Ira! desnuda suas canções no Theatro Guarany em Pelotas

Na quinta-feira, 08, Pelotas ingressou na lista das cidades privilegiadas com o show “Ira! Folk”, que faz uma reinvenção acústica do repertório da banda fundada nos anos 80.

Foto: Marcelo Fialho
Foto: Marcelo Fialho

O projeto tem “edição limitada” e não deve virar DVD, o que configura a atual turnê como oportunidade única para os interessados. O repertório da noite replicou os shows anteriores, exceto pelas variações no bis e, sobretudo, na performance quente do trio Edgard-Nasi-Daniel. Os esperados hinos como “Envelheço Na Cidade” e “Núcleo Base” convivem com sucessos mais recentes como “O Girassol”, e faixas subestimadas dos discos.

Impressiona a evolução dos arranjos desde o arranque do projeto, em Curitiba, em maio deste ano. A proposta é bem mais minimalista do que o Acústico MTV, de 2004, que trazia para o palco uma verdadeira orquestra de músicos. Aqui tudo se resume a dois instrumentos de cordas e harmonizações vocais – ou quase. A opção folk não levou Edgard a abrir mão de alguns pedais, e o peso roqueiro irrompe pelos amplificadores Marshall em vários momentos. Assim é o solo blueseiro ao final de “Tolices”, uma daquelas confissões da adolescência do guitarrista, que há 30 anos é escolhido o melhor do Brasil pela imprensa especializada, posto que manteve em recente enquete da Rolling Stone nacional.

De colete e camisa social, Nasi remete à elegância de Al Pacino e Leonard Cohen, e é todo animação com a resposta da platéia. Conversa entre as músicas, responde a palavras de ordem (nem sempre audíveis do palco), e em gratidão, deixa o público ser o cantor principal diversas vezes, como na metade final de “Eu Quero Sempre Mais”.

Foto: Marcelo Fialho
Foto: Marcelo Fialho

E assim o Ira! desfila, por mais de hora e meia, suas canções mais ou menos da forma que eram quando foram compostas, porém enriquecidas com improvisos que jamais se repetem de uma apresentação para outra. É o caso de “Dias De Luta”, que desde os dedilhados do solo inicial, vem tão flamenca que só faltou Nasi tocar castanholas – mas com uma meia-lua ele mandou bem no recado.

Foto: Marcelo Fialho
Foto: Marcelo Fialho

Além de vida nova nos arranjos, algumas músicas ganham também a chance de sair do lado B da discografia da banda. Entre elas, “Mariana Foi Pro Mar”, simpática estorinha de protagonismo feminino, que em 2007, com a implosão do Ira!, teve seu potencial de sucesso abafado às vésperas de ganhar as rádios como segundo single do álbum Invisível DJ. Outros resgates são “Perigo”, de 1993, um rockão que virou uma neo-bossa; “Receita Para Se Fazer Um Herói”, que agora soa claramente como o reggae que sempre foi (o único do Ira!), e a brisa psicodélica de “Manhãs de Domingo”. As duas últimas foram pinçadas de Psicoacústica, uma ousadia com toque experimental que a banda lançou em forma de vinil em 1988, e que foi precursora de muito do que viria a ser feito no rock brasileiro. Do mesmo disco, em outro ponto alto da noite, a iluminação se torna cor-de-sangue para anunciar o “Rubro Zorro”, formidável “faroeste sobre o terceiro mundo” que trata de João Acácio Costa, o “bandido da luz vermelha” brasileiro.

A interação se manteve em altos níveis adrenais até o bis. Seja cantando, batendo palmas ou estalando os dedos ao comando de Edgard, o público em Pelotas fez por merecer a exclamação de Nasi de que “todos nós somos o Ira!”, além do convite do cantor para “um abraço e um autógrafo” no camarim pós-show.

Setlist
01 Um Dia Como Hoje
02 Dias de Luta
03 Flerte Fatal
04 Quinze Anos
05 Perigo
06 Receita Para Se Fazer Um Herói
07 Manhãs de Domingo
08 Girassol
09 Eu Quero Sempre Mais
10 Culto de Amor
11 Tarde Vazia
12 Mariana Foi Pro Mar
13 Tolices
14 Flores Em Você
15 Boneca de Cêra
16 Rubro Zorro
17 Mudança De Comportamento
18 Envelheço Na Cidade
Bis
19 Prisão Das Ruas
20 Bebendo Vinho
21 Vida Passageira
22 Núcleo Base

Ira! Folk – Entrevista exclusiva com o cantor Nasi

Banda retorna a Pelotas em formato voz e violão. Vocalista degustou quitutes na Fenadoce 2014 e se revela fã do S.C. Internacional dos anos 70.

Dois anos depois, eles estão de volta. Mas voltaram diferentes. Na quinta-feira, 08, a banda Ira! desembarca em Pelotas com seu atual projeto acústico, o show Ira! Folk. O formato vozes e violões em trio divide a agenda com as apresentações elétricas como quinteto, forma em que se apresentaram na Fenadoce de 2014.

