que falta que ela nos faz”
Organização: Patrícia Pitta
Editora: Arte em Livros
ISBN: 978-85-69858-00-3
Páginas: 168 p.
Tamanho: 23 cm X 20,5 cm.
Preço: R$ 89,00

Fonte: Vitor Diel

Jornalistas e escritores debatem a literatura contemporânea do Rio Grande do Sul

Primeiro evento promovido pela fan page Literatura RS integra a programação da Semana do Livro.

Acontece no dia 22 de abril, às 19h, na Palavraria Livros & Cafés (R. Vasco da Gama, 165, Porto Alegre/RS), o debate “Literatura RS: A escrita contemporânea e o mercado editorial do Rio Grande do Sul”. A iniciativa é o primeiro evento promovido pela página do Facebook Literatura RS. Os participantes são o jornalista Carlos André Moreira, editor do caderno PrOA da Zero Hora, crítico literário e autor de “Tudo o que fizemos” (Leitura XXI, 2009); a doutora em Teoria da Literatura pela PUCRS e autora de “Ainda é céu” (Patuá, 2015) Gabriela Silva, e o assessor de imprensa dedicado ao mercado literário e editor da fan page Literatura RS, Vitor Diel. No debate, será discutida a literatura produzida e editada atualmente no Rio Grande do Sul, o mercado de livros e a cultura literária do estado. O evento tem entrada gratuita e faz parte das comemorações da Semana do Livro no Rio Grande do Sul.

Lançada em dezembro de 2014, a fan page Literatura RS publica conteúdo próprio e compartilha links e informações sobre a literatura gaúcha e o mercado editorial do Rio Grande do Sul. Na pauta da página, estão lançamentos de autores e editoras gaúchas; entrevistas exclusivas com escritores, editores, ilustradores e quadrinistas; calendário de feiras, eventos e oficinas espalhadas pelo Estado, e a divulgação de autores em literatura de ficção, quadrinhos, literatura infantil, pesquisas acadêmicas, poesia, crônica, livros-reportagem e outros gêneros. Autores gaúchos ou residentes no Rio Grande do Sul ainda não publicados também têm espaço, possibilitando a divulgação de novos talentos e sua aproximação com leitores e editores.

A página tem a intenção de concentrar informações sobre o sólido e diversificado mercado literário gaúcho, abordando tudo o que movimenta o livro e a leitura no Estado. Sugestões de pauta podem ser enviadas via inbox ou pelo e-mail vitor.diel@gmail.com.

Participantes
Carlos André Moreira nasceu em São Gabriel em 1974. É jornalista, crítico literário e editor do caderno PrOA de Zero Hora. Mestre em Literatura Portuguesa pela UFRGS. Publicou o romance “Tudo o que fizemos” (Leitura XXI, 2009) e já teve contos incluídos em revistas e antologias como “Ficção de polpa” (Não Editora, 2008) e “Tu, Frankenstein II” (BesouroBox, 2014). Mantém e edita o blog Mundo Livro.

Gabriela Silva nasceu em São Paulo em 1978, mas há muito tempo é gaúcha. Formada em Letras na FAPA, é especialista em Literatura Brasileira pela PUCRS, especialista em “Leitura: teoria e prática” na FAPA e mestre e doutora em Teoria da Literatura pela PUCRS. Ensina literatura para quem gosta de ler. Lê com quem gosta de viver na literatura. É professora de criação literária e de literatura. É autora de “Ainda é céu”, livro de poemas, publicado pela Editora Patuá (2015).

Vitor Diel é jornalista, nascido em Porto Alegre, em 1982. Assessor de imprensa dedicado ao mercado editorial, autor da coletânea de crônicas “Granada” (Armazém de Livros, 2008) e co-editor de “Pé de Sapato: histórias de muitas histórias” (Armazém de Livros, 2007). Participa da coletânea de contos “101 que contam” (Nova Prova, 2004) e já teve artigos publicados em jornais e revistas como Zero Hora e Revista Simples. Cursa Especialização em Literatura Brasileira na UFRGS e edita a fan page Literatura RS.

Serviço
Literatura RS: A escrita contemporânea e o mercado editorial do Rio Grande do Sul
Quando: Dia 22 de abril, às 19h.
Onde: Palavraria Livros & Cafés (R. Vasco da Gama, 165, Porto Alegre/RS).
Entrada gratuita.

Saiba mais!
Página do Facebook Literatura RS
Onde: http://www.facebook.com/literaturars
Contato: vitor.diel@gmail.com