Foto Divulgação
Foto Divulgação

Entre as performances do Ira! na cidade, aquela congelante noite de junho no Pavilhão de Eventos é a que permanece mais vívida nas recordações do cantor Nasi Valadão, conforme o próprio relata em entrevista ao E-Cult: “me lembro mesmo, bem intensamente é essa (apresentação) de 2014, que era a Festa do Doce, realmente estava muito frio (risos), tava um frio animal ! Muita gente, foi um show bacana, todo esse aspecto de um show, com doces – o camarim foi bem açucarado!”, brinca o músico.

Se a turnê do Acústico MTV (2004) trouxe o Ira! à danceteria que funcionava no antigo Theatro Avenida, desta vez a banda pisará pela primeira vez no palco centenário do Theatro Guarany, com uma outra proposta de som desplugado, conforme avalia Nasi: “Esta experiência está sendo ótima, porque é algo diferente do que a gente fez. Apesar de termos tido experiência com o Acústico MTV, é um show muito diferente. No Acústico MTV, tínhamos dois violões, piano, violoncelo, bateria, ´baixolão´, percussão – apesar de serem instrumentos acústicos, era muito volume de som. Agora são só as vozes e dois violões, então a gente trabalha mais com o silêncio, é uma relação mais íntima com o público. É um show onde se destaca mais a parte dos vocais, valoriza letra e melodia, os vocais precisam estar super-afinados. Acho que mostra mais essa característica do Ira! de dueto vocal, meu e do Edgard, vocais bem-casados. Está sendo uma experiência bacana pra gente, que continua na estrada com um show de rock and roll, dar uma variada assim. É estimulante pra gente, esses ambientes, esse tipo de shows diferentes”, pondera o músico.

Entre sucessos de FM e faixas semi-obscuras resgatadas à luz, o repertório folk escolhido a dedo não impede eventuais surpresas. “Trabalhamos com um setlist oficial, fruto de pesquisa, de testes, a sequência das músicas todas que envolvam o público, mesmo porque não seria justo mostrarmos em Pelotas um show diferente do que mostramos em São Paulo ou Belo Horizonte. Agora, num bis, eventualmente, a gente pode tirar da manga uma música ou outra que não estão no setlist, isso aconteceu algumas vezes. Por exemplo: ´Bebendo Vinho´ a gente costuma tocar no bis, quando vamos pro Rio Grande do Sul, então com certeza aí a gente vai cantá-la no bis”, adianta Nasi.

Laços gaúchos
As turnês em território gaúcho têm um sentido especial para o Ira!, a começar pelos laços genealógicos – o pai do guitarrista Edgard nasceu em Bagé e a cidade acabou sendo cenário de um momento de virada na banda, mencionado na biografia “A Ira de Nasi” (2012), e que ele volta a relatar com mais detalhes: “Naquele momento (1985) o Ira! passava por uma transformação. O Charles Gavin havia saído da banda e ainda não tinhamos decidido quem seria o baterista. O Gaspa tinha entrado oficialmente na banda, no lugar do Dino, mas não tinha feito nenhuma apresentação com a gente. O pai do Edgard estava morando em um sítio em Bagé, e a gente resolveu ficar literalmente ´Longe de Tudo´ para juntos sentarmos, pensarmos como seria essa transformação, essa nova fase, nova formação… na escolha, as opções de baterista, qual o estilo que a gente queria. Foi realmente um distanciamento, a gente ficou num ambiente familiar, o sítio dos pais do Edgard. Foi uma viagem prazerosa que deu pra gente a energia necessária para voltar e reinventar o Ira!”. Após esta viagem, a banda chamou André Jung para a bateria, completando a formação que durou duas décadas e gravou quase toda a discografia oficial até o momento.

Por outro lado, o Ira! sempre demonstrou afinidade com roqueiros gaúchos, tendo gravado composições de Flávio Basso, Wander Wildner e Frank Jorge. Nasi explica essa química musical: “Nos identificamos muito com o rock gaúcho, com o estilo de humor, muito próximo do humor inglês, e referências que a gente gosta, o rock inglês, os anos 60.

Foto Divulgação
Foto Divulgação

Tivemos essa facilidade de fazer versões de artistas gaúchos, diferente de outras regiões do país. Atualmente, não é uma banda tão jovem assim, mas é uma banda contemporânea, de uma geração diferente dessas que a gente já regravou, que a gente gosta muito, é o Cachorro Grande. Adoramos quando temos oportunidade de tocar junto com eles, quando nos encontramos. Eles lançaram o disco Electromod que está sendo muito bem falado e é realmente muito bom, acho que são grandes representantes da escola gaúcha de rock and roll”.

Até o futebol gaúcho desperta especial interesse em Nasi, que já atuou como comentarista esportivo em rádio e televisão. “O Gre-nal é o clássico mais emblemático do Brasil, mais até do que os clássicos paulista, mineiro, carioca… principalmente porque a cidade é dividida entre Grêmio e Internacional. Às vezes me chama atenção, é a impressão de quem está de fora, que não existe a violência entre essas torcidas nos clássicos que a gente vê tão comumente aqui em São Paulo, quando joga São Paulo, Corinthians, Palmeiras”, avalia o artista.

Provocado pelo E-Cult a revelar seu time gaúcho favorito, Nasi confessa: “É até engraçado. Por eu ser torcedor do tricolor paulista, eu deveria ter uma inclinação para torcer pelo tricolor gaúcho. Mas acontece que eu fui muito fã do Rubens Minelli, e do time do Internacional dos anos 70, bicampeão nacional, aquele time que tinha Caçapava, Batista, Falcão, Escurinho, Manga. Tanto que o Minelli foi bicampeão no Internacional, saiu, foi pro São Paulo e deu o primeiro título brasileiro para o São Paulo, em 77. Então ficou marcado, eu tenho essa simpatia. Atualmente, claro que isto está distante, mas sempre fui muito fã desse time dos anos 70 do Internacional”.

Presente e futuro
O Ira! Folk traz o “núcleo-base” do Ira! de todas as épocas, Nasi (voz) e Edgard Scandurra (violões e vocais), acrescido de Daniel Scandurra, filho de Edgard, no segundo violão. São três quintos da formação eletrificada – esta conta ainda com Johnny Boy Chaves e Evaristo Pádua – com que o Ira! retornava em 2014 de um hiato de sete anos para o que seria uma de suas fases mais movimentadas on the road: “Em pouco mais de dois anos, fizemos quase 200 shows, vamos completar no final de 2016 duzentas apresentações desde a volta. Shows importantes como Rock In Rio, viradas culturais. É um momento muito legal de nossa carreira, mesmo porque estamos com dois projetos: o folk, esse show, em teatros, e o Ira! elétrico continua, então isso está fazendo com que seja uma das agendas mais intensas da nossa carreira”, comemora Nasi.

Em estúdio, novidades já são visíveis no horizonte. Depois de 11 discos de estúdio, a banda, que recentemente gravou versões de Aborto Elétrico e Titãs para um especial do Rock In Rio, deve se debruçar sobre a produção de um novo álbum. Uma canção inédita, “ABCD”, aparece nos shows desde a reunião. “Estão surgindo temas novos, músicas que ainda estão sem letras, ideias, coisas que já pintaram. Acontece que agora a gente está tendo espaço na nossa cabeça para pensar o disco novo. Eu e Edgard, por uma coincidência boa, lançamos projetos solos no final do ano passado. No início do ano estávamos divulgando esses trabalhos, fazendo algum show, nossa cabeça ainda estava dentro desses projetos que iniciamos até antes da decisão do Ira! em voltar, em 2014”, detalha Nasi, referindo-se a Egbe, seu mais recente lançamento solo, e a Est, álbum de Edgard com Sílvia Tape (Mercenárias), ambos lançados no final de 2015.

Show Ira! Folk
Quinta feira, 08 de setembro de 2016, às 21 horas
Theatro Guarany – Rua Lobo da Costa, 849 – Centro Histórico – Pelotas/RS
Ingressos/Venda online: blueticket.com.br

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A reinvenção de Gessinger em Pelotas

Show traz todos os 1bertos dos últimos 30 anos.

Foto: Marcelo Fialho
Foto: Marcelo Fialho

A gélida quinta-feira, 21 de julho, foi a data escolhida por Humberto Gessinger para renovar sua visita a Pelotas, hábito praticamente anual.  Perto das nove da noite, no interior do Theatro Guarany, além da lojinha da Stereophonica (com seus bibelôs relacionados ao artista), aroma de quentão no (b)ar. Boa metáfora para o vinho da concepção musical que em instantes aqueceria o local centenário, em produção da Martius Entretenimento. Com três de suas cinco décadas vivendo a música a pleno coração, 1berto está entre os artistas que se permitem subverter a “lógica do mercado”. Algo que ele faz já ao adentrar o palco, abrigado em um poncho esverdeado: sem necessidade de poupar para o bis um de seus maiores hinos, manda de cara “Infinita Highway”, reproduzindo algumas linhas de baixo das versões mais clássicas. Outra subversão gessingeriana é a da reinvenção constante: a maioria das canções da noite vão muito além de reproduções dos discos. Humberto sempre regurgitou sua obra com a propriedade máxima do autor, vide as recriações capturadas em seus discos ao vivo. No show atual, as músicas em vários momentos vêm encartadas dentro das outras, e/ou costuradas ao estilo medley, e/ou rearranjadas de forma mais ou menos radical, conforme o caso – tem que ser divertido para os músicos também. Mas os “clichês inéditos” continuam presentes, e ao final da quarta música, “Ando Só”, Humberto arrisca o tradicional salto em altura, com o instrumento, para a posteridade das fotos.

Foto: Instagram.com/1Gessinger
Foto: Instagram.com/1Gessinger

Duas canções mais tarde, com “Bora”, da introdução ao efeito de vocoder, a coisa começa a ficar seriamente progressiva, recordando-nos que estamos ante um dinossauro do róque brasileiro. Um epílogo em reggae para dar uma variada e logo… um blues ? É o que parece “Surfando Karmas & DNA”, mas no estilo Gessinger de ser. Intimista, a iluminação se reduz ao foco no autor durante a letra confessional, típica de sua filosofia. Muitas letras de Humberto parecem declarações de princípios: a recusa em desistir, a resignação em andar só, mesmo acompanhado, como sempre esteve. Mais tarde, Gessinger anuncia “Alexandria”, que pretende lançar em versão de estúdio em 2017. Parceria com Tiago Iorc, já gravada por este em disco, a exemplo do Jota Quest, que lançou “Tudo Está Parado” bem antes de Humberto. “Pose” é um dos ápices de protagonismo da platéia, através das palmas. Em seguida, intensa aclamação a Gessinger, quando este retorna da lateral do palco de posse do acordeão. O som lúdico do kit melódico tocado por Rafa Bisogno introduz um momento de clima onírico com “Somos Quem Podemos Ser”, cujo refrão fala mesmo em sonhos, fato explorado por Humberto para interagir. É o início de uma seção de estética menos rock e mais folklore, com um pé nos cancioneiros a la Nico Nicolaiewsky, que apropriadamente figura entre os convidados do disco Insular (2013), último de inéditas. O tratamento delicado se estende ao que viria a seguir: a primeira de duas homenagens aos aniversariantes do ano. O álbum Longe Demais das Capitais, completando 30 anos, é lembrado com o que Humberto blefou ser um par, e na verdade surge como uma trinca de canções: “Segurança/Crônica/Toda Forma de Poder”, em versões acústicas, seminuas, (des)pretensiosas, e com interessantes vocalizações de apoio de Nando Peters e Rafa, dupla que completa a escalação atual. Este tributo é o que restou do projeto inconcluso de regravar o disco de estréia este ano, ao modo Insular: com alternância de músicos e viés regionalista.

Foto: Marcelo Fialho
Foto: Marcelo Fialho

Segue-se um set eletro-orgânico incluindo “Alívio Imediato” em roupagem simplificada e “Pra Ser Sincero” dedilhada na guitarra. Nova comemoração de aniversário, agora do álbum do Humberto Gessinger Trio, 20 anos. “De Fé”, “Vida Real”, “Freud Flintstone” e uma evolução de “O Preço” com intervenções de órgão timbre Jovem Guarda e riff guitarreiro mais “visceral”. Ainda teríamos mais um punhado de canções mantendo as variações de formas, e um bis, onde a banda volta em clima mais informal para três músicas, atingindo ao todo mais de hora e meia de apresentação. Toda a discografia de estúdio foi representada, exceto “Simples de Coração” (1995) e “Pouca Vogal” (2008).

Apesar de promover um compacto em vinil com reinvenções de duas canções antigas, o show Louco Pra Ficar Legal não está atrelado a um novo álbum long play, por isso representa o encontro de todos os Humbertos até então conhecidos. O guitarrista, o milongueiro jovem, o da gaitinha folk, o do power pop trio autoproduzido, o desplugado do bootleg “Woodstock”, o das ressurreições roqueiras, o multi-instrumentista experimental das twitcams, o buscador de novas “soluções” musicais do PcVgl, o milongueiro tardio. Sem hologramas nem dançarinas, a experiência oferecida por Gessinger é a projeção da grandeza de seu universo musical interior.

Setlist – reorganizado na ordem da discografia
Longe Demais das Capitais (1986)
Segurança
Crônica
Toda forma de poder
A Revolta dos Dândis (1987)
Infinita Highway
Refrão de Bolero
Terra de Gigantes
Ouça o que Eu Digo, Não Ouça Ninguém (1988)
Somos Quem Podemos Ser
Alívio Imediato (1989)
Alívio Imediato
O Papa é Pop (1990)
O Papa é Pop
Pra Ser Sincero
Exército de Um Homem Só
Exército de Um Homem Só II
Várias Variáveis (1991)
Ando Só
Muros e Grades
Piano Bar
Gessinger, Licks & Maltz (1992)
Pose
Humberto Gessinger Trio (1996)
De Fé
Vida Real
Freud Flintstone
O Preço
Minuano (1997)
A Montanha
Faz Parte
¡Tchau Radar! (1999)
Eu Que Não Amo Você
3 X 4
Surfando Karmas & DNA (2002)
Surfando Karmas & DNA
Pra Ficar Legal
Dançando no Campo Minado (2003)
Até o Fim
Dom Quixote
Insular (2013)
Insular
Bora
(inédita em disco)
Alexandria

Humberto Gessinger retorna a Pelotas reverenciando o Theatro Guarany

Na noite da quinta-feira, 21 de julho de 2016, Humberto Gessinger atualiza a extensa listagem de suas apresentações em solo pelotense, desta feita divulgando a turnê “Louco Pra Ficar Legal”, iniciada recentemente com datas em cidades de todo o Brasil.

Acompanhado por Fernando Peters nas cordas e Rafael Bisogno nas baquetas, o Alemão toma conta de todo o resto: o tradicional baixo, guitarras, teclas, gaitas de boca e de fole, pedais,  verbo e coração. Como não há álbum novo, o repertório passeia por toda a obra – sucessos comerciais e lados B, com muita reinvenção.  Antes de mais uma noite de muita entrega aos fãs “de fé”, Humberto disse algumas palavras com exclusividade ao e-cult.

Foto Divulgação
Foto Divulgação

Gessinger toca em Pelotas quase todo ano, e seus retornos mais recentes –  março de 2015 e outubro de 2013 – tiveram por palco o Theatro Guarany, locação emblemática nas memórias do artista: “Tenho carinho especial, apesar de, nos primeiros anos os shows terem sido sempre em outros locais, ele traduz Pelotas na minha mente. São raros os palcos que permanecem tanto tempo, temos que reverenciá-los”, pondera.

Gessinger garante que o show é bem diferente dos anteriores, que divulgavam, respectivamente, os lançamentos de Insular (2013) e Insular Ao Vivo (2014) : “Os formatos instrumentais permanecem: um trio onde toco baixo, guitarra, harmônica, teclados e, num set acústico, acordeon. O cenário é novo, assim como o repertórtio. A tour  Insular era fortemente baseada no disco de mesmo nome.

Na Louco Pra ficar Legal, tô mais livre para passear pelas várias fases da minha carreira. Além das músicas que estão no compacto que lancei recentemente (Pra Ficar Legal e Faz Parte) rolam lembranças dos 30 anos do disco Longe Demais das Capitais e dos 20 anos do Gessinger Trio”. Os álbuns citados pelo músico são marcos de fases específicas: o primeiro é o debut fonográfico dos Engenheiros, em conseqüência da apresentação na UFRGS. O segundo é um dos muitos recomeços, com o rock vigoroso e básico de uma formação que  incluía músicos que  hoje acompanham Armandinho, e tocam projetos autorais. É um disco dos EngHaw sem o nome da banda, e ainda sem assumir-se como artista solo. Além disso, através dos variados contextos que já protagonizou na trajetória musical, Humberto aprendeu a se recriar constantemente. Como diz a letra de Recarga: “Recarregar – reiniciar – reinventar – reabastecer”.

Humberto recriando “Muros e Grades” em apresentação recente no “Estúdio Ao Vivo Transamérica”
Humberto recriando “Muros e Grades” em apresentação recente no “Estúdio Ao Vivo Transamérica”

Experimentando diferentes formações de banda, ele se consolidou como multi-instrumentista e passou a recriar suas  composições, a exemplo das versões para discos acústicos. Essa veia também aparece no show atual e torna uma experiência única o reencontro com os clássicos de sempre: “Recentemente fizemos um programa de rádio ao vivo em estúdio onde os fãs pediam músicas. Por conta desses pedidos, rearranjei a canção Muros e Grades, substituindo o riff original pelo de Exército de Um Homem Só. Conectar diferentes canções empre foi uma característica do meu trabalho. Essa novidade está no roteiro”, anuncia Humberto, que a propósito, no compacto recém-lançado, recriou duas canções antigas: uma do álbum Minuano (1997) e outra de Surfando Karmas & DNA (2002).

Humberto Gessinger – Show da turnê “Louco Para Ficar Legal”
Quinta feira, dia 21 de julho de 2016, às 21 horas
Theatro Guarany – Rua Lobo da Costa, 849 – Centro Histórico – Pelotas/RS
Ingressos:
Venda online: ticketmais.com.br
Ponto de Venda:
Fast Burger – Rua XV de Novembro, 557

Capital Inicial exclusivo: entrevista com Fê Lemos em Pelotas

Baterista fala sobre o novo álbum acústico e turnê; seu casamento em Pelotas com Renato Russo como padrinho; e sobre a primeira vocalista da banda.

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Foto: Arquivo Marcelo Fialho

O lançamento do álbum “Acústico em New York City”, em outubro de 2015, foi a segunda incursão do grupo pelo formato desplugado consagrado pela MTV, emissora que foi parceira no primeiro acústico da banda, lançado em 2000. Nas 24 faixas do lançamento, a banda desobedece o conselho de “Não Olhe Pra Trás” e relê seus maiores sucessos posteriores ao Acústico MTV, além de resgatar algumas canções mais antigas e apresentar três composições inéditas.

Fê Lemos, fundador da banda, avalia o momento inicial da turnê promocional do disco, que Pelotas é uma das primeiras cidades a receber. “Para mim esse projeto encerra um ciclo. A gente olha para trás em um formato que curtimos bastante (acústico), e permite aos fãs ver os sucessos dos últimos 15 anos de uma nova forma.

É uma pausa para respirar”. Sobre o futuro musical do Capital, o baterista prefere não especular: “Dinho é o principal compositor das últimas obras. Infelizmente, nos últimos anos, não compus nada para a banda, embora continue compondo e escrevendo. Iniciei o projeto Hotel Básico para registrar minhas idéias musicais e literárias. Não consigo vislumbrar o que o Ouro Preto está planejando, mas a gente precisa encontrar uma nova maneira de trabalhar em conjunto, gostaria que voltássemos a trabalhar de maneira mais colaborativa”, opina.

Foto: Arquivo Marcelo Fialho
Foto: Arquivo Marcelo Fialho

Hotel Básico é o projeto paralelo de Fê, que também lançou em 2015 o álbum “Amor Vagabundo”, e que ele divulga nos intervalos da agenda do Capital. “O produtor do disco do Hotel, Franco Júnior, diz que esse é meu caldeirão musical. Desde os Beatles até Roni Size, as influências são minha paixão por música pop, boas melodias, letras inteligentes. E a vontade de buscar novas sonoridades, uma coisa mais ligada à house music. Música negra, dançante, funk americano dos anos 70. Minha vida em forma de música!”, detalha Felipe

Um padrinho chamado… Renato Russo!
Antes do bis do show em Pelotas, Fê Lemos protagonizou ao microfone uma intervenção descontraída, quase em tom de ostentação: “Vocês não sabem, mas eu casei com uma pelotense! E o Renato Russo foi meu padrinho!”

De fato, em 1985 Fê veio a Pelotas para sua festa de casamento com Maria Inez Laurent, que seria sua companheira até 1998. Ele recorda que Renato Russo viajou às próprias custas, em uma época em que havia menos linhas aéreas com destino ao Rio Grande do Sul. Tanto os noivos quanto o padrinho se hospedaram no Hotel Manta. A celebração aconteceu em um clube social afastado do centro. Reza a lenda que Renato teria tomado ácido na ocasião, e na festa suava muito. “Ele ia de mesa em mesa falando com todo mundo, e chorava o tempo inteiro”, recorda Lemos. “A falecida bisavó da minha filha passou a se referir a ele como ´chorão´”.

Dali por diante, lamenta Fê, a distância geográfica entre ambos (o casal Lemos foi morar em São Paulo e Renato já morava no Rio) repercutiu em afastamento pessoal. Uma exceção aconteceu no início dos anos 90, quando, no apartamento de sua irmã, no Rio, Fê recebeu Renato para uma peixada preparada por Inez. “Foi antes da doença dele se instalar. Foi uma tarde muito agradável. Ele ficava muito à vontade com a turma de Brasília, de antes da fama”. Desde então, os contatos entre os ex-parceiros de Aborto Elétrico se tornaram cada vez mais raros. Fê soube da doença de Renato, “um segredo muito bem guardado”, pouco antes de sua morte. “O Loro (Jones, então guitarrista do Capital) ligou para ele e uma enfermeira atendeu. Achei que era depressão, Renato teve aqueles casos com cocaína e álcool. Não sabia que era um caso terminal. Semanas antes da morte, liguei mas não consegui falar com ele, deixei recado na secretária”.

Antes de Dinho, Heloísa
Outra ligação do passado de Fê e do Capital com o interior Rio Grande do Sul remete à cidade de Bagé, que se tornaria o lar da carioca que foi a primeira vocalista da banda, após o fim do Aborto Elétrico. Heloísa Helena Ustarroz foi convidada em 1982 por Fê, seu colega de UnB, para se juntar ao trio (ele, Flávio e Loro) que ensaiava desde o início daquele ano.

Ela assumiu o microfone durante cerca de oito meses, até meados de 1983, em um festival na Associação Brasileira de Odontologia, que reuniu bandas como Legião e Plebe Rude. “Ela curtia muito a banda e era bem-humorada, escrevia letras com uma pegada meio B-52´s”, recorda Fê. “Uma delas era ´Segunda-feira´(cantarolando) “segunda-feira eu saí pra passear”, que depois a gente rearranjou e virou ´Descendo o Rio Nilo´. Tinha uma que eu adorava chamada ´Cremação´, incrível: ´Muita gente debaixo desse chão/ dia a dia cada vez mais/ chegará um tempo que não haverá/ nem mais um centímetro pra te enterrar (refrão)/ temos que queimar nossos mortos, queimar nossos mortos!´.

Tenho uma fita cassete dessa época, acho que tem ela cantando ´Segunda-feira´ e outras músicas. Havia uma chamada ´Você Não Sabe´, a única letra escrita pelo Flávio. Com a chegada do Dinho essas músicas ficaram pra trás”, relembra o baterista.

Resenha: Dado Villa Lobos em Pelotas

No palco do bar que leva o nome de uma de suas grandes influências, Dado confessou que não visitava a terra da Fenadoce “há muitos anos, desde um show do Taranatiriça, que estava muito bom”. Em seguida homenageou Nenung (Dharma Lovers), um dos gaúchos com quem mantém parceria musical, abrindo a noite com “Seres Extranhos” – mais tarde seria a vez de “Diamante”.

Cada vez mais à vontade no palco, Villa Lobos tocou harmônica e dançou a seu modo no clima da cover de “Rainy Day Women”, de Bob Dylan, que conclama: “everybody must get stoned”.
Na sequência, o guitarrista interpõs suas canções mais conhecidas “Dias”, “Quase Nada” e a nova “O Homem Que Calculava” com as da Legião que escolheu para fazer lead vocal: “Teatro dos Vampiros”, “Um Dia Perfeito”, e “A Dança” – em versão rearranjada onde ele se deixa tomar por gestos “epiléticos”, nos golpes na guitarra, e na dança que protagoniza. Break para o frontman, e Renatinho (segunda guitarra) assume também o microfone para sua versão de “Por Enquanto”.

De volta, Dado já convoca Toni ao palco, para duas parcerias que gravaram: “Tudo Que Vai” (hit com o Capital Inicial) e “Como Te Gusta ¿”. Resgatam o êxito-mor da banda de origem de Platão, a Hojerizah: “Pros Que Estão Em Casa”, com seu refrão operístico-smithiano, em versão que abrevia a trabalhada introdução de Flávio Murrah.

Parece que sempre termina… mas não tem fim

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Chega a hora de um tributo feito com toda a propriedade. Dado ainda seria crooner em “Ainda É Cedo/Gimme Shelter”, “Índios” (só ao microfone, sem guitarra), e em uma “Geração Coca-Cola” acústica, estilo trovador solitário, que sua ex-banda às vezes revisitava.

De resto, é de Toni a voz na sequência legionária que entra bis adentro: “Tempo Perdido”, “Eu Sei”, “Será”, “Há Tempos” e “Pais e Filhos”. O timbre do baritono, sem intenção alguma de substituir Renato Russo, ainda assim favorece o clima da catarse coletiva. A combinação no palco demonstra-se uma das melhores alternativas para a demanda reprimida desde 1996, quando, junto com Russo, morreram as esperanças de voltar a ver a Legião ao vivo.

Ao mesmo tempo, Dado estava com saudades do calor das platéias brasileiras, após uma excursão na Europa, com Marcelo Bonfá e a Caravana Americana.
O resultado dessa interação comprovou que a Legião Urbana vive – já que, segundo o próprio Renato, ela é composta pelos fãs. Quantas bandas atuais levam os admiradores a manter em sua memória cache por tantos anos letras longas e com refrão escasso como “Índios” ?

Em entrevistas exclusivas:

Dado
>comenta a pré-produção de seu segundo disco solo
>fala do convívio com Renato Russo: últimos encontros e Clube da Criança Junkie em Brasília
>estilo de guitarra, budismo, Rock It ! e mais
http://marcelofialho.wordpress.com/2010/11/18/entrevistadado/

Toni
>também detalha o trabalho no próximo álbum, Chacundum
>relata as conversas literárias com Renato Russo em meados dos anos 80
>showbusiness, futebol, parcerias e outros assuntos
http://marcelofialho.wordpress.com/2010/11/18/entrevistatoni/

Fonte: Marcelo Fialho
marcelofialho.wordpress.com

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Dado Villa-Lobos e Toni Platão em Pelotas

Os gaúchos interessados em Legião Urbana terão oportunidade de assistir ao legado vivo da banda, em novembro. Dado Villa Lobos se apresenta em Pelotas no dia 18, no Bar João Gilberto, em tour que inclui ainda praças como Três de Maio e Frederico Westphalen. Além das canções da carreira solo do guitarrista, cerca de metade do show será reservada à obra da Legião. Para isso, o convidado especial Toni Platão, com seu vocal barítono, acompanha a banda completada por Carlos Laufer (baixo), Renatinho Ribeiro (guitarra), Caio (teclados) e Lourenço Monteiro (bateria).

Fração importante do trio que a Legião foi no maior período de sua existência, Dado, 45, assim como Marcelo Bonfá, é co-autor de grande parte das músicas cantadas por Renato Russo. Ratificando o lema Urbana Legio “Omnia Vincit” (Vence Tudo), as canções do grupo surgido em Brasília superaram a morte (o poeta-cantor se foi há 14 anos) e o tempo – perpetuando-se na memória coletiva, e se fazendo obrigatórias nos projetos posteriores dos ex-integrantes.

A sonoridade do álbum solo de Dado, Jardim de Cactus, remete a ecos das influências pós-punk como The Cure e Smiths, em um ambiente experimental e climático. A maioria das faixas é cantada pelo próprio Dado, mas há várias participações especiais. O disco foi lançado fisicamente em versão “Ao Vivo MTV” em 2005, e só mais tarde a gravação original de estúdio seria prensada por um selo paulista.

Texto: Marcelo Fialho
marcelofialho.wordpress.com

Dado Villa-Lobos e Toni Platão
Onde?
João Gilberto Bar
Quando?
18 de novembro

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Theatro Guarany em pé para os Detonautas

palcoMetade do show. Conforme a canção avança, o público sentado nas cadeiras e camarotes vai levantando aos poucos. Em instantes, o Theatro Guarany inteiro está em pé, vibrante, cantante. Tico Santa Cruz exclama ao microfone que foi a reação “mais foda” à composição “Só Nós Dois” até hoje. A cena ocorreu na noite de quinta, 09, em Pelotas, primeira cidade a receber os Detonautas, após o retorno de apresentações no Japão, para uma turnê de seis datas no Sul. De início, a platéia parecia em dúvida sobre como interagir com o espetáculo – a expectativa de arranjos mais suaves promovendo o mais recente CD/DVD foi surpreendida por guitarras totalmente plugadas e uma banda a fim de oferecer peso. “Esqueceram de avisar pra gente que o show é acústico.”, brincou o cantor. “Espero que não se importem de ouvir guitarras. Vocês se importam se a gente continuar ´pegando pesado´ ?” Resultado: nas primeiras músicas, além da barricada de fotógrafos entrincheirados diante do palco, fãs exaltados já pulavam frente às primeiras filas de cadeiras, para desconforto dos devidamente “acomodados”.

Platéia em dois momentos: comportada na expectativa de arranjos  acústicos...

Platéia em dois momentos: comportada na expectativa de arranjos acústicos…

...e depois, sob o devido efeito da vibe emanada do palco

…e depois, sob o devido efeito da vibe emanada do palco

Esse foi apenas um dos picos de sintonia emotiva entre palco e audiência. O afiado entertainer Tico incitou ao coro no final reggae-estendido para “Quando O Sol Se For”. Trouxe ao palco uma garota do público para recitar poema no meio de “Olhos Certos”. Explicou que “Só Por Hoje” alude a uma frase-lema dos grupos de reabilitação de viciados em alcoolismo e drogas. E ainda, no final do show, com “Outro Lugar” pediu que cada um abraçasse a pessoa ao lado, estimulado pela mensagem “abraços grátis” em um cartaz exibido por fãs.

Sem falar na corrente por vibes positivas, com mãos levantadas, próximo de a banda prestar tributo a Raulzito emendando “Metamorfose Ambulante” e “Sociedade Alternativa”, entremeadas com discurso pró-liberdade individual. Outra cover inesperada foi “Ainda É Cedo” da Legião Urbana.
Tudo isso veio encartado entre os hits aguardados: “Você Me Faz Tão Bem”, “O Amanhã”, “Tênis Roque”, “O Dia Que Não Terminou”, “Mercador das Almas”, “Não Reclame Mais”, “O Retorno de Saturno”, “O Inferno São Os Outros”. Em arena ou teatro, o clube dos Detonautas é sempre o do rock.

Leia a matéria completa com direito a entrevista.
Fonte: marcelofialho.wordpress.com

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Pelotas celebra show com surpresas de Jupiter Apple

stageSatolep voltou a receber um Jupiter Apple ainda mais variado do que em novembro de 2009: agora o playlist transita desde os primórdios, das ex-bandas, até os singles ainda não lançados formalmente, como é o caso da canção de abertura, “Six Colours Frenesi”. Seguem-se “Querida Superhist…”, “As Tortas e As Cucas”, e “A Lad and Maid in the Bloom”. Anunciada a primeira “surpresinha” da noite, “composta aos 16 anos”:”Identidade Zero”, reconstruída com arranjo cabaré meio jazzy. “Síndrome de Pânico”. “Beatle George”. “So You Leave The Hall”. Em meio ao set Jupiter empunha a guitarra adicional à de Júlio Cascaes.

Música de trabalho: “Calling All Bands”. Se no palco algumas faixas são despidas de delicados detalhes da produção de estúdio, esta soou mais rock, e foi a deixa para o lado entertainer de Apple incitar um coro cada vez mais alto do refrão. “Um dia será num estádio” desejou. Após “Mademoiselle Marchand” e “Modern Kid”, até mesmo Hisscivilation foi contemplado com a “faixa-quase-titulo”. A seguir, “Miss Lexotan 6 mg”. A segunda surpresa – esta composta aos 18: “Morte Por Tesão” (pausa para pulos do repórter). Novas gerações sendo lembradas que estão diante de um clássico. “Marchinha Psicótica”, “Eu e Minha Ex”. Sem sair do palco, Jupiter avisa: “agora já é o bis”, emendando as recentes “Head Head” e “Cerebral Sex”, e como saideira seu esperado e do caralho hino…

Texto/Fotos: Marcelo Fialho
Fonte:  marcelofialho.wordpress.com

me-and-jupEntrevista de uma hora concedida pelo “man” em Pelotas, no dia de seu show no Bar João Gilberto.
O resultado é um verdadeiro “tratado” sobre Jupiter.
http://marcelofialho.wordpress.com/jupiterapple/

Se falta paciência ou vontade para ler tudo, Marcelo Fialho preparou um resumo:

Jupiter em suas respostas…
Avalia o fato de ser considerado um gênio.
Detalha seu processo de criação que concebe “produtos” artísticos cada vez mais pensados de modo “plástico” que integra som, imagem, cinema, design.
Revela vários planos e desejos, como:
>>relançar seus discos, que fisicamente estão fora de catálogo
>>aumentar a visibilidade de sua obra pelo publico, para o que faria sem problemas programas como Faustão e Gugu
>>conquistar sucesso internacional, a exemplo da “Marchinha Psicótica” na Inglaterra
>>concluir seu segundo filme como cineasta
>>atuar sob a batuta de um grande diretor
>>ter sua canção Lovely Riverside como trilha de Piratas do Caribe
>>ter o álbum Hisscivlization encenado em teatro
E também esclarece que…
>>Jupiter Apple não é alter ego ou personagem, é uma assinatura
>>Não se considera roqueiro
>>Nunca mais tocou com Charles Máster
E ainda comenta trechos de algumas letras: erotismo, novas civilizações, Beatles
Apesar de viver cada vez mais sua arte, Jupiter também protagoniza situações de pessoas comuns; e vive a superação da fase “etílica” vivenciada há cerca de dois anos.